Com a temporada de 2023 em andamento, o diretor executivo da Alpine nessa altura, Laurent Rossi, criticou abertamente a estrutura responsável pela equipa de Fórmula 1, afirmando que não acreditava na falta de recursos para a situação que se vivia em Enstone. O chefe de equipa à data, Otmar Szafnauer, salientou a necessidade de atualizar o simulador, que terá entre 15 a 20 anos, e o reforço de aerodinamicistas experientes para aumentar este departamento da equipa gaulesa.
Ambos os responsáveis foram afastados da equipa de Fórmula 1, mas a Alpine continua a trabalhar no novo simulador, que espera ter pronto em 2025, uma ferramenta que será importante para o próximo ciclo regulamentar, sublinhou Matt Harman, diretor técnico, para melhor correlacionar o monolugar “entre o simulador e a pista real”.
Szafnauer dizia em maio que “se tivermos [a Alpine] ferramentas de simulação perfeitas, ou perto disso, começamos o fim de semana muito perto do ponto ótimo [de configuração dos carros]”. No entanto, o chefe de equipa nessa altura, também avisava que seria necessário a FIA abrir uma exceção no limite orçamental, uma vez que a equipa francesa estava com dificuldades em alocar dinheiro para este projeto, tendo em conta o regulamento financeiro da Fórmula 1 que está obrigado a cumprir.
Este obstáculo, como sabemos agora, foi ultrapassado depois de, em outubro passado, a FIA ter-se comprometido com a reforma do CapEX, o valor máximo permitido por equipa para ser gasto em melhorias das instalações das equipas. Assim, foi permitido um aumento do atual valor conforme a classificação dos construtores entre as temporadas 2020, 2021 e 2022. McLaren, Alpine e Aston Martin passam a poder despender 58 milhões de dólares ao invés dos 45 milhões de dólares para todas as equipas que estavam previstos para 2024.
Assim, a Alpine tem mais margem para continuar o projeto do simulador de última geração, que, segundo Harman, já tem construído um edifício enorme” em Enstone. A Alpine tem investido em Enstone, na sua fábrica onde são desenvolvidos os chassis da Fórmula 1, preferindo evoluir as antigas instalações ao contrário do que fez a Aston Martin, que constrói uma nova fábrica em Silverstone.
Com a instalação prevista para 2025, Matt Harman esclarece que está “muito entusiasmado” com o projeto, porque “o novo simulador oferece-nos oportunidades fantásticas através das quais também podemos iniciar outros desenvolvimentos interessantes”.
A Alpine tem neste momento um “simulador muito, muito bom, mas sua resolução e a largura de banda não são tão boas”, sublinhou o responsável, admitindo que este não será fechado tão cedo, querendo a equipa continuar a usar a infraestrutura como solução de reserva e como ferramenta de estudo para os jovens engenheiros que chegam a Enstone. Ainda assim, o novo simulador será “especialmente para 2026, importante para que os pilotos tenham um nível de confiança completamente diferente na correlação entre o simulador e a pista”, diz Harman.
Um outro passo, em termos de ferramentas disponíveis, já foi dado. Uma sala de maquete digital ou virtual, que permite à equipa desenhar e redesenhar componentes sem gastar mais recursos.
Foto: Martin TRENLKER










