George Russell venceu o Grande Prémio da Áustria depois de uma corrida marcada por batalhas roda a roda, estratégias divergentes e um final de cortar a respiração no Red Bull Ring. Max Verstappen terminou em segundo, apenas três décimos à frente de Kimi Antonelli, enquanto Oscar Piastri foi o melhor do ‘resto’ em quarto, com Lewis Hamilton em quinto.
Segunda vitória de George Russell (Mercedes) este ano, depois do triunfo na Austrália, Max Verstappen (Red Bull) foi segundo e obteve no Red Bull Ring a sua melhor classificação do ano, o segundo lugar, pois até aqui só tinha alcançado um pódio, no Canadá. Depois de cinco vitórias consecutivas, Kimi Antonelli (Mercedes) termina no pódio, e para que se coloquem as coisas em perspetiva, é o seu pior resultado do ano. Notável o facto dos três primeiros terem terminado a corrida separados por 1.986s, o que diz bem do equilíbrio tático de uma contenda muito marcada por estratégias distintas, com os primeiros a afunilar-se bastante no final da corrida, sendo que Russell tinha apenas de gerir o avanço, enquanto Antonelli foi-se aproximando de Verstappen sem o conseguir passar nas últimas duas voltas.
Desgaste mecânico dita desistências
Oscar Piastri (McLaren) foi quarto, e já não vai ao pódio desde Miami. Lewis Hamilton (Ferrari) não conseguiu repetir, nem de perto, o mesmo feito de Barcelona e foi apenas quinto, o seu terceiro pior resultado do ano. Sexto posto para Isack Hadjar (Red Bull), terceiro sexto lugar seguido, continuando o melhor resultado a ser o quinto posto do Canadá.
Lando Norris (McLaren) foi sétimo na frente de Charles Leclerc (Ferrari), com Liam Lawson (Racing Bulls) e Arvid Lindblad (Racing Bulls) a fecharem o top 10.
A Racing Bulls garantiu um duplo desfecho pontuável, com Liam Lawson em nono — apesar de uma investigação pós-corrida por infração no procedimento de partida — e o jovem Arvid Lindblad na décima posição.
A corrida ficou ainda marcada por uma elevada taxa de abandono por motivos mecânicos. A equipa Cadillac viveu um autêntico pesadelo logístico, com Sergio Pérez e Valtteri Bottas a retirarem-se logo nas voltas iniciais devido ao sobreaquecimento severo dos travões. Lance Stroll (Aston Martin) também abandonou devido a problemas no sistema ERS, juntando-se a Sainz na lista de desistências.
Com o desfecho em Spielberg, o campeonato ganha uma nova vida. Russell demonstrou que a Mercedes dispõe atualmente de argumentos para discutir o título, forçando Antonelli a gerir uma vantagem que, embora confortável, já não parece inatacável. A caravana do Mundial segue agora para as próximas etapas europeias, com a fasquia da fiabilidade e da consistência no nível mais alto da temporada.
Filme da corrida
A prova decidiu-se em múltiplas frentes ao longo das 71 voltas, mas o momento-chave chegou na fase final, quando Russell construiu a margem suficiente para resistir ao ataque de Verstappen e aos tempos fortes de Antonelli, que encurtou a distância até ao último instante.
Arranque tenso
Russell arrancou bem e manteve a liderança nas primeiras curvas, mas a corrida ‘incendiou-se’ de imediato atrás dele. Hamilton passou Leclerc para segundo, enquanto Antonelli e Verstappen se envolveram em lutas sucessivas por posições dentro do top 5.
Verstappen foi ganhando ritmo e protagonizou um duelo agressivo com Hamilton, chegando a trocar de posição com o britânico antes de conseguir finalmente avançar. A luta foi tão intensa que Hamilton chegou a ser investigado por um incidente com o neerlandês, embora sem consequências disciplinares.
Estratégias e desgaste
Com o avanço das voltas, as paragens nas boxes começaram a reordenar o pelotão. Hamilton foi o primeiro dos homens da frente a parar, seguido por Leclerc, Piastri, Russell e, mais tarde, Verstappen e Antonelli, numa fase em que a gestão de pneus passou a ser tão importante como o ritmo puro.
Russell manteve-se na frente após a sua paragem e, apesar de um pequeno erro na curva 1, continuou a controlar a situação. Verstappen reduziu a diferença para poucos segundos, mas o britânico respondeu com consistência e saiu das voltas decisivas com a liderança consolidada.
Ferrari em queda, McLaren sob pressão
Piastri destacou-se como melhor do resto, mas a corrida da McLaren também teve momentos de tensão, com Norris a cair para sétimo após a sua paragem e sem margem para recuperar posições no fim. Leclerc, que começou em segundo, acabou por perder terreno de forma significativa e desceu para oitavo, depois de ser ultrapassado por Hamilton, Piastri e Antonelli.
Hamilton ainda tentou pressionar Piastri, mas o australiano defendeu o quarto lugar até à bandeira de xadrez. No topo da luta pelo pódio, Antonelli foi o grande dinamizador do final, aproximando-se de Verstappen volta após volta e deixando o Red Bull Ring em suspense até à derradeira passagem.
Final em aberto até ao último metro
Nas últimas voltas, Russell viu Verstappen reduzir a diferença, mas nunca ao ponto de pôr realmente em risco o triunfo. Antonelli, com pneus mais frescos, aproximou-se do neerlandês e terminou a apenas três décimos, num desfecho que confirmou a solidez da defesa de Verstappen e a resistência do líder.
Russell cruzou a meta como vencedor, retomando o caminho dos triunfos e deixando para trás um domingo de pressão constante. Atrás dele, Verstappen segurou o segundo lugar por margem mínima, Antonelli confirmou o terceiro, e Piastri terminou em quarto, seguido de Hamilton, Hadjar, Norris, Leclerc, Lawson e Lindblad.

FOTO Mercedes Sam Bagnall-Sutton Images










