O Rali Dakar 2025 está prestes a começar, evento que promete 14 dias de pura adrenalina e resistência no deserto da Arábia Saudita. Daniel Sanders, Luciano Benavides e Lucas Moraes, três dos maiores nomes do todo-o-terreno, estão prontos para enfrentar o desafio mais extremo do desporto motorizado. Mas como eles preparam corpo e mente para essa prova de fogo?
Desde 1978, quando começou com a icónica travessia de Paris a Dakar, no Senegal, o Dakar tornou-se sinónimo de aventura, superação e desafios brutais. Atualmente, na sua sexta edição na Arábia Saudita, os competidores percorrerão cerca de 8000 km, divididos em 12 etapas cronometradas, de 3 a 17 de janeiro. As dunas monumentais prometem não perdoar nenhum erro, exigindo força física, mental e uma capacidade de adaptação fora do comum.

Rotinas invulgares para desafios extremos
Os dias no Dakar são extenuantes, com os pilotos a enfrentar até seis horas de terreno desconhecido, sujeitos a desidratação, dores constantes e uma pressão mental esmagadora. Para lidar com isso, cada atleta tem os seus truques.
Daniel Sanders, vencedor do Rallye du Maroc 2024, encontrou uma abordagem única para aliviar a tensão: “Eu faço uma rave cave de manhã. Ligo a música, salto em volta da caravana e tento elevar o ânimo de toda a equipa. Isso ajuda-me a relaxar e entrar no ritmo da corrida.”
Lucas Moraes, o brasileiro que se destaca na categoria Ultimate, prioriza a saúde física e mental. Após sofrer de enjoos no seu primeiro Dakar, ele passou a incorporar exercícios específicos e medicamentos para prevenir o problema. “Sei que vai ser duro, então preparo-me para minimizar os impactos e focar-me na corrida”, explicou.
Para Luciano Benavides, vencedor de três etapas no Dakar 2023, o segredo está em trabalhar a resistência mental. “Eu consulto um psicólogo para descarregar as frustrações, os medos e também as vitórias de cada etapa. Isso ajuda-me a recentrar a foco no próximo desafio e manter a clareza mental”, afirmou o argentino.
Família como combustível emocional
Enquanto lutam contra o deserto, a distância dos entes queridos pesa. Moraes admitiu: “A parte mais difícil é ficar longe da família. A minha filha sempre me pede um troféu, e tento mostrar que, como pai e atleta, é possível perseguir sonhos.”
Resistência física: o pilar do sucesso
No Dakar, a forma física é uma questão de sobrevivência. Os pilotos carregam cerca de 10 kg de equipamento, incluindo capacetes, coletes, airbag e água. Sanders destacou: “Quanto mais forte você se sente, mais fácil é usar as suas habilidades e deixar a moto fazer o trabalho. O desgaste físico é real, mas estar em boa forma faz toda a diferença.”
A chave do Dakar: adaptação e resiliência
Seja por erros de navegação ou avarias mecânicas, a capacidade de se adaptar define o sucesso e Benavides afirma que: “Ser adaptável é essencial. Não adianta ser o mais rápido no início se não conseguir manter isso por duas semanas. Temos de ser inteligentes, ouvir o corpo e gerir a fadiga.”
Mesmo para pilotos experientes, o Dakar é uma montanha-russa emocional. Moraes relembrou: “No ano passado, perdemos o segundo lugar no penúltimo dia. No Dakar, as desilusões acontecem, mas é crucial recuperar imediatamente e seguir em frente.”
O sonho no horizonte
Para Sanders, Benavides e Moraes, chegar ao fim da corrida em Shubaytah é, por si só, uma vitória. Mas a verdadeira meta é conquistar etapas e, quem sabe, erguer o ‘caneco’ à geral, registando os seus nomes como lendas do deserto. O Dakar não é apenas uma corrida; é um teste de força, inteligência e resistência do espírito humano.
FOTO Red Bull Content Pool









