Está de regresso no próximo fim de semana o Mundial de Ralis, com o Ártico/Finlândia, uma prova onde se esperam condições invernais como há muito não se vê no WRC…
Neste preciso momento em que escrevemos o texto estão 19 graus negativos em Rovaniemi na Finlândia. Na semana passada, alguém colocou no Twitter fotos de um termómetro na cidade: 29 graus negativos. É um desafio muito grande o que a caravana do WRC vai passar na próxima semana, e nem sequer estamos a pensar nos pilotos e navegadores: basta imaginar, por exemplo, os fotógrafos que vão ter que ir bem cedo para os troços e ficar parados à espera dos carros. Imaginem só o filme…
De resto, são 56 os concorrentes que se inscreveram, dos quais 13 são WRC, com boas novidades como é o caso de Oliver Solberg, Lorenzo Bertelli ou Janne Tuohino. 39 são Rally2 e 4 Rally4/R2. Há alguns nomes interessantes na lista como por exemplo Jari Huttunen inscrito no WRC2 com a Hyundai Motorsport N, ao lado de Ole Christian Veiby. Também chama a atenção a presença de Martin Prokop inscrito no WRC2 com a M-Sport.
Já tinha sido revelado, Esapekka Lappi também corre na Finlândia, com um Volkswagen Polo GTI R5 da Movisport. Outros regressos interessantes aos ralis são os do campeão de ralicross, Johan Kristofferson, que regressa ao WRC pela sexta vez, depois de ter realizado quatro ralis da Suécia e um da Finlândia. Também o Campeão do DTM, Mattias Ekstrom retorna ao WRC onde já não corria há largos anos. A última prova que tinha disputado no WRC foi o Rali da Alemanha de 2006, mas depois disso fez alguns ralis, em 2019 e 2020, para além do Dakar. Tem corrido com um Skoda Fabia Rally2. Portugal é representado por Hugo Magalhães, que navega o saudita Rakan Al-Rashed (Volkswagen Polo GTI). Numa conversa rápida com o André Lavadinho, fotógrafo português do WRC, disse-nos que todos têm que levar um kit de sobrevivência. Ossos do ofício. O WRC é entusiasmante, mas fazer uma prova assim é muito difícil.
Rovanpera favorito?
Em termos desportivos, há um piloto que tem sido referido com insistência como um dos potenciais candidatos à vitória, que caso suceda, seria a primeira da carreira, isto numa altura em que o jovem finlandês tem apenas 20 anos: Kalle Rovanpera. Sem dúvida que esta será a prova em que mais hipóteses tem de obter a sua primeira vitória no WRC, desde que corre ao mais alto nível, pois curiosamente, apesar da sua idade, é o piloto com mais experiência no evento entre os que correm atualmente no WRC.
No entanto, não podemos colocar demasiada pressão em Rovanpera. Caso seja segundo, seria o seu melhor resultado de sempre no Mundial de Ralis. Que não poderia ser agridoce…
O finlandês não será, logicamente, o único favorito. Não só os seus dois companheiros de equipa, Sébastien Ogier e Elfyn Evans, e talvez até mais este último, que o ano passado venceu o Rali da Suécia. Também porque Ogier será prejudicado enquanto for o primeiro na estrada.
Na Hyundai estará, quiçá, o mais forte candidato a vencer na Finlândia: Ott Tanak. Desde que não mantenha a sua série de azares. A sua ordem na estrada pode ser decisiva, apanha, em teoria, as melhores ‘linhas’, mas isso vai depender muito da quantidade de neve.
Menos hipóteses terão Thierry Neuville e Craig Breen, mas o belga já venceu na Suécia e o irlandês foi segundo em 2018.
Convém também não esquecer Teemu Sunninen, embora neste caso, depois do que sucedeu em Monte Carlo, dificilmente o finlandês irá arriscar mais um abandono para a M-Sport Ford.
Isto sem esquecer que no Rali da Suécia 2019 lutou pela liderança até ficar preso num banco de neve. Na verdade, há muitas variáveis indeterminadas que temos de ter em conta na equação e só teremos respostas quando virmos os carros nos troços.
Convém também não esquecer a meteorologia, pois pode ter uma palavra a dizer sobre o resultado. Está prevista queda de neve para os dias de prova, a neve fresca tem um grande efeito maciço no cronómetro, se for em quantidades diferentes para alguns…
Será, sem dúvida, uma prova muito interessante, que arranca na quinta feira, com o Shakedown e dois troços de 31.05 Km. No sábado, mais seis especiais, entre 20 e 27 Km cada, e por fim no domingo as restantes duas. Apenas 10 troços, mas apenas menos cerca de 30 Km que o Monte Carlo.










