A temporada de 2025 da Fórmula 1 marcou uma nova era para a Mercedes. Com a saída de Lewis Hamilton, a equipa apresentou o jovem Andrea Kimi Antonelli ao lado de George Russell, mantendo a liderança de Toto Wolff e apostando no novo monolugar W16. Até agosto, a equipa soma 236 pontos e ocupa o 3º lugar no Campeonato de Construtores, mostrando sinais de evolução mas também limitações que impedem uma luta direta e constante pelas vitórias. No primeiro ano da era “pós-Hamilton” não se pode dizer que a equipa tenha ficado órfã do heptacampeão, tendo encontrado soluções que permitiram rapidamente esquecer o britânico. Mas continua sem encontrar o caminho do sucesso, que procura desde 2022.

W16 a sofrer do mal dos antecessores
O W16 revelou-se uma máquina competitiva em pistas de média e alta velocidade, com boa tração em travagens fortes e desempenho consistente em retas longas. No entanto, as dificuldades na gestão de pneus continuam a ser um calcanhar de Aquiles, além de inconsistências no equilibrio, refletindo problemas herdados de anos anteriores. Uma atualização da suspensão traseira chegou a comprometer a estabilidade, obrigando a equipa a recuar para uma versão anterior, o que evidenciou os desafios técnicos do projeto.
Apesar disso, a Mercedes voltou a vencer corridas, graças sobretudo a George Russell. A estratégia e as execuções das corridas tem sido pontos fortes, ajudando a maximizar os resultados mesmo em fins de semana complicados. Os Flechas de Prata sofreram de algum desnorte nesta última regulamentação técnica, sem nunca conseguir fazer um carro realmente eficiente para aproveitar o efeito solo. Desde o conceito “zeropod” ao regresso a uma filosofia mais convencional, a Mercedes nunca voltou a assumir-se como forte candidata e, neste ano, a não ser que o o W16 nascesse muito bem, não se esperava uma reviravolta. Outra fragilidade que se tem ultimamente revelado é a dificuldade em implementar certas atualizações que nem sempre resultam como esperado, como o caso da referida mudança da suspensão do eixo traseiro. A taxa de sucesso das atualizações tem sido menor do que nos idos tempos de domínio, também reflexo da menor capacidade do carro e da maior emergência em encontrar performance.

O Brilho de George Russell
Russell assumiu definitivamente o papel de líder de equipa. A vitória no Grande Prémio do Canadá foi o grande destaque da primeira metade da temporada, conquistada com uma mistura de velocidade e inteligência estratégica. Além disso, o britânico já soma vários pódios e resultados consistentes no top 5, sendo responsável pela maior fatia dos pontos da equipa.
Russell deu o salto qualitativo que a equipa precisava. Já em 2024 se tinha notado um Russell mais forte e capaz, sendo muitas vezes o piloto referência da equipa. Mas em 2025, o peso da responsabilidade fez-lhe bem e Russell ainda não cometeu um erro, mostrando à equipa que pode contar com ele para as lutas do presente e do futuro. Viu, algo injustamente, o seu lugar ser colocado em causa com o interesse da Mercedes em Max Verstappen, talvez o único piloto da atualidade com argumentos para lhe “roubar” o lugar. Mas com a certeza que o neerlandês fica na Red Bull, Russell tem via aberta para a merecida renovação e a Mercedes não fica a perder com a opção.

A Promessa de Andrea Kimi Antonelli
A estreia de Antonelli, de apenas 18 anos, foi um dos grandes pontos de interesse da temporada. O italiano surpreendeu com um pódio logo nas primeiras corridas, tornando-se um dos mais jovens da história da F1 a alcançar tal feito. Mas o feito mais espantoso, a par do pódio no Canadá, foi a sua primeira corrida. Em condições muito dificeis, Antonelli não cometeu erros e ficou perto do pódio. Recordar que na sua primeira aparição pública na F1, bateu (TL1 do GP da Itália) e o nervosismo do jovem piloto deveria ser elevado numa corrida dura até para pilotos experientes. Antonelli soube evitar os erros nas primeiras corridas e foi ganhando confiança, sem nunca arriscar em demasia. A equipa pregou-lhe uma partida com uma atualização que lhe tirou toda e qualquer confiança, deixando o jovem em apuros. O passo atrás dos engenheiros revelou-se positivo. Antonelli é um grande talento e vai dar que falar na F1. Mas nesta primeira metade, tem feito muitas coisas positivas, sem espantar, preferindo acumular quilómetros. Merece nota positiva para já.

Avaliação da Mercedes
A equipa de Brackley conseguiu recuperar competitividade e está claramente no top 3 do pelotão. O desenvolvimento técnico mantém-se estável, mas o foco declarado em 2026 limita as grandes evoluções imediatas. Ainda assim, a vitória no Canadá e a capacidade de colocar os dois carros regularmente entre os cinco primeiros provam que a Mercedes não deixou de ser uma força a ter em conta.
Com Russell a assumir na perfeição o papel de líder e Antonelli a ganhar experiência, a Mercedes olha para o futuro com otimismo. O presente é de estabilidade e pontos sólidos, mas o grande objetivo é preparar o terreno para o novo regulamento de 2026. Até lá, manter-se entre os três primeiros do campeonato e conquistar mais vitórias isoladas será o principal desafio.
Mercedes: Nota 7
George Russell: Nota 8
Kimi Antonelli – Nota 7










