Depois de ter ganho o Rali de Portugal de 2021, Elfyn Evans chegou ao final do 1º dia de prova com 13,6 segundos de vantagem sobre o seu companheiro na Toyota, Kalle Rovanperä. O veterano Dani Sordo, terceiro classificado, é o resistente da Hyundai, numa etapa que condenou as aspirações de três campeões do Mundo: Sébastien Loeb (que ainda chegou a passar pela liderança), Sébastien Ogier e Ott Tänak. Enchente nas emblemáticas especiais de terra da região Centro e na sempre espetacular Super Especial de Lousada, que também recebeu os emblemáticos Grupo B, voltou a validar a qualidade organizativa do ACP. Amanhã, sábado, cumpre-se a penúltima e mais longa etapa da prova.
O melhor rali do mundo é, provavelmente, também um dos mais duros. As primeiras especiais de terra da nova era dos WRC híbridos mostraram que o Vodafone Rally de Portugal é um desafio único, a diferentes níveis. Até lendas do automobilismo mundial, como Sébastien Loeb e Sébastien Ogier, não conseguiram superar a exigência da primeira das três etapas do rali.
Aos 48 anos, Loeb deu uma lição de classe na última classificativa da manhã, a primeira passagem por Arganil, onde o francês da M-Sport Ford bateu toda a concorrência e passou a liderar a prova, por 0,5s. Só que o ‘estado de graça’ do alsaciano, nove vezes campeão do Mundo, só durou mais 20 metros no troço seguinte. Logo na primeira curva da especial da Lousã, segundos após ter arrancado, Loeb deu um toque numa barreira de betão, que partiu a suspensão traseira do Ford Puma Rally1. “Foi o erro mais estúpido da minha carreira”, afirmou, desolado, o veterano piloto francês. Primeiro Sébastien ‘out’.
Seguiu-se Sébastien Ogier. O recordista de vitórias em Portugal regressou ao WRC para receber novo banho de multidão… e tentar desempatar com Markku Alén. Numa secção da tarde demolidora – com o quarteto Lousã, Góis, Arganil e Mortágua -, Ogier foi um dos pilotos que arriscou partir para essa secção só com um pneu suplente na mala do Toyota, tentando poupar 20 kg de peso no carro. Erro fatal. Embora vencendo a primeira especial da tarde, o francês furou na classificativa seguinte (Góis 2) e, logo a seguir, em Arganil 2, sendo obrigado a abandonar por não ter mais nenhum pneu suplente.
O terceiro campeão do Mundo a ficar fora da luta pela vitória foi Ott Tänak. O estónio da Hyundai estava a 10,8s da liderança quando furou na sexta classificativa do dia (Góis 2) e passou a estar a 1m53s de Elfyn Evans. Tal como Ogier, Tänak voltou a furar em Arganil 2, mas tinha um segundo pneu suplente no i20 N Rally1 e conseguiu completar o dia no 10.º lugar da geral, mas já a 3m38s do líder.
Thierry Neuville passou, então, a concentrar as atenções da Hyundai, mas o belga entrou no troço de Mortágua a 7s do primeiro lugar… e saiu de lá a 1m32s! Na ligação para esse troço, o Hyundai de Neuville teve problemas de transmissão, que depois se viriam a agravar durante a classificativa, fazendo a Super Especial de Lousada só com três rodas motrizes.
Tudo em aberto
No meio desta hecatombe, os Toyota de Elfyn Evans e Kalle Rovanperä emergiram do pó na frente da geral e escaparam à hecatombe de furos, com o galês a aproveitar a posição de partida (nono na estrada) para chegar ao final do dia com 13,6s de vantagem sobre o menino-prodígio dos ralis mundiais.
A ‘limpar’ a estrada durante 121,67 quilómetros demolidores, Rovanperä mostrou o talento que o levou ao topo do Mundial com apenas 21 anos, representando uma séria ameaça a Evans na etapa deste sábado.
