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GP Brasil F1: A ironia que pode decidir este campeonato

Fábio Mendes by Fábio Mendes
13 Novembro, 2021
in F1, FÓRMULA 1
A A
GP Brasil F1: A ironia que pode decidir este campeonato

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O campeonato 2021 de F1 parece seguir um guião encomendado pela Netflix e no Brasil a história poderá ficar praticamente decidida… com um toque de ironia.

Desde o arranque da época que se percebeu que a luta entre Mercedes e Red Bull seria intensa em pista, mas o que acabamos por ver foi uma espécie de “guerra total” em que as equipas tentaram ganhar vantagem em todos os campos e o caso das asas flexíveis terá marcado “oficialmente” o início dos confrontos fora de pista, isto quando as lutas em pista já era muito quentes. Não deixa de ser irónico que poderá ser uma asa traseira a decidir o desfecho do campeonato, mas não pelos motivos que se podiam pensar no início do ano.

O que está em causa na penalização de Lewis Hamilton, que motivou a exclusão do piloto da qualificação de ontem, que decidiu a grelha de partida para a corrida sprint, não é uma tentativa de ganhar vantagem de forma ilegal, ou tentando aproveitar as famosas áreas cinzentas dos regulamentos, mas apenas um falha.

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Lendo a nota completa da FIA entende-se que foi uma falha na asa traseira que motivou a penalização:

“O Delegado Técnico informou que o carro 44 não passou no teste concebido para verificar os requisitos do último parágrafo da Arte. 3.6.3 da Fórmula 1 da FIA 2021 do Regulamento Técnico. A verificação é descrita na Directiva Técnica 011-19. De forma simples, existe um intervalo entre as partes superior e inferior da asa traseira. Quando o DRS não é activado este intervalo deve estar entre 10mm e 15mm. O carro passou esta parte do teste.

“Quando o DRS é activado, o que eleva o elemento superior da asa a uma posição mais plana, o intervalo deve estar entre 10mm e 85mm. A folga máxima é medida, de acordo com TD/011-19, empurrando um elemento de medição de 85mm contra a abertura com uma carga máxima de 10N (dez newtons.) Se o elemento passar, então o carro falhou o teste. Neste caso, o medidor não passou na secção interior da asa, mas fê-lo na secção exterior da asa. Este teste foi repetido quatro vezes com dois medidores diferentes, uma vez feita na presença dos comissários e outra na presença de representantes do piloto.”

“O Concorrente [Mercedes] afirmou que o desenho da asa pretende cumprir os regulamentos. Ficou claro para os comissários que a deflexão adicional se deveu a uma folga adicional ou do actuador DRS ou dos pivôs na extremidade da asa, ou alguma combinação, ou outra falha no mecanismo, ou montagem incorreta das peças. Os comissários ouviram que o mesmo desenho foi testado muitas vezes durante a época tendo passado pelos testes de forma regular. Além disso, a FIA examinou a conceção da área do carro em questão e estão convencidos de que o desenho corresponde à intenção do regulamento. Por conseguinte, não há dúvida na mente dos Comissários que a falha no teste não indica qualquer intenção de exceder a dimensão máxima quer por ação quer por desenho. O Concorrente também observou que o artigo 3.6.3 do regulamento estabelece uma medida máxima, que é possível medir sem aplicar uma força ou carga. Só depois da carga ser aplicada é que o medidor é capaz de atravessar.”

A Mercedes tentou fazer ver aos comissários que o facto da asa estar legal até ser aplicada a força devia ser motivo para passar, mas a FIA é clara e a força de 10N tem de ser aplicada até para garantir que não há mais flexibilidade que a permitida. A Mercedes também tentou fazer ver que o facto de zona central da asa estar em conformidade e apenas as extremidades não estarem poderia servir de atenuante e apesar dos comissários entenderem a posição da Mercedes, isso não apaga o facto de que a asa está ilegal. A nota diz ainda que a Mercedes quis fazer uma análise detalhada ao elemento que falhou de forma a dar uma explicação mais pormenorizada, mas a FIA recusou devolver a asa à Mercedes por ser a prova de que tinha sido cometido a ilegalidade, apesar desta ter parecer ter sido involuntária.

O pior disto tudo, é que esta falha poderia ter sido reparada. A FIA confirmou que apesar dos carros estarem em parque fechado durante a qualificação, poderiam ter reparado o defeito, caso tivessem reparado e pedido autorização à FIA, mas isso não foi feito (provavelmente a equipa não viu o defeito).

Resumindo, a Mercedes foi apanhada numa ilegalidade, cometida de forma involuntária e numa época em que tanto se falou de fiabilidade e de pormenores, a Mercedes falhou num pormenor onde não falha habitualmente. A ironia é que a equipa que parecia imbatível, com exibições a roçar a perfeição, este ano tem sofrido com problemas de fiabilidade na unidade motriz e com pequenas falhas, que têm custado caro, pois a concorrência é forte. É a primeira vez que a Mercedes enfrenta concorrência deste calibre e algumas falhas mostram que a máquina perfeita que parecia ser a estrutura germânica beneficiou da falta de concorrência à altura. Ainda é cedo para falar de consequências severas nas contas do título, pois ainda não vimos o resultado final das corridas de hoje e de amanhã. Só então se poderá fazer contas e entender quanto custou este erro. Mas a ironia está bem patente nesta falha… a poderosa Mercedes falhou, onde não costumava falhar e as asas traseiras voltam a dar que falar.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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