Entre os luxuosos iates e o glamour do GP do Mónaco e o início do GP de Espanha, Christian Horner, chefe da Red Bull, abordou os desafios que a sua equipa enfrenta atualmente. Desde o impacto subtil, mas significativo, das novas diretrizes técnicas da asa dianteira, às discussões sobre a dificuldade de ultrapassar no icónico circuito monegasco, Horner não foge a temas complexos, só não quis falar muito… de Yuki Tsunoda.
Podemos falar sobre o primeiro dia de treinos e o impacto da nova diretiva técnica na asa dianteira? Quais foram as reações dos pilotos? Como configuraram o carro?
Christian Horner: “Os pilotos fizeram os comentários habituais sobre subviragem e aderência frontal. A mudança é subtil, mas significativa. É difícil dizer se o efeito é o mesmo para todas as equipas. Estão a trabalhar no equilíbrio do carro. Está muito calor, o que pressiona os pneus, especialmente na configuração antiga do circuito. O pneu dianteiro esquerdo está a sofrer muito. Precisamos de mais do que uma sessão para avaliar o impacto e como afeta os diferentes carros.”
Os engenheiros estão com mais dificuldades? O carro está mais difícil de equilibrar com esta mudança?
“É difícil dizer. Pelos comentários dos pilotos, não pareceu muito diferente de uma sexta-feira normal. É diferente e há muito para entender. As corridas longas serão um fator importante. Ainda é cedo, mas o efeito para nós tem sido pequeno.”
Há rumores de que a Ferrari o contactou para ser Director de Equipa. Confirma? Até onde foram as conversas? Consideraria essa possibilidade?
“É lisonjeiro ser associado a outras equipas, mas o meu compromisso é 100% com a Red Bull, a longo prazo. Há especulações, mas as pessoas na equipa sabem a situação. O meu italiano é pior que o inglês do Flavio, como é que isso funcionaria?”
O segundo lugar ao lado do Max tem sido problemático. O Yuki tem a sua oportunidade, mas o contrato termina no final da época. Qual a sua impressão sobre Isack Hadjar? Ele é uma possibilidade para o final desta época ou para 2026?
“Não quero responder. É cedo para o Yuki. Ele está a adaptar-se. Esteve na Q3, marcou pontos, até a partir da via das boxes. Teve incidentes, por isso tem um longo caminho a percorrer. Decidiremos com tempo…”
O que pode fazer uma equipa fazer para dar mais confiança ao Yuki?
“Dar-lhe tempo e apoio, e encontrar uma afinação em que ele confie. Conduzir estes carros exige confiança. Ele precisa de encontrar isso. Acredito que ele vai conseguir. Ele é rápido, só precisa de juntar as peças. Vemos flashes de desempenho, precisamos de o ver a juntar tudo. Ele é capaz.”
O Max disse que não se sente numa luta pelo título. Concorda com essa visão pessimista ou acha que a disputa entre os pilotos da McLaren dá ao Max uma vantagem?
“Precisamos de nos manter em contacto e tirar pontos aos nossos adversários. Imola foi forte para nós, o Mónaco não. (ndr, conversa foi antes de Barcelona) Eles são a equipa a bater, com dois pilotos fortes e um carro competitivo. Precisamos de melhorar o desempenho do carro durante o verão para nos mantermos perto deles antes da pausa e criar dinâmica.”
Ainda o Mónaco, acha que valeu a pena fazer duas paragens nas boxes?
“O Mónaco é o Mónaco. A paragem dupla valeu a pena. No ano anterior, houve uma bandeira vermelha na primeira volta e nada aconteceu. Este ano, tivemos uma corrida de duas metades. Quem estava no final do top 10 tentou atrasar os outros para fazer uma paragem nas boxes. Era arriscado, mas não resolveu o problema. Precisamos de mudar algo significativamente. Talvez a chicane, ou mais espaço na Rascasse. Tem de haver a esperança de uma ultrapassagem. O Max sugeriu atirar bananas como no Super Mario Kart. Os pilotos não se esforçam, a corrida é decidida no sábado. O Mónaco é um evento brilhante, mas precisamos de acompanhar os tempos e encontrar formas de ultrapassar.”
Ainda sobre as correções para o Mónaco, até que ponto devemos forçar as mudanças para melhorar a corrida, sem torná-las artificiais? Ou aceitamos que será uma exibição?
“Nunca devemos desistir. O Mónaco investiu muito e é um dos pináculos do calendário. É a corrida mais famosa. Não devemos aceitar que não se pode ultrapassar. Há paixão e interesse suficientes para encontrar soluções. Precisamos de continuar a progredir e a evoluir, em todos os circuitos, incluindo o Mónaco. Até os carros de Fórmula 3 são grandes demais agora.”
O comportamento antidesportivo deve ser punido, como vimos no Mónaco?
“Há uma grande diferença entre comportamento antidesportivo e seguir as regras. O que fizeram é permitido. A Fórmula 1 é um desporto de equipa. Os pilotos conduzem para a equipa. Se receberem instruções para conduzir devagar para ajudar outro carro a marcar pontos, fazem-no. Não houve nada de injusto, nada violou os regulamentos. Era o que se pretendia? Não. Mas é uma consequência. Se introduzirmos algo mais, as equipas encontrarão sempre uma forma de o maximizar. Foi o que aconteceu.”
FOTO MPSA/Phillippe Nanchino









