A Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal atravessa uma temporada de crescimento, consolidação e sucesso. Entre a liderança no GT4 Portugal, a aposta numa nova geração de pilotos nos ralis, e a aposta internacional no TT, o projeto luso continua a afirmar-se como uma referência na competição nacional e ibérica.
A Toyota e a Caetano Portugal têm uma longa e vasta história no desporto motorizado nacional. A aposta da marca num projeto nacional / ibérico forte, em três vertentes, trouxe aos nossos campeonatos mais força, mais competitividade e mais visibilidade. Esta aposta a triplicar deve ser enaltecida, pois é a prova que as marcas podem ter retorno com o motorsport em Portugal.
Numa temporada em que o crescimento do projeto se faz sentir no sucesso das suas diversas vertentes, os resultados são o espelho da qualidade do trabalho desenvolvido. Nos Ralis, uma dupla aposta com Pedro Almeida e António Costa a serem os pontas de lança da equipa, com a responsabilidade de levar as cores da marca nipónica ao sucesso, depois da passagem de Kris Meeke. Mas o projeto virou-se também para a vertente formativa, com a inclusão de Rafael Rêgo, agora com Nuno Mota Ribeiro como navegador, que dá os primeiros passos no competitivo mundo dos Rally2. Também na velocidade uma aposta redobrada com dois carros e muito talento: Francisco Mora e o jovem Rodrigo Almeida luta pelo título dos GT4 e GT4 Pro, enquanto Francisco Abreu e José Carlos Pires lutam pelo cetro da GT4 Pro Bronze, piscando o olho aos melhores lugares da tabela. João Ramos e Jorge Carvalho não têm tido a sorte do seu lado na sua passagem pelo europeu de Bajas, mas são também parte integrante deste projeto.
O balanço a meio da temporada é claramente positivo. Pedro Almeida é segundo, em luta direta com Rúben Rodrigues no CPR e no CPV, Mora e Almeida lideram no absoluto e na GT4 Pro, enquanto Abreu e Pires lideram nos GT4 Pro Bronze, com as duplas a assumirem lugares de destaque nas competições ibéricas e espanholas.
Para fazer o ponto de situação sobre a época de 2026 e perspetivar o futuro, conversámos com Ricardo Amaral, Diretor/Manager Academia, Centro de Competências & Toyota Gazoo Racing, responsável pelo projeto Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, que fez um balanço detalhado dos resultados desportivos, da estratégia de escolha de pilotos e das ambições da marca a médio prazo.

Que balanço faz a Toyota do programa de competição nacional/ibérico? Que retorno tem dado?
“Estamos muito satisfeitos com o programa de competição até ao momento. Na velocidade estamos a liderar o campeonato nacional e, no contexto ibérico, os resultados também têm sido bastante positivos. Naturalmente, ainda faltam disputar muitas provas até ao final da época e, por isso, é cedo para fazermos uma avaliação definitiva ou retirarmos conclusões finais sobre o retorno desportivo do projeto. Aquilo que podemos afirmar é que o programa tem correspondido às expectativas em competitividade e excedido as expectativas em termos de visibilidade da marca, demonstrando a capacidade da Toyota para lutar pelos lugares de topo nas competições em que participa e afirmar a marca GAZOO Racing a nível ibérico. No GT4 apostamos em ter os dois carros em categorias diferentes, Pro e Pro Bronze, o que permite uma melhor gestão e entreajuda na equipa e a possibilidade de ganharmos os dois campeonatos mais o GT4 absoluto.”
Quais os planos para o futuro? Em 2026 assistimos a um crescimento do projeto. A estrutura é agora a ideal ou há vontade de fazer ainda mais?
“A nossa ambição passa sempre por lutar pelos títulos e continuar a consolidar o projeto. Em 2026 demos um passo importante com o reforço da nossa presença competitiva e, para já, estamos focados em maximizar o potencial da estrutura atual. Temos conseguido construir um projeto sólido, competitivo e sustentável, pelo que o foco está em continuar a evoluir e a retirar o máximo partido dos recursos e das equipas que temos atualmente. Como em qualquer programa desportivo, existe sempre vontade de crescer e melhorar, mas qualquer decisão futura será tomada no momento adequado e em função dos objetivos estratégicos da Toyota. Apostamos no talento nacional que tem mostrado todo o seu valor.”

