2026 pode ser um ano decisivo na carreira de George Russell. Numa temporada em que finalmente recebeu um carro capaz de lutar pelo título, tem sido afetado por azares, e esses infortúnios parecem já ter algum efeito num piloto que pode não ter o seu lugar na equipa 100% garantido para o próximo ano.
George Russell afirmou sentir que os problemas iniciais da Mercedes em 2026 têm afetado sobretudo o seu lado da garagem, numa fase em que Kimi Antonelli assumiu a liderança do campeonato após vitórias na China e no Japão.
O piloto britânico começou a época com um triunfo no Grande Prémio da Austrália, mas viu o seu companheiro de equipa, Kimi Antonelli, responder com vitórias consecutivas na China e no Japão, passando a liderar o campeonato com nove pontos de vantagem antes da pausa de cinco semanas que antecede o Grande Prémio de Miami.
Apesar de ser apontado como favorito ao título no arranque da temporada, devido à competitividade da Mercedes e à sua maior experiência, Russell enfrentou vários contratempos nas últimas provas. Na China, um problema técnico na qualificação limitou o seu desempenho, enquanto no Japão uma alteração de afinação revelou-se desajustada, condicionando a sua competitividade.
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Na corrida em Suzuka, a situação agravou-se com o momento do safety car, que beneficiou Antonelli ao permitir-lhe assumir a liderança após uma paragem nas boxes mais “barata”, perdendo menos tempo. Russell viu ainda a sua prova comprometida por dificuldades no recomeço, incluindo problemas no carregamento da bateria, que o deixaram vulnerável às ultrapassagens de Lewis Hamilton e, posteriormente, de Charles Leclerc.
O britânico terminou a corrida no quarto lugar, sem conseguir recuperar posições nas fases finais, enquanto Antonelli conquistou a vitória e reforçou o seu momento positivo.
George Russell afirmou à Sky Sports:
“Não me sinto muito sortudo. São corridas. Ao longo de um ano, às vezes as coisas correm a nosso favor, outras vezes contra. É frustrante ter falhado o pódio porque, no reinício após o safety car, não consegui carregar a bateria, por isso fomos ultrapassados pelo Lewis [Hamilton]. E depois outro problema com o Charles [Leclerc], com a bateria.
Ainda é tudo muito complicado, ainda estamos numa fase muito inicial, e é preciso cometer estes erros para aprender. Mas parece que, neste momento, todos os problemas estão a acontecer do meu lado, e isso é bastante frustrante, para ser honesto.”
Frustração justificada
A frustração de George Russell é justificada, e os azares que apontou não são desculpas, mas sim factos admitidos pela equipa. Esse desagrado já algo vincado ao cabo de três corridas pode, contudo, revelar um desconforto mais profundo.
A curva de aprendizagem deste ano vai ser muito acentuada e ninguém ficará surpreendido se o equilíbrio de forças se alterar a meio da temporada. A McLaren provou em Suzuka que é possível estar perto dos Mercedes e uma atualização acertada pode ser decisiva. Russell sabe que tem de aproveitar ao máximo esta fase em que a Mercedes tem clara vantagem.

Verstappen à espreita?
Além disso, o britânico sabe que Toto Wolff “namorou” Max Verstappen em 2025, antes de lhe propor a renovação de contrato, e que a relação entre Wolff e o clã Verstappen, antes muito crispada, é agora pacífica e até cordial. Wolff (e qualquer diretor de equipa) sabe que, com Verstappen, estaria mais próximo do sucesso. Russell fez um trabalho irrepreensível na Mercedes, especialmente após a saída de Lewis Hamilton, mas Verstappen… é Verstappen.
Russell estará ciente de que, se não tiver uma boa primeira metade de época, as dúvidas em torno do seu lugar podem voltar a pairar. Kimi Antonelli é uma aposta pessoal de Toto Wolff, pensada a médio prazo. Se o sucesso chegar mais cedo, tanto melhor, mas a postura e o discurso de Wolff evidenciam cautelas e uma vontade firme de não queimar etapas com o jovem italiano.
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Assim, a pressão dos resultados imediatos recai sobre Russell, que já demonstrou ter capacidade para ser bem-sucedido. Em condições normais, Russell é o principal favorito ao título nesta fase. Mas, como vimos no ano passado com o caso de Oscar Piastri, um ano em F1 é muito longo. Se Russell não atingir os resultados que a equipa anseia, poderá voltar a ver o “fantasma Verstappen” a pairar sobre si, numa altura em que a relação Verstappen/Wolff/Mercedes é positiva.
Wolff nega interesse
A posição oficial de Wolff é clara neste momento. Verstappen não está nos planos da Mercedes:
“Alguém disse que as discussões sobre o Max acabariam por voltar à mesa”, disse Wolff, citado pela ESPN, antes do GP do Japão. “Mas não, não existem quaisquer discussões sobre o Max. Não poderia estar mais feliz com os dois pilotos que temos. O posicionamento de ambos, com a diferença de idades e a forma como se alinha bem com a nossa estratégia, significa que não há quaisquer discussões. A questão do Max para a Mercedes, por agora, não está em cima da mesa. A situação é completamente transparente. Temos contratos claros com ambos os pilotos.”
Mas, se o cenário competitivo na Red Bull não mudar e Verstappen bater à porta da Mercedes, será Wolff capaz de dizer que não? Tudo isto pode pesar e Russell terá noção disso. Claro que este cenário faz apenas sentido se Verstappen quiser ficar na F1 e não se desencantar definitivamente. Depende das mudanças que a FIA e a F1 queiram implementar a curto e médio prazo.
Esta pausa pode ser produtiva para Russell. O britânico está ainda muito longe de ativar o modo de crise, pois apenas dista nove pontos da liderança do campeonato. Mas, se o azar insistir em permanecer na box do carro #63, a questão mental pode começar a pesar.










