Lando Norris diz que está melhor do que no ano passado, quando conquistou o título de Campeão do Mundo de F1 pela McLaren. O britânico afirma que subiu o nível dentro e fora de pista, e isso começa a sentir-se, especialmente nas últimas duas corridas.
O GP dos Países Baixos foi o palco da segunda vitória consecutiva de Lando Norris na F1 em 2026. O piloto britânico conseguiu assim aproximar-se ligeiramente da luta pelo título, apesar de a distância para o líder, Kimi Antonelli, ser ainda considerável. A questão já foi abordada por duas vezes e recebeu a mesma resposta por parte do piloto: será que estamos a ver a melhor versão de Norris? O campeão do mundo acredita que sim.
Teoricamente, cada ida para a pista deveria dar-nos a melhor versão de todos os pilotos. Cada volta traz experiência, e esse conhecimento condensado faz com que o piloto evolua e cresça. No desporto de alta competição, a busca pela perfeição é constante, e na F1 cada milésimo pode fazer a diferença. Nem sempre é possível estar no topo das suas capacidades e o contexto também afeta a performance dos atletas. Mas Lando Norris mostrou nas duas últimas corridas que mantém todas as suas qualidades, apresentando-as de uma forma muito mais sólida, comparativamente ao passado.
Norris sempre foi um piloto rápido, e desde a sua chegada à McLaren que isso foi evidente. O seu crescimento acompanhou o da equipa, até que a estrutura se transformou em candidata ao título, tal como o piloto. E, dos dois lados, existiam pontos fortes e alguns pontos fracos evidentes: a McLaren mostrou algumas hesitações em corridas do ano passado, tal como Norris mostrou fragilidades, especialmente nos arranques e na gestão das corridas. A tensão da luta pelo título foi sentida de forma evidente em várias ocasiões, mas a conquista do sonho, do título mundial, retirou a pressão. Já tínhamos dito no ano passado que poderíamos ver a melhor versão de Norris esta temporada. O piloto parece concordar com isso.
So many incredible moments at the last #DutchGP 🇳🇱#McLarenF1 pic.twitter.com/Mws9qFDjIk
— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) August 25, 2026
Norris melhor dentro e fora de pista
No final da corrida neerlandesa, Norris admitiu a dificuldade em comparar diretamente as duas épocas, mas assumiu acreditar na sua evolução: “Estava a conduzir a um nível elevado na segunda metade do ano passado. É difícil dizer [se estou a conduzir ao meu nível mais alto], mas penso que este ano o carro é, de certa forma, mais complicado de conduzir.” O piloto sustentou essa perceção com um dado concreto sobre a competitividade entre companheiros de equipa: “Penso que se pode ver isso porque as diferenças entre companheiros de equipa são muitas vezes maiores este ano, diria eu, do que eram no ano passado. Mas acredito que sim.”
Norris detalhou ainda em que aspetos sente ter evoluído, destacando sobretudo a sua capacidade de compreensão da situação em pista e de comunicação com a equipa: “Acredito que sou capaz de compreender melhor as situações, de entender o carro de uma forma melhor. Continua a ser horrível de conduzir, mas estou a fazer um trabalho melhor a compreender isso, a transmitir isso à minha equipa, a resolver as coisas.” O piloto sublinhou que essa evolução não se limita apenas ao desempenho em pista, estendendo-se também ao trabalho realizado fora dela: “Por isso, não é só que estou a conduzir melhor em pista. Estou certamente a eliminar as minhas fraquezas em pista, e não tenho muitas, mas é também a forma como trabalho fora da pista. E para mim, de ontem [sábado] para hoje [domingo] é um exemplo perfeito de como o trabalho que fizemos durante a noite transformou a nossa corrida e me deu a oportunidade de vencer. Por isso, o trabalho que fazemos fora da pista é certamente uma grande parte disso.”

