O atual campeão do mundo de ralis, Sébastien Ogier, rejeitou de forma categórica a solução de compromisso proposta pela FIA para os regulamentos do WRC de 2027. O piloto francês manifestou-se contra a introdução do polémico kit de conversão ‘Rally2 WRC Kit’, desenhado para permitir que os carros da categoria Rally2 compitam diretamente contra os novos monolugares de especificação WRC27.
Para o piloto da Toyota, a coexistência de duas especificações diferentes a lutar por vitórias gerais desvirtua a identidade da modalidade. “Olhando de fora, talvez a solução mais simples teria sido deixar toda a gente competir com os carros Rally2 durante um ano”, defendeu Ogier, sugerindo uma transição temporária mais limpa para proteger a integridade desportiva do campeonato.
Riscos de politização e o sistema ‘BoP’ nos ralis
A proposta da FIA visa atrair construtores e equipas privadas, permitindo-lhes fazer um upgrade aerodinâmico e de performance nos Rally2 homologados até ao final de 2026, com o compromisso de competirem nas épocas de 2027 e 2028. Contudo, esta abordagem introduz um conceito de equilíbrio de performance (Balance of Performance ou BoP), semelhante ao utilizado no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), algo que desagrada profundamente ao piloto.
“Nunca fui fã de qualquer tipo de Balance of Performance. No final, a política desempenha sempre um papel quando se tem BoP”, alertou Ogier. Atualmente, a Toyota surge como o único construtor ativamente empenhado no desenvolvimento de um carro totalmente novo sob as diretrizes de 2027. Curiosamente, nos primeiros ensaios laboratoriais efetuados pela marca nipónica, o protótipo WRC27 ter-se-á revelado mais lento do que o modelo de Rally2. O que é natural, pois as equipas já dominam há muito os Rally2, e os WRC27 são algo totalmente novo, mas que ninguém duvide que rapidamente os WRC27 seriam mais rápidos.
Confusão para o público e indefinição no pelotão
A oposição do piloto francês surge escassas semanas após a aprovação das regras de transição pela FIA. Ogier salienta que a criação de uma classe rainha artificialmente dividida em dois patamares técnicos vai confundir os adeptos casuais e prejudicar o campeonato. “Esperemos que consigam encontrar o equilíbrio certo”, acrescentou, assumindo que, sem soluções imediatas, a competição de 2027 ficará comprometida.
A seis meses do início da temporada de 2027, a FIA mantém-se firme no plano original de dupla especificação em pista para assegurar o volume de carros nas listas de inscritos. No entanto, a posição de Ogier poderá colher eco junto de marcas como a Skoda — que já rejeitou o kit — e ditar o rumo da sua própria continuidade na disciplina além de 2026.








