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A Fórmula 1 é grande em tudo: só de inscrições paga quase 27 milhões…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
19 Fevereiro, 2023
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Não é de agora que a F1 é uma máquina de fazer dinheiro. Como se sabe, as equipas compõem os seus orçamentos a partir dos patrocínios, pagamentos da FOM, pilotos e fabricantes, sendo dos patrocínios que vem a maioria dos ganhos.
Curiosamente, em valores atuais, o grupo que detém a Fórmula 1 está a valer no mercado cerca de 17 biliões de dólares e ainda assim a Formula One Management não entra sequer no Top 1000 das empresas mais valiosas do mundo, por ‘limite de mercado’.
Seja como for, a Fórmula 1 continua a crescer em todos os items, e para o comprovar, mais um exemplo: Só em cobrança das taxas de licença dos 20 pilotos de Fórmula 1 e respetivas equipas por parte da FIA, a Fórmula 1 cobrou, e pagou à FIA este ano, 26,7 milhões de dólares.
Assim, à cabeça, pilotos e equipas pagam este valor só para ter o direito de participar na festa.
Muito longe vão os tempos em que cada equipa ou piloto privado travava uma verdadeira batalha com cada organizador de Grandes Prémios para garantir um prémio de presença interessante.
O prémio recolhido no final de cada prova servia para garantir a viagem para a corrida seguinte, onde todo o processo se repetia.
É claro que com a faca e o queijo na mão, os organizadores punham e dispunham, ficavam com a maior parte dos lucros e as equipas – com patrocínios apenas dos fornecedores de pneus e das gasolineiras – penavam para sobreviver.
Foi este o estado das coisas durante os primeiros 25 anos da realização do Campeonato do Mundo de F1, quando entrou em cena Bernard Charles Ecclestone.
Tendo adquirido a Brabham no final de 1970, Bernie Ecclestone percebeu rapidamente que as equipas estavam sentadas em cima de uma mina de ouro, assumiu, pouco a pouco, o controlo da associação de construtores (a FOCA), livrou-se dos concorrentes privados, ganhou um braço de ferro com a FIA de Jean-Marie Balestre e em 1981 passou a gerir os direitos comerciais da F1.
A partir dessa altura os organizadores de Grandes Prémios passaram a pagar quantias cada vez mais importantes pelo direito de receberem as equipas de F1. Dada a situação económica mundial, isso levou a que um desporto essencialmente europeu – em 1974, das 15 corridas disputadas, dez tinham lugar no Velho Continente e 20 anos mais tarde a situação era semelhante, com 11 de 16 corridas disputadas na Europa – passasse a ter a maior parte dos seus Grande Prémios disputado longe do núcleo das equipas: este ano, 10 das 23 corridas têm lugar na Europa.
Cientes do mediatismo da F1, os países mais apostados em melhorar a sua imagem, quer para atrair investimentos, chamar turistas ou impulsionarem a sua economia interna, abriram os cordões à bolsa, com várias localizações como o Bahrein, Arábia Saudita, Azerbaijão, Singapura e Qatar a pagarem valores astronómicos para receber a F1.
E isto também se aplica a grande parte das corridas europeias ou consideradas tradicionais.
Ao mesmo tempo em que foi exigindo cada vez mais dos organizadores, Ecclestone percebeu que tinha nas televisões uma enorme fonte de receitas em potência e o tempo deu-lhe razão.
Rápido no ataque aos organizadores e às televisões, Ecclestone resistiu durante muitos anos a procurar outras fontes de rendimento, desconfiando de negócios em que não pudesse controlar todos os valores em questão. Pouco a pouco, lá acedeu a entrar no negócio do merchandising e do licenciamento, mas foi mais expedito nas parcerias, como com a DHL e a UBS, por exemplo.
Também a nível de publicidade nos circuitos, Ecclestone começou por preferir passar tudo para as mãos de homens de confiança.
Foi ainda Ecclestone que fez um contrato inovador com a Tata Technologies, e aí encontrou uma forma de rentabilizar uma área em que sempre se sentiu como um peixe fora de água: a internet.
Com tudo isto, e com mais de 20 anos de atraso em relação a Ecclestone, as equipas lá perceberam que poderiam ter rendimentos muito mais elevados e das sucessivas alterações ao Pacto da Concórdia, chegaram a 50 por cento dos lucros totais que a FOM gerava, o que equivalia a uma fatia um pouco superior a 600 milhões de euros por ano, isto há uma década. Agora é muito mais.
A entrada da Liberty Media, e tudo o que se passou daí para cá, dava para escrever um livro. Com a F1 a fazer tanto dinheiro, é claro que quem gravita à volta também quer…
Acima de todos, a federação internacional…
É aqui que chegamos a este ponto interessante: só de inscrições a FIA cobra 26,7 milhões de dólares, provenientes da cobrança das inscrições de 20 pilotos e 10 equipas.
Os pilotos e as equipas pagam uma taxa indexada ao número de pontos alcançados.
E cada vez há mais pontos para ser conquistados: mais corridas de sprint, por exemplo.
Com 23 Grandes Prémios e seis sprints, haverá mais 443 pontos disponíveis em 2023 do que há cinco anos.
Segundo o Motorsport.com, a taxa dos pilotos foi aumentada em quase 30% de $1.623 para $2.100 por ponto. Por exemplo, só a Red Bull paga quase oito milhões de dólares de taxas à FIA. Só para competir. A Williams paga apenas $707.951, o seu valor e o dos dois pilotos.
Logicamente, a FIA, sendo o órgão dirigente do desporto automóvel mundial bem como a federação das principais organizações automobilísticas do mundo, é uma associação sem fins lucrativos, pelo que o dinheiro reverte para o que a FIA promove: o desporto automóvel como um todo, a mobilidade segura, sustentável e acessível para todos os utentes dos automóveis de estrada em todo o mundo.

Fonte: Motorsport.com
Tags: F1FIAFOMFormula One ManagementLiberty Media
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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