Russell – “Norris é um especialista neste tipo de pistas”
Norris continua a complicar a sua tarefa, e a forma como voltou a não aproveitar a pole no segundo arranque da prova, podia ter tido consequências no resultado. Mas o triunfo de Zandvoort foi conquistado de forma justa e muito suada. A diferença de andamento entre a McLaren, a Mercedes e até a Ferrari não foi acentuada, e foi a capacidade do piloto que fez a diferença. George Russell reconheceu que o compatriota se destaca em pistas com as características de Hungaroring ou Zandvoort, com curvas longas e elevada degradação de pneus:
“Acho que não é uma grande surpresa para nós, tendo em conta o quão competitivo o Lando esteve este fim de semana, especialmente porque venceu em Budapeste”, afirmou Russell no fim do GP dos Países Baixos. “É um circuito muito semelhante, com curvas longas, elevada degradação dos pneus e uma estratégia de duas paragens, pelo que há muitas semelhanças entre os dois circuitos. Acho que isto pode continuar nas próximas duas ou três corridas, até começarmos a melhorar o carro e, com sorte, os nossos adversários não o fazerem.”
Grounded, focused, and celebrating a victory in Zandvoort 🤝
— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) August 24, 2026
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Stella elogia evolução do seu piloto
Andrea Stella também reconheceu a subida de forma do seu piloto. O diretor da McLaren resumiu a sua avaliação sobre o desempenho de Norris de forma direta: “Penso que o Lando está a conduzir e a operar a um nível muito elevado.” Para o dirigente italiano, a continuidade do desenvolvimento de Norris é talvez o aspeto mais impressionante da sua trajetória.
Stella acredita que algo mudou fundamentalmente no piloto durante a fase inicial da temporada de 2025, com as lições desse período a acelerarem aparentemente o seu crescimento. “Penso que ele está a conduzir ao nível de um Campeão do Mundo e, como digo sempre sobre o Lando, o que mais gosto na sua jornada na Fórmula 1 é que ele continua a melhorar. Penso que, especialmente depois do início da temporada de 2025, algo se despertou nele.” O chefe de equipa descreveu ainda a progressão de Norris como um processo contínuo, corrida após corrida: “É quase como se visse o Lando a ficar cada vez mais forte, corrida após corrida, porque penso que estava longe de ser um fim de semana em que poderíamos lutar pela vitória… depois de termos visto o desempenho na Sprint.”

Mais perto da afirmação plena?
A vitória em Zandvoort representou, por isso, mais do que apenas outro triunfo para Norris: foi uma demonstração adicional da eficácia com que o piloto consegue agora extrair desempenho quando as condições se tornam difíceis. Este cenário representa uma reviravolta significativa para a McLaren, que tinha começado a temporada de forma muito menos dominante, enfrentando uma fase inicial complicada, incluindo uma corrida na China em que nenhum dos carros conseguiu arrancar, antes de o programa de desenvolvimento da equipa começar a transformar o panorama competitivo. As atualizações introduzidas no Grande Prémio da Hungria ajudaram, desde então, Norris a encadear vitórias consecutivas.
A qualidade do trabalho de Norris é visível na comparação direta com Oscar Piastri, especialmente nas duas últimas corridas. Piastri é um dos grandes talentos, mas ainda não consegue extrair tanto dos novos carros, enquanto o trabalho de Norris permite-lhe chegar a um nível que o colega de equipa ainda não consegue.
O britânico não parece ter ainda as armas para defender o seu título. Mas pode começar aqui algo que não conseguiu no ano passado: afirmar-se definitivamente e afastar as muitas dúvidas que o rodeavam. Sem pressão para ganhar o título, pois esse objetivo já foi cumprido, pode focar-se apenas em ser melhor. Talvez nem seja a versão 2.0. Poderemos até estar perante uma “atualização” mais avançada. Seja como for, a evolução fez-se notar nestes dois triunfos.
Fotos: MPSA
Fontes: motorsport.com, McLaren








