Já na antevisão da prova, quando falámos com alguns dos pilotos relativamente aos pneus para esta prova, o assunto foi referido e nesta primeira etapa ficou perfeitamente claro que apesar de se ter julgado que a ordem na estrada seria complicada para os homens mais à frente, não se enganou, mas havia nuances.
É que as estradas utilizadas no rali são percorridas no dia a dia por locais, e por isso o gelo nunca tem muito tempo de ‘crescer’ em cima da terra, e o que sucedeu no dia de hoje foi simples: os pilotos da frente gastaram menos pneus, porque apesar de terem de limpar neve, tinham uma camada de gelo para os pregos atuarem, e os pilotos mais atrás já começavam a ter uma linha com cada vez mais terra a aparecer e os pregos são feitos para o gelo e não para a terra, o que significa que os pregos na terra vão desaparecendo.
Ao olharmos para os tempos do último troço, percebemos que Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota GR Yaris Rally1) e Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1), os pilotos que foram 1º e 3º na estrada (o segundo foi Craig Breen (Ford Puma Rally1), que desistiu cedo, foram quem chegou ao fim do dia com melhores pneus.
Veja-se o que aconteceu a Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1), Esapekka Lappi/Janne Ferm (Toyota GR Yaris Rally1) e Oliver Solberg/Elliott Edmondson (Hyundai i20 N Rally1). O galês perdeu 9.1s em 5.53 Km, Lappi 9.0s e Solberg, 15.8s, tudo isto porque já não tinham, ou tinha muito poucos pregos nos pneus, porque rodavam mais atrás na estrada e foram-nos perdendo durante o dia. São nuances destas que fazem muito a beleza dos ralis, que são muito mais do que acelerar sempre o máximo possível…









