WRC, Rali Safari/PEC7: Ogier passou Evans, e já ‘mira’ Solberg
A segunda passagem por Kedong transformou‑se numa roleta de pedras em que Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) voltou a ganhar terreno na luta pelo segundo lugar, Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) viu o seu rali virar‑se do avesso com um duplo furo, Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) perdeu tempo significativo e com isso o segundo lugar para Ogier, e quem aproveitou foi Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1), que reforçou uma liderança construída, cada vez mais, à base de gestão e sangue‑frio. Contudo, Ogier está em ‘maximum attack’, num tudo ou nada no Quénia…
Finda a segunda passagem por Kedong, Solberg aceitou perder alguns segundos desde que evitasse furos; Ogier aproveitava a dureza do troço para ascender à vice‑liderança, mesmo sem gostar da especial; Katsuta pagava o preço máximo de um Safari que nunca perdoa pequenos toques; e Hyundai e M‑Sport, depois de um início de rali atribulado, começavam a encontrar ritmo e confiança no piso seco.
Filme da especial
A tarde arrancou quente e seca, sem sinal de chuva e com todas as equipas Rally1 a voltarem a apostar no novo pneu Hankook macio, o Dynapro R213W. Após as reparações de serviço – onde a M‑Sport chegou a trocar radiador e intercooler no Puma de Josh McErlean para debelar os problemas de sobreaquecimento – o pelotão regressou a Kedong para a PEC 7, a primeira de quatro especiais do troço vespertino.
Elfyn Evans abriu a estrada e sentiu logo a dureza da repetição. O tempo, 6m34,7s, foi ligeiramente pior do que de manhã, e o galês limitou‑se a resumir: “Está bastante duro.” Kedong, seca e ainda mais cheia de pedras soltas, oferecia agora menos margem ao erro e mais probabilidade de furos. Oliver Solberg, que partia em modo gestão, respondeu com um 6m32,3s, 2,5 segundos mais rápido do que Evans. “Estava muito escorregadio no início e tentei ser cuidadoso”, explicou o líder do rali. “Estava mais limpo para o fim. Os que vêm atrás têm muita experiência com este carro e nestas condições, e é a primeira vez para mim, por isso estou a tentar gerir. Se a vantagem diminuir, diminui, só podes fazer o teu melhor e quero jogar pelo seguro, para ser honesto.”
Atrás, Katsuta começava a especial em grande ataque, 2,5 segundos mais rápido no primeiro parcial, mas com um aviso inquietante no painel: alarme de pressão no pneu dianteiro direito. Poucos quilómetros depois, o drama consumava‑se. O japonês chegava ao fim muito mais lento, com 7m32,7s no cronómetro, e a Toyota confirmava um duplo furo nos dois pneus da frente. “Do lado esquerdo não faço ideia, do direito talvez um pequeno impacto, mas não acho que fosse suficiente para furar”, desabafou. “Sabíamos que isto podia acontecer neste rali. Está tudo bem.” Sem rodas sobressalentes, seria obrigado a gerir com extremo cuidado até à assistência, vendo a luta pelo pódio escapar‑lhe com cerca de um minuto perdido.
Enquanto isso, a Hyundai aproveitava a seca para mostrar serviço. Adrien Fourmaux assinava um 6m26,0s e passava para o topo da tabela. “A sensação é boa”, dizia. “Estou a ganhar mais confiança no carro e estou a divertir‑me quando está seco. Fiz um bom troço e ainda podia ter feito mais nalguns sítios.” Thierry Neuville ficava a apenas quatro décimas do colega, com 6m26,4s. O belga admitia que a especial estava “muito destruída”, mas que já havia sulcos utilizáveis: “Há linhas em que consegues manter o carro e aumentar a aderência e a condução. Conduzir por cima da estrada ainda é onde temos dificuldades.” Teve de desviar‑se de várias pedras grandes e, numa delas, pensou ter furado: “Felizmente não.”
Foi então a vez de Ogier transformar Kedong numa oportunidade. Com Katsuta atrasado, o francês atacou o suficiente para fazer 6m24,4s (1,6s melhor do que Fourmaux) e subir a segundo da geral, 0,9 segundos à frente de Evans. No fim, porém, o oito vezes campeão mundial confessou pouca afinidade com o troço. “Odeio esta especial”, atirou. “Para ser honesto, estás a rezar para que o pneu sobreviva. Nada divertida.” A frase resumia o dilema de Kedong: para ganhar tempo é preciso atacar, mas cada metro a fundo aumenta o risco de uma pedra cortar o rali pela raiz.
Sami Pajari, informado do duplo furo de Katsuta ainda antes de entrar, optou por um equilíbrio calculado. O finlandês completou e subiu a quarto da geral, ultrapassando o japonês na classificação. “Recebi alguma informação sobre o furo mesmo antes da partida”, contou. “Acho mesmo que não faz grande diferença se atacas ou tentas aliviar um pouco, a velocidade é tão alta quando acertas nas pedras. Tentei ser um pouco esperto.” O comentário espelhava a sensação geral: em Kedong, muitas vezes, a inteligência de saber onde não atacar vale mais do que o último décimo.
Na Hyundai, Esapekka Lappi surgia com um tempo idêntico ao de Fourmaux, 6m26,0s, apenas 1,6 segundos mais lento do que Ogier. O finlandês confirmou que a equipa aproveitara a assistência para mexer na suspensão e na transmissão. “São cruzamentos e retas, aqui não é tanto sobre o comportamento do carro”, explicou. “Vamos ver mais tarde se está melhor ou não. Acredito que demos um pequeno passo em frente.” Para uma marca que começou o rali com radiadores entupidos e motores a ferver, qualquer sinal de consistência em seco era bem‑vindo.
Nos Puma da M‑Sport, a tarde dividiu‑se entre progressos e novos alarmes. Jon Armstrong continuou a construir experiência africana com um 6m31,2s, sexto melhor tempo, a 6,8 segundos de Ogier. “É bastante diferente em termos de dureza”, descreveu. “Muitas pedras, não há muito que possamos fazer em relação a isso. Tentámos não bater nessas pedras. Estamos a aprender a cada quilómetro e estamos contentes com o que estamos a fazer.” Já McErlean voltava a ver um alerta no painel, desta vez de pressão no pneu dianteiro esquerdo, pouco depois de a equipa ter trocado radiador e intercooler em serviço. Ainda assim, conseguiu completar o troço, tentando equilibrar o ritmo com a necessidade de preservar um carro que já dera sinais de fragilidade.

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