O desporto motorizado é uma constante luta contra o tempo. Quanto mais rápido melhor e uma fração de segundo faz a diferença entre o sucesso e a derrota. Os pilotos têm um talento especial para lidar com as exigências da competição e alguns deles conseguem desenvolver capacidades que, para a maioria, não é tão óbvia.
Alex Albon, no Podcast da Pirelli “Box, Box, Box” admitiu que consegue “ver” o tempo. Ou seja, ao longo da sua carreira no desporto motorizado, aprender a sentir a sua evolução em pista, sem precisar de olhar para o cronómetro. É um talento que pode até ser menosprezado, mas que mostra a íntima relação entre o piloto e o tempo. Para o tailandês da Williams esta capacidade permite encarar cada volta de forma menos tensa, sem ter a necessidade de olhar constantemente para o “delta” (diferença de tempo entre a volta atual e a volta anterior) no mostrado do seu volante:
“Eu visualizo o tempo. Na verdade, sou um dos poucos pilotos que não depende do delta no volante. Muitos pilotos gostam de ter algo que lhes diga se numa determinada curva foram mais rápidos ou mais lentos. Quando se aprende a correr no karting, há um cronómetro, mas só se vê o tempo da volta no fim. Assim, cria-se um relógio interno e começa-se a apreciá-lo. Esta linha parece mais rápida ou esta é mais rápida? E, gradualmente, à medida que se passa da Fórmula 3 para a Fórmula 2 e para a Fórmula 1, este aspeto perde-se, porque temos o tempo da volta no painel de instrumentos e acabamos por olhar para ele e, se ultrapassamos a velocidade numa curva, tentamos compensar na curva seguinte e ficamos mais sujeitos ao erro. Por isso voltei aos tempos do karting e não tenho referências de tempo no cockpit. Tenho a perceção que consegui uma boa volta ou que melhorei face à volta anterior. Normalmente consigo perceber o tempo da minha volta. A diferença entre o tempo e o que acho que foi o tempo situação num décimo de segundo. Claro que por vezes me engano”.










