Toto Wolff apontou o dedo a George Russell no final da corrida em Ímola, afirmando que o jovem piloto tem ainda muito que aprender.
O incidente que levou à desistência de Russell e Valtteri Bottas, levou a uma reação acesa do piloto da Williams que tem contrato com a Mercedes, algo nunca visto no jovem piloto até agora. Russell veio depois admitir que terá exagerado, mas Wolff considera que o britânico não devia ter perdido a perspetiva global:
“Nunca há uma situação na vida em que um é cem por cento culpado e o outro zero”, disse o austríaco. “Toda esta situação nunca deveria ter acontecido. Valtteri teve 30 primeiras voltas más e nunca deveria ter estado nessa posição”, admitiu, “mas George nunca deveria ter-se lançado nesta manobra considerando que a pista estava a secar. Significava correr riscos e o outro carro à sua frente era um Mercedes. Qualquer piloto jovem ou de desenvolvimento nunca deve perder esta perspetiva global”, acrescentou ele. “Ele tem muito a aprender, suponho”.
“É preciso ver que há um Mercedes e que a pista está molhada, por isso há um certo risco e as probabilidades estão contra ele de qualquer forma quando a pista secar.”
No rescaldo do confronto, Russell caminhou até ao carro atropelado do Bottas e voltou a falar com o finlandês. Numa entrevista subsequente, o britânico sugeriu que o piloto da Mercedes poderia ter agido de forma diferente se estivesse a correr com outro piloto.
“Isso é parvoíce”, disse Wolff, ao ser informado do comentário de Russell. “Toda esta situação não é divertida para nós, para ser honesto”.
“O nosso carro não é reparável”, disse Wolff, “e num ambiente de limite orçamental certamente não é o que precisávamos, porque provavelmente vai limitar as atualizações que somos capazes de fazer. Estamos muito sobrecarregados com o limite de custos, e o que sempre receámos foi a destruição total de um carro. Este não ficou completamente destruído, mas quase e isso não é algo que quiséssemos”.
Salientam-se alguns pontos nas declarações de Wolff, Fica no ar a ideia que Russell deveria ter pensado duas vezes antes de fazer uma manobra arriscada a um Mercedes. Russell tem contrato com a equipa e é visto como futuro piloto, mas não é certamente agradável ouvir o seu “chefe” a atribuir-lhe grande parte da culpa. Russell tentou o que qualquer outro piloto tentaria, reagiu a quente, porque quer ser bem sucedido e, como disse Lewis Hamilton, os pilotos são humanos e erram.
Outro ponto a ter em conta é a influência nas contas de um acidente deste género. Se a Mercedes já começa a fazer contas à vida, significa que no futuro poderemos ver equipas a pedir aos pilotos para não arriscar tanto, pois o orçamento não o permite. Será esta a primeira consequência negativa das medidas implementadas? Ou será apenas que a Mercedes quer tentar recuperar performance para a Red Bull e a construção de um carro novo impede que isso aconteça de forma mais breve?











