Fórmula E: Primeira visita a circuito permanente não convenceu
A Fórmula E não foi pensada para circuitos permanentes e isso notou-se claramente na sua primeira corrida numa infraestrutura dedicada.
A Fórmula E foi desde início idealizada para levar as corridas às pessoas, em pistas citadinas relativamente curtas de forma a poderem ser dadas o mínimo de voltas necessárias para termos uma boa corrida. Se antigamente era preciso trocar de carro a meio (uma aberração que nunca agradou à grande maioria) agora com os Gen 2 já é possível fazer uma corrida completa sem ter de fazer troca.
E desde essa altura que se começou a pensar como seria a Fórmula E nas pistas permanentes. As comparações são inevitáveis e um dos objetivos era comparar as sensações da Fórmula E às sensações provocadas por outras categorias. E o resultado final não foi o melhor.
Estes carros foram pensados e criados para andarem em citadinos. Pneus, suspensões, chassis foram desenhados para enfrentarem os pisos irregulares, as constantes travagens e curvas apertadas. Em Valência as equipas enfrentaram um desafio diferente, com um asfalto mais abrasivo, com e com uma pista que por força das poucas situações de travagem tornava a gestão de energia mais complicada. Nem vamos falar do que sucedeu na Corrida 1, algo que já foi esmiuçado, mas na corrida 2 vimos que o segundo classificado, Alex Lynn tinha ordens para ficar atrás do primeiro, Jake Dennis e que assim conseguia poupar mais e por conseguinte ficava em vantagem para o fim da prova. E esta filosofia de corrida torna-se completamente desadequada ao espetáculo. Noutra categoria, Lynn teria passado na primeira oportunidade e tentado ganhar espaço para uma possível troca de pneus se fosse esse o caso.
A gestão de energia é fundamental na Fórmula E e está pensada para funcionar em citadinos. Como tal o regresso a circuitos permanentes, pelo menos com estes carros, não faz sentido. O espetáculo fica prejudicado, é menos intenso e a forma como os monolugares funcionam não sai beneficiada em traçados permanentes.
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Scb
26 Abril, 2021 at 14:59
Concordo com a generalidade do texto e com a principal conclusão: os circuitos tradicionais não casam com a FE.
Discordo no entanto com a seguinte frase: “Noutra categoria, Lynn teria passado na primeira oportunidade e tentado ganhar espaço para uma possível troca de pneus se fosse esse o caso” e com muitas vozes que falaram que corrida a sério é andar a fundo. A componente estratégica sempre foi fundamental em todas as corridas em todas as categorias. Quantas vezes vemos os pilotos de MotoGP atrás a estudar o piloto líder, para no atacar na altura certa, para que não haja possibilidade de resposta? Pilotos do WRC a fazer gestão dos pneus para apostar na powerstage, ou então mesmo o ritmo para não abrirem a estrada no dia seguinte? Pilotos na Nascar a seguir no cone porque estão já nos “fumos” e esperam uma bandeira amarela? Isso faz parte. O que se passou é que neste fim de semana, isso ultrapassou os limites do aceitável e não deixaram espaço (ou pouco) para outros aspectos da corrida.
FanMotores
26 Abril, 2021 at 19:22
sim, concordo em parte com ambos, mas para mim há uma questão fundamental. diferenciar corridas de estratégia e resistência, de corridas de sprint. Para mim Le Mans é uma coisa (que eu adoro, diga-se de passagem), ralis outra e fórmulas e turismos em pista é uma outra coisa. Estas, para mim, deveriam ser “a fundo”. corridas de curta/média duração, deveriam ser do semáforo ao xadrez, todos nas mesmas condições e sempre a fundo. Isso é que é corrida sprint para mim, como era a F! e outras fórmulas, antigamente. Nem mudanças de pneus, nem reabastecimentos. assim sabemos o que cada um está a fazer e que todos estão em igualdade de condições. Agora, vai muito à frente, porque tem pneus macios e depósito meio, depois pára e cai para último, ou o oposto, nunca sabemos (enfim, alguns de nós sabemos, mas é preciso saber muito em detalhe, para perceber). estraga o espetáculo. antigamente a família via as corridas comigo e vibravam, agora vejo sozinho e já nem eu vibro. Imaginem uma prova de atletismo em que um vai com sapatinhas de chumbo mas a meio troca por umas que têm molas por baixo e outros vão ao contrário, ninguém percebia nada. corridas são corridas. Resistência é resistência e gestão é nas empresas. Infelizmente foi no que as corridas se tornaram “gestão de empresas”, decididas pelos engenheiros e pelos burocratas, com as suas leis e regras (qq dia o resultado de uma corrida só se sabe 3 anos depois quando os Ivos Rosas do desporto decidirem quem é o vencedor … se não prescrever). Esta FE só vejo pelo DAC como antes o DTM, mas não falta muito para deixar de ver automobilismo. É tudo uma negociata e uma treta e então quando os alemães entram, acabou, não basta vencer é preciso esmagar, acabou a brincadeira!!
João Paulo Gonçalves
26 Abril, 2021 at 20:35
Muito bem dito!!!
Não me chateies
26 Abril, 2021 at 21:25
Estou de acordo. Este Domingo nem com o António me apanharam, pelos vistos não perdi nada. Prefiro seguir o António e o Filipe no WEC.