A Toyota luta pelas vitórias e pelos títulos nos ralis e na velocidade. Chegou-se ao compromisso ideal e a escolha dos pilotos deste ano revelou-se a mais equilibrada e favorável? Podemos esperar uma manutenção dos nomes para 2027?
“Sim, estamos claramente na luta pelos primeiros lugares em ambos os campeonatos. No GT4, o facto de termos duas viaturas permite uma gestão mais integrada da equipa e aumenta naturalmente a nossa capacidade competitiva. Em termos de duplas, contamos com duas formações muito fortes, que já transitavam da época passada e que tinham demonstrado a qualidade e o potencial da equipa. Diria que a maior mais-valia este ano está precisamente na possibilidade de contar com duas viaturas em pista, permitindo uma abordagem mais robusta e consistente ao campeonato.
Nos ralis, a realidade é um pouco diferente. A equipa de 2025 contava com a enorme experiência de Kris Meeke. Em 2026, com Pedro Almeida e Rafael Rego, apostámos numa geração mais jovem, trazendo a irreverência, a ambição e a velocidade próprias da juventude. Esta aposta enquadra-se também numa estratégia clara de valorização do talento nacional, procurando projetar e dar oportunidades a pilotos portugueses com elevado potencial.
Estamos bastante satisfeitos com as duplas que selecionámos para o GT4 e para os ralis. Apesar de serem todos ainda muito jovens, acreditamos que escolhemos o grupo certo de talento português para alcançar os resultados que pretendemos nesta temporada.
Relativamente a 2027, ainda é demasiado cedo para tomar decisões sobre a continuidade dos pilotos, pelo que esse tema será analisado mais à frente.”

Há vontade da Toyota Portugal de dar o salto para competições europeias como o GT4 European Series ou até o ERC?
“Neste momento, ainda é bastante cedo para falar sobre novos desafios internacionais a nível Europeu. O nosso foco está totalmente centrado nos programas que temos atualmente em Portugal e na Península Ibérica, assegurando que continuamos competitivos e que atingimos os objetivos definidos para esta época.
Naturalmente, acompanhamos com interesse as principais competições internacionais, mas, para já, não estamos a perspetivar uma entrada em campeonatos como o GT4 European Series ou o ERC. O foco continua a ser o desenvolvimento e consolidação dos projetos nacionais e ibéricos, avaliando o futuro de forma ponderada e de acordo com a estratégia da Toyota Portugal.”

Das declarações de Ricardo Amaral fica claro que a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal vive um momento de maturidade competitiva sem pressa de expansão internacional. A liderança no GT4 Portugal e a estrutura com duas viaturas em categorias distintas (Pro e Pro Bronze) reforçam a ambição de conquistar múltiplos títulos ainda esta época. Nos ralis, a aposta na juventude com Pedro Almeida e Rafael Rego marca uma clara viragem estratégica em relação à experiência de Kris Meeke, apostando no talento nacional emergente. Quanto ao futuro, a Toyota Portugal prefere manter o foco na consolidação do projeto ibérico, deixando decisões maiores para “o momento adequado”. Mas este é um momento importante do projeto. Num ano de mudanças profundas, nota-se que os alicerces já são sólidos o suficiente para chegar ao topo na velocidade, depois de dois anos de trabalho de base. No caso dos ralis, a viragem foi mais acentuada permitindo, ainda assim, estar na luta pelos primeiros lugares. A Toyota segue o seu rumo, confiante nas suas escolhas e decidida em valorizar os talentos nacionais e as competições nacionais, um fator claramente positivo para o motorsport português.










