Num 2026 repleto de novidades, a entrada da Audi no campeonato de F1 foi certamente um dos momentos-chave do ano. Consolidando a força da F1 nesta fase, a temporada atual viu a chegada de duas marcas, a Cadillac e a Audi. Se no caso dos americanos a expetativa era mais baixa, pois trata-se de um projeto novo de raiz, a Audi chegava já com um “estágio” pela via da Sauber que ganhou nova vida com a entrada do construtor alemão.
A base de partida era sólida. Em 2025, ainda como Sauber, a equipa de Hinwil tinha fechado o ano em nono lugar com 70 pontos, uma melhoria de 66 pontos face a 2024 e a prova de um trabalho consistente que preparava terreno para a chegada da Audi. Nico Hülkenberg tinha conseguido o primeiro pódio da carreira e Gabriel Bortoleto, estreante, tinha somado pontos em várias ocasiões, um legado positivo para a nova era.
Primeiros passos difíceis
A Audi concluiu o programa de testes de pré‑época de 2026 em Sakhir, reforçando a ideia de uma preparação extensa e estruturada para a estreia oficial na Fórmula 1. A equipa concluiu 357 voltas na segunda semana de testes no Bahrein e para 851 o acumulado da pré‑época, correspondente a 2.775,649 quilómetros. O R26 presentou-se com um conceito aerodinâmico arrojado, mas os primeiros indicadores nem foram muito animadores. As evoluções aplicadas ao longo da pré-temporada permitira à Audi melhorar a competitividade.
Gabriel Bortoleto somou os primeiros pontos da marca já em Melbourne, com um nono lugar, mas depois disso a equipa teve de esperar sete corridas para regressar ao top 10. A fiabilidade deu algumas dores de cabeça, com três abandonos motivados por questões técnicas. Mas o maior problema foram as largadas. A Audi optou por um turbo maior do que a concorrência, que tem apresentado desafios e as largadas podem ser o sintoma mais pronunciado desta questão, com os pilotos a constantemente terem quedas na grelha assim que a luz verde se acende.

Sete corridas em branco, depois a reviravolta
Entre a Austrália e a sétima corrida sem pontuar, o cenário era desanimador — zero pontos, apesar de indicações positivas. Foi nesse período que Jonathan Wheatley deixou o cargo de diretor de equipa “por motivos pessoais”, com Mattia Binotto a acumular funções e Allan McNish a assumir o papel de diretor de corridas. Wheatley está a caminho da Aston Martin e a Audi viu novamente mudanças na sua liderança, quando se pensava que finalmente se tinha encontrado o modelo certo.
A reviravolta começou em Silverstone, com Bortoleto a terminar oitavo, o melhor resultado da equipa na temporada até então e a repetir em Spa-Francorchamps. Na Hungria, Hülkenberg somou finalmente os seus primeiros pontos do ano, em nono. Nas últimas três corridas antes da pausa, a Audi somou 10 dos seus 12 pontos totais, ultrapassando a Williams no Mundial de Construtores.
A Audi termina a primeira metade da temporada com o oitavo posto, um resultado que se alinha com as expetativas criadas. Ninguém podia esperar que a Audi chegasse e batesse o pé às equipas da frente. A sua nova unidade motriz, carece de mais tempo de pista pois, ao contrário de outras equipas, a Audi apenas recolhe dados de duas unidades por fim de semana, o que limita a análise e a evolução. Mas, passo a passo, a equipa parece ganhar confiança e o balanço, para já é positivo.

Experiência e juventude voltam a dar resultado
Gabriel Bortoleto tem sido o motor dos resultados da Audi em 2026: dos 12 pontos da equipa, 10 são seus, conquistados em três corridas (Austrália, Silverstone e Spa) . Mesmo nas corridas sem pontos, o brasileiro esteve por várias vezes a menos de um segundo do top 10, incluindo na Hungria. O jovem brasileiro mantém a sua trajetória de afirmação e a Audi pode estar contente com a sua aposta. É o piloto de projeto, aquele que, em condições normais, vai acompanhar a evolução da equipa. Para Bortoleto também a aposta foi certeira, com uma equipa que ainda não coloca demasiada pressão nos pilotos e que, já começa a ser alvo de cobiça de outros pilotos.
Nico Hülkenberg teve um caminho mais acidentado. Tem sido mais exposto à falta de fiabilidade da nova unidade motriz (três abandonos), só conquistou pontos na Hungria, com um sólido nono lugar. Mas a performance não tem sido péssima, pelo contrário, e a presença consecutiva em posições logo abaixo do top 10 demonstra-o bem. Hulkenberg continua a ser um elemento valioso da equipa, que tem à sua disposição uma dupla equilibrada e que reúne todas as condições para levar a equipa aos objetivos delineados a curto e médio prazo.
Notas
- Audi – Nota 6
- Gabriel Bortoleto – Nota 7
- Nico Hülkenberg – Nota 6
Fotos: MPSA









