Há 20 anos, em 2006, escrevíamos sobre um campeão nacional em suspenso. Hoje, ao relermos esse texto sobre Armindo Araújo, é impossível não traçar o paralelo com o presente: então, como agora, pairava a dúvida sobre a continuidade no Campeonato de Portugal de Ralis, nessa altura, apesar de um título acabado de conquistar.
Nesse momento, registamos que a dupla, recém-coroada campeã absoluta com a Mitsubishi oficial, arriscava não defender o ceptro. O problema nascia do redirecionamento do investimento de dois parceiros-chave para uma nova estrutura privada, deixando em causa não só a presença completa no Nacional como o plano internacional que Armindo acalentava há anos. Citavámos Paulo Cabrita, à frente da MMP, a garantir apenas a presença no Casino da Póvoa Rali – e a ambição declarada de o vencer – mas sem um programa fechado para o resto da época, num ambiente de claro desconforto dentro de uma equipa campeã.
Também então sublinhávamos a forma como Armindo não fugia ao tema: assumia que “as coisas não estavam famosas”, que chegaria à primeira prova sem qualquer teste e sem certezas de defender o título até ao fim, mas deixava uma promessa clara de atitude – partir para ganhar, como no ano anterior.
Visto de 2026, sabemos o desfecho: Armindo continuou, encontrou soluções e acabou por se afirmar como figura central dos ralis portugueses, com mais campeonatos a validar esse caminho. E também presença internacional com a Mitsubishi, por sinal bem produtiva com dois títulos mundiais de Produção.
É justamente aqui que o olhar do jornalista de há duas décadas ganha relevância. Ao revisitarmos esse texto, percebemos melhor o padrão: um campeão em dúvida, um projeto por fechar, uma vontade competitiva que acaba por falar mais alto.
Hoje, quando se volta a discutir se Armindo terá um programa completo em 2026, aquela crónica de há 20 anos torna-se um excelente pretexto para recordar como, da incerteza, pode nascer mais um capítulo vitorioso. É quase certo que Armindo Araújo vai estar no CPR em 2026, e tal como há 20 anos, talvez com sucesso. O passado, por vezes, é um mapa desdobrado, cujas linhas revelam os caminhos cujos roteiros podem traçar o amanhã…











