Alexandre Fonseca: De patrocinador a piloto – Uma visão do que pode ser o nosso motorsport

Por a 18 Junho 2025 12:34

O nome de Alexandre Fonseca dispensa apresentações no mundo empresarial português. Foi CEO da Altice Portugal, co-CEO do grupo Altice a nível global, e passou por gigantes como a IBM ou a PwC. Mas, nos últimos tempos, trocou os holofotes da gestão pela adrenalina da Porsche Sprint Challenge Ibérica, onde compete como piloto.

Em conversa com o AutoSport, Alexandre Fonseca falou da sua entrada para o mundo das corridas, comparou ao mundo dos negócios e deu alguns conselhos para melhorar o motorsport.

Das bancadas ao volante

O início da história acontece do mundo das empresas e… da bancada.

“Comecei como patrocinador e espetador. Mas sou um espetador assíduo. Sempre fui às pistas. Há muitas marcas que patrocinam, metem lá o logótipo… e depois nunca aparecem. Eu nunca fui assim e tenho a convicção que é preciso dar a cara e representar a nossa marca.”

O envolvimento de Fonseca com o desporto motorizado começou ainda antes da Porsche Sprint Challenge ser o que é hoje.

“Acompanhei o projeto desde o tempo do GT3 Cup com o José Monroy. Vi muitas corridas. E depois pensei: ‘Porque não experimentar?’ Fiz o curso no Autódromo Internacional do Algarve, ainda com o nosso saudoso Paulo Pinheiro. E pronto, foi aí que começou esta aventura.”

Em 2023, já com o bichinho bem instalado, decidiu dar o salto para a competição.

“No ano passado fiz três provas, até ser operado ao braço. Mas este ano estou de volta. E com um objetivo muito claro: divertir-me. Lutar contra o cronómetro, contra mim próprio. Isso é o que me move.”

O gestor que pensa como patrocinador

Apesar de estar hoje atrás do volante, Alexandre Fonseca traz consigo uma bagagem única: a de alguém que já esteve do outro lado, como patrocinador.

“Acho que há um potencial enorme no desporto motorizado português. Mas falta muitas vezes dar às marcas condições reais para ativarem o seu patrocínio. Não basta pôr o ‘logo num carro’. É preciso criar experiências.”

E é aí que entra a sua visão estratégica. Durante o último evento no Estoril, por exemplo, promoveu ativamente a presença de influenciadores, embaixadores e clientes da Falconeri, marca que ajudou a atrair para o campeonato.

“Fiz mais de 40, quase 50 voltas com convidados. Pessoas que saíam do carro a dizer: ‘Nunca mais me vou esquecer disto!’ Isso cria uma ligação verdadeira. Tenho clientes que participaram há dois ou três anos e que ainda hoje me ligam a perguntar quando é o próximo.”

“As marcas precisam de visibilidade, claro. Mas também precisam de emoção, experiência, ligação. E este ambiente oferece isso tudo — basta saber como aproveitar.”

“Não é só angariar. É ativar, dinamizar, rentabilizar.”

Com a autoridade de quem conhece bem o mundo corporativo, Fonseca deixa também uma mensagem clara às organizações desportivas.

“Angariar patrocinadores é difícil. Mas mais difícil ainda é convencê-los de que fizeram uma boa aposta. É preciso atrair as marcas, dar-lhes visibilidade, mas não só. Claro que as grandes marcas de retalho, precisam de números significativos. Mas há outras marcas que podem fazer crescer este meio sem necessidade de grandes números. É preciso fazer coisas acontecerem. Lançamentos, eventos, ativações. Levar os patrocinadores à pista, pô-los a sentir o cheiro da gasolina, a vibração da box. Mesmo quem não corre, fica atraído por este ambiente, ou passa a ter a vontade de correr.

A P21, por exemplo, fez um excelente trabalho com o evento de lançamento em Lisboa. Juntámos 150 convidados, figuras conhecidas, debates sobre temas relevantes. Criou-se ali um momento marcante. Eu conheço o Zé Monroy há alguns anos. Tenho muito respeito por ele. E sim, tenho ajudado na organização, feito contacto, dado ideias. Tenho interesse real em continuar a apoiar esta competição.

Mas acredito que há potencial para fazermos crescer o nosso desporto motorizado como um todo. Cabe às organizações destes eventos angariar os patrocinadores, mas também motivá-los, dar-lhes condições, dinamizar e desafiá-las.”

“Este ambiente é um privilégio. É para ser vivido e partilhado.”

Apesar do foco e da visão empresarial, Alexandre Fonseca não esconde a emoção que vive em pista, e salienta a emoção que é transmitida às outras pessoas.

“Isto é um escape. Um escape com adrenalina. Aqui divirto-me, aprendo com quem sabe mais, cresço como piloto e como pessoa. Estar num carro de competição, mesmo que seja só um co-drive, é uma experiência transformadora. As pessoas saem do carro diferentes. Tocadas. E isso tem um valor imenso — pessoal, mas também relacional e comercial.”

Com um sorriso fácil, mas discurso firme, Fonseca deixa claro que está aqui por paixão, mas também por convicção.

“Sim, quero divertir-me. Mas também quero ajudar a construir algo maior. Este campeonato tem tudo para crescer. E eu, dentro das minhas possibilidades, quero contribuir para isso.”

Empresário, piloto, e entusiasta. Alexandre Fonseca é a prova de que o desporto motorizado, quando bem ativado, pode ser muito mais do que corridas — pode ser emoção, ligação e negócio. Quando questionado ser era mais difícil fazer uma largada com um pelotão recheado de Porsches, ou uma reunião de acionistas, admitiu lidar com uma grelha cheia de Porsches era mais desafiante. Mas, com a sua visão mais global, reconheceu que há potencial para aproveitar um produto que diz muito a quem gosta e que conquista facilmente quem não conhece, pela adrenalina e pela emoção. Um potencial que deve ser aproveitado.

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