O novo calendário da Fórmula E para a Temporada 13, correspondente ao arranque da era Gen4, pode implicar mudanças na grelha da próxima temporada, com pilotos a terem de optar por apenas um programa. Sébastien Buemi é um dos afetados e o piloto suíço, de 37 anos, que compete pela Envision Racing, enfrenta dois conflitos de datas com o Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), o que poderá obrigá-lo a falhar quatro corridas.
Os conflitos surgem em dois momentos distintos do calendário. O primeiro ocorre no fim de semana de 15 e 16 de maio de 2027, quando a Fórmula E tem agendada a sua jornada dupla no Mónaco em simultâneo com a prova do WEC em Spa-Francorchamps. O segundo conflito dá-se nos dias 10 e 11 de julho, com a jornada dupla de Xangai da Fórmula E a coincidir com a ronda do WEC em São Paulo.
Buemi é um dos pilotos afetados por esta sobreposição de calendários, uma vez que o seu empregador no WEC, a Toyota, deverá ter prioridade nestas situações. A Envision Racing, por sua vez, prefere que os seus pilotos se dediquem exclusivamente aos compromissos na Fórmula E, embora tenha garantido apoio a Buemi. O plano inicial passava por renovar os contratos do piloto suíço e do seu companheiro de equipa Joel Eriksson.
A situação é semelhante para Nyck de Vries, companheiro de Buemi no WEC pela Toyota. Contudo, a equipa de Fórmula E de De Vries, a Mahindra, parece adotar uma postura mais flexível, com informações a indicar que o neerlandês deverá ser mantido para a próxima temporada. No caso de António Félix da Costa, que este ano regressou a um calendário duplo, integrado na Jaguar e na Alpine, poderá ver as suas opções reduzirem drasticamente se quiser manter-se no WEC.
A grande questão coloca-se do lado da sobreposição Mónaco / Spa. Se por um lado o Mónaco é uma das datas mais importantes do calendário da Fórmula E, Spa é uma prova fundamental na preparação para as 24h de Le Mans. Neste fim de semana, as equipas quererão ter do seu lado os pilotos contratados para a temporada toda e não um line-up “remendado”. Surge, portanto, um problema para os pilotos que queiram ter dois programas.

O CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, deixou clara a posição da organização durante uma conferência de imprensa, afirmando que a prioridade da série não é garantir que os pilotos possam competir em múltiplas categorias em simultâneo. Dodds confirmou ainda que existe comunicação regular com a liderança do WEC, mas que os conflitos de calendário são inevitáveis para ambas as partes.
“A nossa prioridade é analisar quais os conflitos que têm menor impacto na presença de adeptos, na audiência televisiva, no crescimento da nossa base de fãs. Infelizmente, a nossa principal prioridade não é tentar garantir que os pilotos possam correr em múltiplas séries ao mesmo tempo. É positivo se conseguirem fazê-lo, mas não é a nossa prioridade máxima. Reunimo-nos com o WEC, falamos com a liderança do WEC. Conhecemos os calendários um do outro. Infelizmente, não há forma de evitar conflitos de ambos os lados.”

A temporada 2026-27, contará com 21 corridas distribuídas por 13 cidades, que receberão a estreia do carro Gen4. Três novos circuitos integram o calendário pela primeira vez: o Circuit of The Americas (COTA), em Austin, o Brands Hatch e o Zandvoort.
A temporada arranca em dezembro com jornada dupla em Jidá, seguindo-se uma visita tradicional à Cidade do México em janeiro. O calendário completo inclui ainda paragens em Austin, Miami, São Paulo, Sanya, Berlim, Monte Carlo, Brands Hatch, Zandvoort, Madrid e Xangai, com Tóquio a receber a final nos dias 24 e 25 de julho. Austin acolhe a quarta ronda da temporada, a 6 de fevereiro, enquanto Brands Hatch e Zandvoort entram no programa em maio e junho, respetivamente. Brands Hatch substituirá o ExCeL London no calendário.
O formato das jornadas duplas, oito na próxima temporada, também sofre alterações. A segunda corrida do fim de semana mantém o formato tradicional de E-Prix, mas a primeira passa a denominar-se “E-Prix Unleashed” — uma prova sprint de 25 a 30 minutos com as definições do carro no máximo, incluindo 450 kW de potência e maior carga aerodinâmica.










