Depois de meses de frustração e uma temporada passada na retaguarda da grelha, a Aston Martin chega ao Grande Prémio da Hungria deste fim de semana com aquele que poderá ser o pacote de atualizações mais importante da sua história recente. A equipa sediada em Silverstone está finalmente pronta para revelar o tão aguardado AMR26 “B”, com uma extensa reformulação aerodinâmica e de chassis, desenvolvido sob a liderança técnica de Adrian Newey.
Com uma unidade motriz Honda atualizada prevista para depois da pausa de verão, Budapeste representa a primeira oportunidade para descobrir se a ambiciosa reconstrução da Aston Martin está finalmente pronta para dar frutos. O proprietário da equipa, Lawrence Stroll, investiu fortemente na montagem de uma equipa técnica de sonho liderada por Newey, e embora ninguém espere um milagre da noite para o dia, Hungaroring deverá oferecer o primeiro indicador genuíno sobre se a nova direção da equipa é capaz de a reconduzir à luta pelo meio do pelotão na Fórmula 1, a curto prazo.
O mais recente revés da Aston Martin ocorreu na Bélgica, onde Lance Stroll desistiu devido a uma falha na embraiagem e Fernando Alonso viveu uma tarde miserável, terminando em último lugar e a duas voltas do vencedor. Estes resultados vieram apenas reforçar uma realidade dolorosa: a Aston Martin está demasiado longe dos lugares que almeja e muito longe do meio da tabela.
Internamente, a Aston Martin considera o pacote da Hungria muito mais do que uma simples atualização de rotina. A dimensão da reformulação foi tão extensa que a equipa teve de submeter o chassis revisto a um novo teste de colisão da FIA. Ainda de acordo com relatos da imprensa, embora o pacote represente uma mudança substancial, o conceito subjacente do AMR26 mantém-se, com o foco colocado em recuperar duas deficiências específicas: uma falta de downforce e um carro que se encontrava demasiado acima do limite de peso. Alguns dados aproximados sugerem que a combinação entre o novo chassis e a futura unidade motriz Honda poderá representar um ganho de até dois segundos, no melhor cenário 2,5 segundos, o que, mesmo assim, não seria suficiente para tirar a equipa da Q1 nas condições atuais.
Adrian Newey reconheceu recentemente que foi muito radical na escolha do conceito do AMR26. Ao manter-se o conceito temos um vislumbre do que vai na cabeça do génio britânico: não é a filosofia de base que tem de ser melhorada, mas sim a forma como essa filosofia foi aplicada no carro deste ano. Apesar de ter instalações de topo e pessoal de grande qualidade, a Aston parece um equipa de futebol de grandes estrelas… talento não falta, mas nem sempre esse talento é capaz de trazer bons resultados só por si. É preciso mais e é isso que a equipa britânica procura.
Existe também alguma preocupação relativamente à disponibilidade de peças sobresselentes para os dois monolugares, uma vez que os prazos de produção foram extremamente comprimidos para maximizar o desempenho do novo pacote, obrigando a equipa a preparar planos de contingência para o caso de faltarem componentes.
Assim, não se deve esperar uma mudança radical da Aston Martin, que deverá manter-se na segunda metade da tabela. Mas o estimado salto de dois segundo traria a confirmação que a engrenagem da Aston Martin começa finalmente a mover-se no sentido desejado e será um primeiro passo rumo a um futuro que se deseja bem mais risonho de uma equipa que tem apenas sobrevivido nesta primeira metade da temporada.
Foto: MPSA









