Tão bom que era para o CPR que tanto Hugo Lopes como Gonçalo Henriques pudessem dar sequência às suas belas lutas, agora na categoria principal, os RC2. Era bom sinal para a competição e mesmo para o futuro próximo do nosso principal campeonato de ralis, já que apesar de há sete anos vivermos um período de ouro, os nossos melhores pilotos já não estão a ir para novos, e mais cedo ou mais tarde essa transição tem de dar-se. Já lá há alguns, Pedro Almeida, Lucas Simões a espaços, mas o CPR precisa que os seus melhores jovens dos Rally4 subam mais um degrau. E Hugo Lopes e Gonçalo Henriques “caíam que nem ginjas…”
Hugo Lopes vai no fim de semana lutar para acrescentar mais provas de Rally2 em 2025, e Gonçalo Henriques era ótimo que também pudesse fazê-lo.
Aos 26 anos, Gonçalo Henriques rapidamente se destacou no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), tornando-se uma referência entre a nova geração de talentos da modalidade.
Tudo começou em 2022, quando, após três anos de participações esporádicas em ralis regionais, inscreveu-se no FPAK Júnior Team, um projeto pioneiro da federação para descobrir novos talentos. Nesse ano, sagrou-se campeão, e em 2023 conquistou o título de campeão 2RM (duas rodas motrizes) com o Renault Clio Rally4 da Domingos Sport Competição. Em 2024, mesmo com um orçamento apertado, repetiu o feito, tornando-se bicampeão.
Ao relembrar a sua carreira, Gonçalo admite que vive um sonho. “Embora sonhasse fazer algo importante nos ralis, nunca imaginei disputar o Campeonato de Portugal. A participação no FPAK Júnior Team abriu essa porta. Ser campeão uma vez já parecia incrível, agora duas… superou todas as minhas expectativas.”
Sobre o momento decisivo para o segundo título, Gonçalo destaca o acidente de Hugo Lopes em Castelo Branco, que permitiu que ele assumisse a liderança. “A partir daí, passei a gerir melhor, apesar de termos enfrentado dificuldades com as afinações do carro. Chegámos ao último rali confiantes e vencemos novamente, mesmo sem precisar, controlando bem a vantagem.”
Refletindo sobre 2024, ele lembra as dificuldades financeiras que quase comprometeram a temporada, especialmente após duas desistências consecutivas. “O pior foi o esforço para disputar todas as provas, mas os melhores momentos foram as vitórias, especialmente em ralis difíceis. Tivemos que ser inteligentes, pois não havia orçamento para lidar com acidentes.”
Comparando o título de 2024 com o anterior, Gonçalo admite que foi mais desafiador emocionalmente. “A pressão foi maior no Rali Vidreiro. Cheguei à última prova em primeiro, e não precisava vencer, mas gerir as emoções foi complicado. Vencemos, mas sem arriscar.”
Quanto a 2025, Gonçalo é cauteloso. “Vamos trabalhar para montar um projeto mais estruturado. Se não for possível correr de Rally2, talvez tentemos outro campeonato, como o Europeu de 2RM, que é um sonho para nós e há uma equipa interessada em nos ajudar.”
Sobre o que espera do futuro, Gonçalo brinca: “Se o Pai Natal quiser trazer um Rally2, estarei disponível para conduzi-lo.”
Fonte: campeonatoportugalderalis.pt











