O Rali Safari da África do Sul, uma estreia no Mundial de Todo-o-Terreno (TT), arrancou hoje com a participação de quatro equipas portuguesas.
A prova, que marca a primeira incursão do Campeonato Mundial de Rally-Raid (W2RC) na savana africana, estende-se por um total de 2.641 km, dos quais 1.222 km são cronometrados. Noventa e cinco veículos iniciaram a competição, incluindo 70 inscritos no W2RC: 17 na categoria Ultimate, 7 na Challenger e 5 na SSV.
Um destaque são as “barras de proteção”, proteções obrigatórias contra ramos, visíveis nos carros T1+ da Toyota Gazoo Racing South Africa. A vegetação densa e os sulcos estreitos do terreno aumentam a dificuldade, tornando a navegação e a resistência mais importantes do que a velocidade.
Apesar da vantagem geográfica, os pilotos sul-africanos enfrentam um desafio inédito: um rali com cinco etapas, incluindo uma maratona na quarta-feira, o que difere dos sprints curtos do campeonato nacional (SARRC), que ainda não começou devido ao mau tempo.
As quatro equipas portuguesas em prova são:
João Ferreira-Filipe Palmeiro (Mini JCW Rally 3.0d T1+/X-Raid) – Ultimate
Alexandre Pinto-Bernardo Oliveira (BRP Can-Am Maverick XRS Turbo RR/Old Friends Rally Team) – SSV T4
Enrico Gaspari-Fausto Mota (BRP Can-Am Maverick XRS Turbo RR) – SSV T4
Mário Franco-João Miranda (BRP Can-Am Maverick R/Francosport) – SSV T4
José Nogueira/Arcélio Couto (BRP Can-Am Maverick XRS Turbo RR/Old Friends Rally Team) – SSV T4
As declarações dos principais protagonistas:
Henk Lategan (Toyota Gazoo Racing), feliz por regressar à competição após o Dakar, destacou o prazer de voltar ao volante. Apesar de conhecer o terreno, acredita que a estratégia será mais importante do que a experiência local, mostrando-se confiante no carro e no seu estado mental.
Lucas Moraes (Toyota Gazoo Racing), estreante na África do Sul, considera a mudança de terreno um desafio positivo, prevendo uma prova difícil com pistas estreitas e técnicas, semelhantes às do Brasil, onde será fácil cometer erros. Espera ganhar experiência com esta participação.
Sébastien Loeb (Dacia Sandriders), também a competir pela primeira vez no país, considera as pistas rápidas e estreitas, com cruzamentos perigosos, exigindo grande atenção à navegação. Apesar de esperar um traçado mais fluido, encara o rali como uma oportunidade para se adaptar ao terreno.
Nasser Al Attiyah (Dacia Sandriders), líder do campeonato, acredita que os primeiros dias serão cruciais para entender o terreno. Focado nos pontos, mas com ambição de vencer, destaca a importância de se posicionar bem antes das etapas finais.
Carlos Sainz (Ford M-Sport) encara a prova com cautela, assumindo que ainda se está a adaptar. Sem experiência prévia na África do Sul, reconhece a imprevisibilidade típica dos ralis-raide.
Mathieu Serradori (Century Racing SRT), com experiência prévia na SARRC, elogia a diversidade do terreno, que alterna entre zonas rápidas e áreas técnicas. Alerta para a competitividade dos pilotos locais e valoriza o apoio do seu colega de equipa, Brian Baragwanath.
Puck Klaassen (GRally Team), único piloto local na classe Challenger, já participou em provas nacionais e destaca a dificuldade e variedade dos terrenos. Acredita que os veículos Challenger podem ter vantagem nas zonas mais técnicas e está motivado por competir perante a família.
Alexandre Pinto (Old Friends Rally Team), líder da classificação SSV, afirma: “O campeonato é a prioridade. A nossa margem de pontos ainda não é suficientemente grande para controlar os nossos rivais, mas a próxima ronda depois desta será em casa, em Portugal. Se há uma corrida em que podemos aumentar a nossa vantagem, não creio que seja aqui.”












