Carlos Sainz voltou a manifestar reservas em relação às novas regras técnicas da Fórmula 1, afirmando que a modalidade está a tentar “vender algo que todos sabem não estar certo”. O piloto da Williams criticou particularmente a forma como as novas unidades de potência afetam o comportamento dos carros e sugeriu que a própria Fórmula 1 tenta suavizar visualmente alguns desses efeitos nas transmissões televisivas.
As novas regulamentações introduzidas em 2026 continuam a dividir opiniões entre pilotos e adeptos. Entre os críticos mais vocais estão Carlos Sainz, Max Verstappen e Lando Norris, sobretudo devido à forte dependência da componente elétrica nas unidades motrizes.
Superclipping é o nome mais odiado
Uma das principais críticas prende-se com o fenómeno conhecido como superclipping, que ocorre quando a energia da bateria se esgota e o motor perde potência em determinados sectores do circuito. Esta situação pode provocar quedas súbitas de velocidade em plena reta, alterando significativamente a dinâmica da corrida.
Durante o fim-de-semana do Grande Prémio da China surgiram nas redes sociais imagens que alegadamente mostrariam alterações nos gráficos da transmissão oficial da Fórmula 1, supostamente com o objetivo de disfarçar essas perdas de velocidade. Para Sainz, este episódio demonstra que até a própria organização reconhece que o atual formato não é ideal.
O espanhol considera que, em circuitos como Xangai, o impacto das novas regras é menos evidente devido à maior disponibilidade de energia e à possibilidade de regeneração ao longo da volta. Contudo, acredita que pistas como Melbourne, Monza ou Spa expõem mais claramente as limitações do atual conceito técnico.
Sainz também comentou os problemas de fiabilidade que afetaram várias equipas na corrida chinesa, onde quatro carros — incluindo ambos os McLaren, o Williams de Alex Albon e o Audi de Gabriel Bortoleto — não conseguiram iniciar a prova. Para o piloto da Williams, a complexidade extrema das novas unidades motrizes torna mais difícil garantir fiabilidade.
“Tenho na cabeça como deveria ser a Fórmula 1 ideal e isto está muito longe”
Apesar das críticas, o espanhol reconhece que a fase inicial de um novo ciclo regulamentar pode exigir ajustes e melhorias ao longo da temporada.
“Num circuito como a China não é tão mau, porque temos muita energia disponível e muitas zonas de recuperação. Os motores comportam-se de forma muito diferente em relação ao ano passado, mas não tão diferente como aconteceu em Melbourne”, afirmou o piloto da Williams no domingo, em Xangai. “Em pistas como Melbourne, Monza ou Spa acho que é algo que precisa claramente de ser repensado.”
Sainz foi ainda mais crítico ao abordar a forma como a Fórmula 1 tem apresentado a nova era técnica:
“Tenho a certeza de que isto não é a Fórmula 1 que eu gostaria de ver. E também estou bastante certo de que as pessoas que estão no topo sabem disso. Quando vemos o que estão a fazer com os gráficos e tudo isso, parece que estão a tentar vender algo que todos sabemos não ser a fórmula certa.”
Ainda assim, o piloto espanhol espera que a evolução técnica ajude a melhorar a situação:
“Espero realmente que haja mudanças em breve, porque não é a melhor fórmula. Mas também é normal que nem tudo esteja perfeito no início de uma nova era e que depois se façam ajustes para melhorar. Não é certamente uma boa imagem para a Fórmula 1.”
O espanhol apontou a complexidade das atuais unidades motrizes como um dos fatores que dificultam a fiabilidade:
“O facto de dois McLaren, um Williams e um Audi não terem conseguido arrancar mostra como tornámos a nossa vida complicada ao criar motores extremamente complexos, com software e baterias muito sofisticados.”
Por fim, Sainz reforçou que a atual Fórmula 1 está longe daquilo que considera o ideal:
“Tenho na cabeça como deveria ser a Fórmula 1 ideal e isto está muito longe disso. Ainda assim, espero que o desenvolvimento e os ajustes ao regulamento possam melhorar as coisas no futuro.”
Foto : MPSA









