À medida que a Fórmula 1 se prepara para a grande mudança regulamentar de 2026, Fernando Alonso adota uma postura de cautela, preferindo esperar para ver como os novos carros se comportam em pista, apesar das preocupações já levantadas em testes de simulador, incluindo pelo seu colega de equipa, Lance Stroll.
Os monolugares da próxima geração serão mais leves e ágeis, contarão com uma unidade híbrida 50-50, aerodinâmica ativa e pneus Pirelli ligeiramente mais estreitos. A FIA e a própria Fórmula 1 acreditam que estas alterações vão aproximar o pelotão, mas os primeiros comentários dos pilotos apontam dificuldades de desempenho e condução.
“Não serão tão emocionantes quanto são agora”
Stroll, crítico da crescente dependência elétrica da disciplina, testou no simulador da Aston Martin e ficou apreensivo com a forma como os carros se comportarão em circuitos de alta velocidade e tradição, como Spa ou Suzuka. O canadiano sublinhou que a perda de apoio aerodinâmico tornará a condução menos empolgante e mais instável do que atualmente.
“Para nós, pilotos, com certeza, acho que esses tipos de pistas, Spa, Suzuka, você sabe, alta velocidade, menos downforce, não serão tão emocionantes quanto são agora”, disse Stroll aos repórteres no mês passado. “Mas vai ser um golpe no downforce, e vamos derrapar mais do que agora.”
“Teremos menos desempenho do que este ano”
Alonso, que também experimentou o conceito de 2026 no simulador, reconheceu a redução de aderência, mas recusou-se a tirar conclusões definitivas. O bicampeão mundial lembrou que a experiência no simulador nem sempre corresponde à realidade e que prefere esperar para testar o carro em pista. Admitiu ainda que será inevitável notar uma quebra de performance face aos atuais carros de efeito solo, mas relativizou esse ponto, destacando que o prazer de competir vai muito além da velocidade pura.
“Só fiz um dia no simulador e foi difícil tirar conclusões disso”, explicou o bicampeão mundial, citado pela Motorsport Week. “Então, vou esperar um pouco mais, ou talvez até testar um carro real, porque às vezes no simulador você tem uma sensação e, depois, no carro real, você tem outra. Sim, tem menos desempenho do que este ano. Sempre que um piloto de corridas testa algo que é mais lento, [eles] nunca vão gostar [disso]”, admitiu. “Mas depois entramos num carro alugado, com 12 cavalos de potência, e adoramos [risos]. Quando estamos todos juntos e lutamos e ganhamos a corrida, é como se ganhássemos o campeonato.”
Neste momento, ainda é cedo para avaliar o impacto real das novas regras. Só quando os monolugares de 2026 entrarem em pista será possível perceber se a visão da FIA para corridas mais equilibradas e disputadas se concretizará.










