Em 2003, um jovem norueguês de nome Petter Solberg subia ao topo do mundo dos ralis. Com o Subaru Impreza azul que se tornaria lendário, Petter conquistava o Campeonato do Mundo de Ralis, quebrando a hegemonia da geração dourada de McRae, Makinen, Burns e Grönholm e tornando-se um ídolo improvável, conhecido tanto pela velocidade como pela paixão e pelo sorriso constante. Para a Noruega, foi um feito histórico: nunca antes um piloto do país tinha sido campeão do mundo na disciplina.
Vinte e dois anos mais tarde, a história ganha um novo capítulo — com o apelido Solberg novamente inscrito nos livros. Oliver Solberg, filho de Petter, sagrou-se campeão do WRC2, a categoria de acesso ao topo do Mundial. Tal como o pai, também Oliver cresceu no universo dos ralis, envolvido no cheiro a gasolina, no barulho dos motores e no ambiente familiar de uma equipa. Desde pequeno, todos viam que trazia no sangue a mesma chama da velocidade.
O paralelismo entre pai e filho é inevitável. Petter foi um campeão numa era em que os carros eram brutais, quase indomáveis, e onde apenas os mais corajosos conseguiam escrever o seu nome entre os “grandes”. Oliver, por sua vez, triunfa numa nova geração de ralis, mais tecnológica, mais globalizada, mas igualmente dura na exigência e na competição. Ambos, no entanto, partilham o mesmo traço: a capacidade de transformar pressão em espetáculo e emoção em vitória.
Para Petter, o título mundial de 2003 permanece como o maior orgulho da sua carreira — mas ver Oliver erguer agora o troféu do WRC2 é um sentimento ainda maior. É a confirmação de que a paixão se transmitiu de geração em geração, de que o “Solberg Spirit” continua vivo, adaptado ao tempo presente, e que a história que começou há duas décadas está longe de terminar, até porque Oliver Solberg já venceu uma prova do WRC, entre “os grandes” e deixou claro que é lá que pertence, e muito provavelmente irá para o ano.
Assim, a família Solberg entra para o restrito grupo de dinastias de ralis: o pai campeão do mundo absoluto, o filho a abrir o caminho rumo ao futuro, já com um título mundial no currículo. Em 2003, Petter mostrou ao mundo que tudo era possível. Em 2025, Oliver confirma que a chama não se apagou — apenas mudou de mãos.