Dezoito anos mais velho do que Rovanperä, o experiente Dani Sordo ‘segurou’ as esperanças da Hyundai em subir ao pódio junto à praia de Matosinhos, no próximo domingo. O espanhol está a 44,4s de Evans, mas, a partir de amanhã (sábado), não terá a uma posição de partida tão vantajosa face aos Toyota, tendo, por outro lado, 5,2s de vantagem sobre outro Yaris GR Rally1, o do japonês Takamoto Katsuta.
Se o dia da Hyundai foi complicado, o da M-Sport Ford foi ainda pior. Depois do ‘hara kiri’ de Sébastien Loeb na Lousã, Craig Breen também se atrasou com um pião na PE8 (Mortágua), estando nesta altura no 8.º lugar. Gus Greensmith é o melhor representante da equipa britânica, no 5.º posto, mas já a mais de um minuto de Elfyn Evans.
No WRC2, o líder do campeonato, Andreas Mikkelsen (11º na geral), colocou o seu Skoda na frente após um furo no Hyundai de Teemu Sunninen. Os dois entram para o penúltimo dia separados por 37 segundos, com Yohan Rossel (Citroën) no terceiro posto e como espectador atento deste duelo.
Espetáculo em Lousada
Mais de 20 mil entusiasas voltaram a dar um colorido especial ao Eurocircuito de Lousada, que encerrou o segundo dia competitivo do Vodafone Rally de Portugal. Primeiro, o público no Circuito da Costilha viu em ação alguns dos modelos mais emblemáticos da história do Mundial de Ralis, como o Audi Sport Quattro, Alpine A110, Lancia Stratos HF, Fiat 131 Abarth, Renault 5 Turbo, Lancia Delta S4, Lancia Delta Integrale ou o Toyota Corolla WRC. Já nos Clássicos Desportivos, os irmãos Gonçalo e Mariana Figueroa levaram o seu Ford Escort RS a uma vitória para mais tarde recordar.
As estrelas do WRC alinharam no tradicional formato de duelo e Elfyn Evans foi o mais rápido, ganhando inclusive mais 2,9s a Kalle Rovanperä. “Hoje tivemos condições extremas e toda a gente estava a tentar conseguir passar por elas. Por vezes, foi uma lotaria. Se calhar poderia ter sido mais rápido… Mas será que tinha chegado aqui?”, referiu o galês no final do dia.
“Não foi como esperávamos, mas estamos a fazer um bom trabalho”, referiu, por sua vez, Rovanperä. “A equipa preparou bem o carro para estas condições e isso também é importante.” A batalha prossegue amanhã.
Classificação após PE9:
- Elfyn Evans (GBR)/Scott Martin (GBR) Toyota GR Yaris Rally1 1h25m43.3s
- Kalle Rovanperä (FIN)/Jonne Halttunen (FIN) Toyota GR Yaris Rally1 a 13,6s
- Dani Sordo (ESP)/Candido Carrera (ESP) Hyundai i20 N Rally1 a 44,4s
- Takamoto Katsuta (JPN)/Aaron Johnston (IRL) Toyota GR Yaris Rally1 a 49,6s
- Gus Greensmith (GBR)/Jonas Andersson (SWE) Ford Puma Rally1 a 1m00,7s
- Pierre Louis Loubet (FRA)/Vincent Landais (FRA) Ford Puma Rally1 a 1m15,6s
- Thierry Neuville (BEL)/Martijn Wydaeghe (BEL) Hyundai i20 N Rally1 a 1m46,4s
- Craig Breen (IRL)/Paul Nagle (IRL) Ford Puma Rally1 a 1m49,3s
- Adrien Fourmaux (FRA)/Alexandre Coria (FRA) Ford Puma Rally1 a 2m03,6s
- Ott Tänak (EST)/Martin Järveoja (EST) Hyundai i20 N Rally1 a 3m38,4s
A equipa Toksport decidiu, na noite de sexta, que o Skoda Fabia Rally2 Evo de Mikkelsen não entraria na assistência, por não haver tempo útil para repara os danos no motor. Assumiram a penalização de tempo e decidiram entrar em Rally2, este sábado, mas chegaram à conclusão que o problema era irreparável e a desistência do norueguês foi inevitável.
