Thierry Neuville, em resposta a uma questão nas conferências de imprensa pré-rali, disse que “é uma “pena que ninguém tenha tomates para desafiar as decisões da FIA”, deixando claro o seu desagrado devido às regras de 2022 do WRC. Em primeiro lugar, a FIA, embora tenha esse poder, não toma decisões sozinha, ouve os construtores e decide o que fazer a seguir, tentando agradar ao maior número possível, sendo certo que agradar a gregos e a troianos quase nunca é possível.
A Toyota disse logo que sim, a M-Sport/Ford foi mais longe, e disse, só ficamos se forem híbridos, e a Hyundai demorou mais a decidir, mas aceitou ficar mais três anos.
Claro que Neuville tem todo o direito de dizer o que disse, mas se calhar devia primeiro pensar duas vezes, porque se ninguém duvida que os atuais WRC são os mais competitivos de sempre da história da disciplina, o WRC está muito longe de viver os seus tempos áureos.
A modalidade tem vindo a perder para outras disciplinas que têm sabido melhor dar um passo atrás para dar depois dois à frente. O WEC, por exemplo.
Mas cabe na cabeça de alguém que o WRC não tivesse de evoluir para os híbridos quando a indústria já vai em grande percentagem, bem além disso? Se me perguntassem a mim que carros queria para o WRC a resposta era simples, ‘bestas’, por exemplo como os SuperCars do WorldRX, mas isso para mim é fácil.
Eu não construo nem tenho que vender carros ou marcas para gerir. Nem pagar competições que não me ajudam a vender carros. Portanto, quem decide, tem que ser racional.
Vamos ter três anos pela frente, com os regulamentos de 2022, e depois disso, ou até lá temos tempo de decidir o que fazer ao WRC. Essa é que é a parte difícil. Decidir algo que contribua para a modalidade crescer, porque nunca ninguém tem a certeza absoluta de como vai correr.
Uma coisa é certa. Custa-me que, uma modalidade destas, não consiga seduzir mais marcas. Essa é que devia ser a discussão. Como consegui-lo…











