Dupla de Mafra supera contratempos na estreia e reforça ambição para o CPR 2RM
João Rodrigues e Bruno Carvalho assinaram uma estreia prometedora com o Peugeot 208 Rally4 no Rally Serra da Cabreira, ao terminarem na segunda posição entre os concorrentes de duas rodas motrizes, depois de um fim de semana marcado por adaptação forçada, um braço de suspensão que cedeu ao ‘massacre’ do terreno e recuperação em prova.
A dupla, que surgiu de surpresa com a nova viatura após um ano ao volante do Renault Clio Rally5, confirmou assim a mudança de projeto e deixou sinais claros de que se prepara para atacar a frente do Campeonato de Portugal de Ralis nas 2RM, e os troféus Peugeot, Rally Cup Portugal e Ibérico.
A presença da equipa de Mafra na Cabreira assinalou uma viragem relevante no percurso recente do piloto, vencedor do Clio Trophy Portugal, que passa agora a competir com um Peugeot 208 Rally4, modelo que será, a partir desta prova, a sua nova “montada”. A escolha surge como parte de uma preparação assumida para um programa mais ambicioso nas duas rodas motrizes, do CPR e dos troféus Peugeot.
Estreia sem testes exigiu resposta imediata
O arranque do fim de semana esteve longe de ser ideal. Sem possibilidade de testar o carro na quinta-feira devido a questões relacionadas com licenças, João Rodrigues entrou no rali sem qualquer quilómetro prévio em terra, cenário que obrigou a uma abordagem prudente nas primeiras especiais. Segundo o próprio balanço da equipa, o primeiro troço foi de cautela e adaptação, enquanto no segundo já surgiram melhores sensações e maior entrosamento com o Peugeot.
No sábado, a progressão tornou-se mais visível. A dupla começou o dia com uma vitória numa especial entre as duas rodas motrizes e, no troço seguinte, conseguiu o segundo melhor registo da categoria, resultado particularmente expressivo tendo em conta que era a primeira experiência com este carro em pisos de terra e o regresso do piloto a esta superfície duas décadas depois, de acordo com o relato da equipa.
Incidente travou luta pela frente
A parte da tarde trouxe, no entanto, um revés decisivo. Uma pedra nos regos danificou um braço da suspensão no quinto troço, obrigando a equipa a mudar de objetivo em plena prova. A partir daí, a prioridade passou a ser gerir o andamento, preservar o carro e assegurar a chegada ao fim, sem comprometer um resultado já competitivo.
Essa gestão permitiu consolidar o segundo lugar nas 2RM, num rali em que os vencedores da categoria foram Hélder Miranda e Diana Rodrigues, em Peugeot 208 Rally4. Ainda que o triunfo tenha escapado, o desfecho foi encarado como um sinal encorajador numa fase de transição técnica e desportiva.
Mudança de ciclo ganha força
No rescaldo da prova, a mensagem da equipa foi de superação e confiança renovada. “Mais do que uma classificação, este resultado representa evolução, entrega e resiliência”, sintetizou João Rodrigues, num balanço em que destacou o foco, a capacidade de adaptação e a motivação reforçada para as próximas provas.
A estreia do Peugeot 208 Rally4 não trouxe apenas um novo carro ao projeto de João Rodrigues e Bruno Carvalho. Trouxe também a confirmação de que, mesmo sem testes, com contratempos mecânicos e num contexto de aprendizagem acelerada, a dupla conseguiu transformar adversidade em resultado — e entrar no novo ciclo competitivo com um pódio que vale como declaração de intenções.










