O diretor de corridas da equipa alemã aborda a transição do construtor para o topo do automobilismo, a gestão de pilotos e a ambição de conquistar o título mundial
Allan McNish, tri-vencedor das 24 Horas de Le Mans e atual diretor de corridas da Audi Revolut F1 Team, garantiu que a estrutura alemã possui todos os elementos necessários para alcançar o topo do automobilismo mundial. Numa conversa no podcast High Performance, o responsável escocês detalhou os bastidores do projeto de entrada da Audi na Fórmula 1, sublinhando a determinação e a ambição que norteiam a nova equipa: “Unir a unidade de potência e o chassis, trazendo o nome da Audi para a Formula 1, tem sido um dos grandes destaques, mas é também um desafio que exige resultados. Com tudo o que temos implementado, não há absolutamente dúvida nenhuma: seremos campeões”, afirmou Allan McNish.

A exigência do topo e a gestão de dinâmicas internas
A meio da época de estreia da marca na categoria rainha, McNish enfatizou que o ritmo de desenvolvimento na Formula 1 não permite pausas na preparação do futuro. A equipa trabalha em simultâneo na evolução do monolugar atual e no planeamento dos projetos para 2027 e anos seguintes, exigindo uma cultura de elevada performance e adaptabilidade rápida.

O diretor de corridas abordou igualmente a complexidade de gerir a dupla de pilotos formada pelo experiente Nico Hülkenberg e pelo jovem Gabriel Bortoleto. “É preciso contratar pilotos absolutamente implacáveis e determinados. A prioridade da equipa é vencer o campeonato de construtores, mas a única função do piloto é bater o seu companheiro de equipa. A nossa missão é estabelecer os limites de como vamos para a pista”, explicou o responsável.
Sobre Hülkenberg, McNish enalteceu a capacidade técnica e a precisão do alemão no trabalho com os engenheiros. Quanto a Bortoleto, destacou a ética de trabalho e a capacidade de recuperar após momentos difíceis, como o acidente sofrido no Brasil na época passada: “O Gabriel tem uma velocidade e um entusiasmo contagiantes. A forma como recuperou desse choque demonstrou a maturidade necessária para estar ao mais alto nível.”

Resiliência e liderança
Revisitando a sua carreira enquanto piloto, Allan McNish recordou momentos marcantes de superação, nomeadamente a infeção viral sofrida no início da década de 1990 — que lhe afetou as articulações e atrasou a progressão para a Fórmula 1 — e o impressionante acidente nas 24 Horas de Le Mans em 2011. Para o técnico escocês, essas experiências moldaram a sua filosofia de liderança e a capacidade de tomar decisões sob pressão.
A transição de piloto para gestor exigiu uma mudança de mentalidade, focada agora no coletivo. McNish comparou o modelo de atuação da equipa ao da sua parceira principal, a Revolut, enfatizando a necessidade de criar uma estrutura ágil, capaz de combater marcas e equipas históricas através da inovação e da eficiência: “Na competição, a alta performance consiste em fazer o melhor trabalho possível hoje e superá-lo no dia seguinte, sem nunca descansar sobre os sucessos passados”, concluiu o diretor de corridas da Audi Revolut F1 Team, apontando o respeito, o apoio mútuo e a responsabilidade como os pilares fundamentais para o sucesso do projeto na Fórmula 1.
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