Vieira do Minho é a primeira de duas classificativas na Serra da Cabreira, através de uma imponente paisagem granítica. É uma classificativa de contrastes, à medida que secções arenosas se misturam com zonas barrentas e estradas largas alternam partes muito estreitas. Passa por zonas de grandes rochas e a última parte é composta de curvas desafiantes muito do agrado dos pilotos. Há uma zona muito rápida de asfalto, a meio, e muitos saltos na segunda parte. Os primeiros dois quilómetros são novos na edição deste ano.
Evans foi o mais rápido na especial, batendo Rovanperä por 1,3s.
Carro #19. LOEB/GALMICHE
As dificuldades em abrir a estrada são hoje mais acentuadas. “Muito difícil e muito mais húmido do que esperava. A nossa escolha de pneus não é boa: montei dois duros e penso que não será a melhor a solução. Bem, estamos aqui…”.
Carro #1. OGIER/VEILLAS
O francês montou quatro pneus macios no Yaris e a diferença de tempo para Loeb é de cerca de 16 segundos a seu favor. “Até aqui tudo bem com a escolha de pneus, vamos ver como será no final da ronda. Tentámos guiar a fundo, porque caso contrário é um bocado aborrecido quando já tens quaisquer objetivos”.
Carro #8. TÄNAK/JÄRVEOJA
Impondo um ritmo forte, esta manhã, Tänak quer subir na classificação e é o único piloto a levar um lote completo de pneus macios. “Ao fim e ao cavo não interessa muito. Estamos muito à frente na estrada, mas os pneus macios parecem ter sido uma boa escolha”.
Carro #16. FOURMAUX/CORIA
“As condições estão realmente boas e desfrutei da classificativa. É interessante ter um oito vezes Campeão do Mundo á minha frente – as linhas são muito boas, pelo que preciso de as seguir na próxima”.
Carro #42. BREEN/NAGLE
Breen perde três décimas para Fourmaux e tem dificuldades em encontrar grip no Puma. “Lutei contra a frente do carro. Tenho dois pneus duros à frente e não consegui de todo encontrar o ritmo”.
Carro #11. NEUVILLE/VYDAEGHE
Neuville é o mais rápido até agora, com três pneus macios a fazer a sua magia. “Foi bom. Obviamente que tenho um pneu duro no carro, o que não é ótimo para esta especial. Mas correu muito bem”.
Carro #7. LOUBET/LANDAIS
O mais lento até agora. “Fizemos um pião e as sensações não são boas. Não compreendo, derrapava por todos sítios”.
Carro #44. GREENSMITH/ANDERSSON
Perdeu quase um minuto para Neuville, que lidera por agora a tabela, devido a um furo. Chegou ao fim apenas na jante. “Furei logo na fase inicial”.
Carro #18. KATSUTA/JOHNSTON
Melhor tempo até agora. “Estou bastante surpreendido. Tentei apenas fazer uma condução limpa, mas o carro está a funcionar muito bem e os engenheiros fizeram um grande trabalho”.
Carro #6. SORDO/CARRERA
Sordo é faz o quatro melhor «crono» até agora, 4,1s atrás do japonês. “Tenho quatro pneus macios nesta especial e o carro movia-se um pouco, sem muito grip. Tentei o meu melhor, mas estou bastante satisfeiro com o carro. Estou a tentar manter os outros pilotos atrás.
Carro #69. ROVANPERÄ/HALTUNEN
Pulveriza o tempo de Katsuta, sendo 10,1s mais rápido. “Parece que vai ser uma luta apertada. Tentei apenas começar bem a manhã, mas aqui estava mais escorregadio do que esperava. Talvez não estivesse limpo o suficiente em algumas zonas, porque saía largo aqui ou ali, mas com duas rodas sobressalentes é um pouco traiçoeiro”.
Carro #33. EVANS/MARTIN
O galês não brinca em serviço e bate o tempo de Rovanperä por 1,3s. “Foi bastante bom. Estava escorregadio e consegui um bom equilíbrio entre forçar demais e não o suficiente. Com o piso tão escorregadio, é difícil encontrar o equilíbrio.










