Lewis Hamilton tem enfrentado um período difícil de adaptação à Ferrari, sem conseguir mostrar o desempenho que certamente desejava nesta fase. O piloto britânico tem revelado dificuldades em lidar com os monolugares pensados para aproveitar o efeito solo. Toto Wolff, chefe da equipa Mercedes, sugeriu que foi vantajoso para Lewis Hamilton ter enfrentado as dificuldades com a atual geração de carros de Fórmula 1 na Mercedes, onde se sentia à vontade para se expressar, em vez de o fazer diretamente na Ferrari.
Hamilton, que não tem tido o mesmo sucesso desde as mudanças de regulamentos em 2022, foi superado por George Russell em duas das últimas três temporadas e, agora, por Charles Leclerc na Ferrari. Wolff afirma que as dificuldades de Hamilton na sua temporada de estreia na Ferrari são semelhantes às que teve na Mercedes, e que a relação de longa data na sua equipa anterior permitia que as emoções fossem geridas de forma mais fácil.
“Ele também passou por essas emoções connosco”, disse Wolff citado pelo Motorsport Week. “Acho que ele também teve momentos difíceis, em que sentiu que a estratégia estava contra ele. Começas a entender melhor uma pessoa, como ela funciona, e então, com ele… Eu conheço-o tão bem que sei como isso funciona. E, às vezes, eu só precisava abraçá-lo imediatamente ou dar-lhe meia hora para desabafar e, então, as coisas voltavam ao normal, de certa forma.”

“Quando estás na tua família, podes gritar e berrar e todos vão saber porquê”, destacou Wolff. “Quando estás num ambiente novo, não conheces tão bem os outros, mas ainda assim queres gritar e berrar. Portanto, a dinâmica é simplesmente desconhecida – não que seja melhor ou pior, é apenas desconhecida e isso certamente torna as coisas menos fáceis.”
“As razões que ele tinha para ir para a Ferrari continuam válidas”
Apesar das dificuldades, Wolff defende que as razões de Hamilton para se mudar para a Ferrari continuam válidas, incluindo a necessidade de uma mudança de ambiente e o facto de a Ferrari parecer mais competitiva.
“Todas as razões que ele tinha para ir para a Ferrari continuam válidas hoje», admitiu o austríaco. “Ele precisava de uma mudança de ambiente, e nós precisávamos de uma mudança de ambiente. Não éramos tão competitivos quanto gostaríamos. A Ferrari parecia melhor. Todos os pilotos querem correr pela Ferrari. Ele gosta do vermelho, de qualquer forma. O acordo que estava em cima da mesa era muito bom. Essas razões continuam válidas até hoje. Agora, ele compete contra um dos melhores pilotos, também um dos mais jovens, que está na equipa há muito tempo, com um carro que é totalmente diferente do nosso.”

Wolff também rejeita a ideia de que as dificuldades de Hamilton sejam resultado de uma regressão relacionada com a idade, e acredita que o piloto britânico pode voltar ao seu melhor desempenho com um carro que lhe dê mais confiança.
“Não se perde a capacidade subitamente», afirmou. “Um piloto ou um desportista pode compensar um declínio no desempenho em algumas áreas com um desempenho superior noutras. Digamos que a sua experiência pode compensar uma velocidade talvez menor numa única volta. Tenho visto [Fernando] Alonso, ele sempre conseguiu compensar. Portanto, acredito que Lewis, com um carro que lhe dá confiança, ainda pode ser muito bom.”












