WRC à venda: crise agrava e futuro é cada vez mais incerto. A Red Bull quer abandonar o barco, e a FIA e as equipas travam dura batalha por um novo rumo…
Os ingleses têm uma interessante expressão “add insult to injury” (acrescentar insulto à injúria) que se aplica bem ao que está a suceder atualmente ao WRC. Numa altura em que a FIA, o Promotor e as Equipas estudam os novos regulamentos de 2027, do Mundial de Ralis, ficou a conhecer-se a vontade da Red Bull Media House ‘vender’ o WRC (ndr, a WRC Promoter GmbH e a Rallycross Promoter GmbH (os Promotores), são empresas detidas conjuntamente pela KW25 e pela Red Bull, são detentoras dos direitos comerciais do Campeonato Mundial de Ralis da FIA, do Campeonato Europeu de Ralis da FIA e do Campeonato Mundial de Rallycross da FIA).
Portanto, a ‘dona’ do WRC é a FIA, mas o WRC Promoter é responsável por todos os aspetos comerciais dos Campeonatos (WRC, ERC, WRX e ERX), incluindo a produção televisiva e a comercialização dos direitos de patrocínio e dos media a nível mundial. Têm também a responsabilidade de aumentar o número de concorrentes e de propor os calendários.
Como todos sabemos, o Mundial de Ralis está a atravessar uma fase má, a FIA, o Promotor do WRC e o Grupo de Trabalho do WRC tentaram avançar com alteração das regras drásticas para 2025, mas as principais equipas do WRC (Hyundai, M-Sport/Ford e Toyota) expressaram unanimemente a sua oposição às regras propostas pela FIA para 2025 e 2026, e preferem focar-se em mudanças mais significativas para 2027. Portanto, as discussões entre a FIA e os fabricantes sobre o futuro do WRC continuam.
É esperado que os regulamentos finais para 2025-2026 sejam ratificados em breve, não há uma decisão definitiva, mas deve ficar tudo mais ou menos como está, sem grandes alterações.
É neste contexto que surge a informação da provável venda do WRC, o que é extremamente preocupante, pois mostra que uma das partes quer sair. Se existissem perspetivas que o futuro pudesse ser sorridente, certamente a Red Bull não pretenderia desfazer-se do negócio. Quer vendê-lo!
Não pode haver sinal pior para o ‘mercado’.
Mas será que pode resultar algo de bom com a troca de Promotor?
É um facto que a relação da FIA com ‘este’ Promotor podia ser bem melhor. Por um lado, a federação é lenta a atuar, é lentamente reativa ao invés de proativa, criou um Grupo de Trabalho (David Richards, juntamente com o ‘FIA Deputy President for Sport’, Robert Reid) que apresentou propostas… todas rejeitadas pelas equipas. E mais seis meses passaram! Dois anos desde que se concluiu que era necessário fazer algo no WRC. Dois anos!!!
Provavelmente, a ‘dona’ do Promotor, a Red Bull, cansou-se da ‘D. Inércia’, que pelos vistos é colaboradora da FIA e tudo isto resultou numa incapacidade de trabalhar em conjunto, o Promotor e a FIA, e a Red Bull disse ou vai dizer, ‘basta’.
Portanto, se as perspetivas para o futuro do WRC já não eram boas, assim ficam ainda piores.
A juntar a isto, é mais forte a probabilidade do WRC ficar apenas com 1,5 construtores em 2027 (M-Sport/Ford e Toyota), do que algo diferente e por tudo isto está à porta mais um rude golpe para o WRC.
Será que há Liberty Media na ‘manga’? Já é proprietária da F1 e do MotoGP, porque não o WRC?
Bom, para já vamos ter que esperar por desenvolvimentos, mas o que não era bom antes do período de férias, não está com perspetivas de ficar melhor depois destas terminarem, mas depois de tantas más notícias pode ser que caia alguma ‘bomba’ positiva.









