Depois de muita luta, a Fórmula 1 vai baixar o teto orçamental para 145 milhões de dólares, no Mundial de Ralis as três equipas e a FIA estão a discutir uma forte redução de custos ao ponto dos novos carros de 2022 poderem custar quase metade do que custam atualmente, e no Campeonato de Portugal de Ralis, a FPAK reuniu ontem com os clubes e fala-se num consenso nunca antes conseguido por parte dos pilotos.
Pelos vistos, foi preciso um momento como o que se vive atualmente com a pandemia de coronavírus para que se perceba que todos remando para o mesmo lado é mais fácil ter-se êxito. Ainda há demasiada gente a entender que é melhor dividir para reinar, mas sendo natural que os interesses de todas as partes não sejam totalmente comuns, no fim do dia, como dizem muito os ingleses, os objetivos são os mesmos para todos. Ter bons campeonatos, dar bom espetáculo sem ter que gastar demasiado.
Sempre houve e sempre vai haver quem se queixe dos custos, pois o que para uns é indiferente, para outros é razoável e proibitivo para mais alguns. É a lei da vida.
Já tinha ficado claro há muito tempo que os custos na Fórmula 1, mais cedo ou mais tarde se tornariam inviáveis, o que esta pandemia veio fazer foi não deixar argumentos a ninguém para se descer dos cerca de 500 milhões milhões que gastam a Ferrari e Mercedes, dos 300 que gasta a Red Bull (não desenvolve motores) face aos valores que podem gastar as restantes equipas.
Dentro de algum tempo e a partir de 2021 irá começar-se a notar esse equilíbrio nos gastos, porque não há milagres. Provavelmente as mesmas equipas vão continuar a ganhar, duvido é que tenhamos que esperar outros seis anos, para que uma ‘Lotus’ volte a vencer como sucedeu na última vez, em 2013, que não foram a Mercedes, Ferrari ou Red Bull a vencer.
No Mundial de Ralis, se os custos forem reduzidos para 60% dos gastos atuais – quem não gosta de esperar pelos saldos para fazer compras com 40% de desconto – talvez seja possível manter as mesmas três equipas e ter mais alguns privados a correr. E talvez alguma marca perceba que o novo valor já entra nas suas posses, ou pelo menos no que está disposto a gastar.
Quanto ao Campeonato de Portugal de Ralis, o tal “consenso nunca antes conseguido” é uma novidade absoluta, e pode ser que daqui para a frente os pilotos entendam de uma vez por todas que juntos conseguem muito mais do que cada um puxar para o seu lado.
No início deste ano, o AutoSport foi a Alzenau, ‘casa’ da Hyundai Motorsport e fez esta pergunta a Andre Adamo: “Estão os custos dos R5 a ficar fora de controlo? Resposta: “Conversas de redes sociais. Diz-me lá: há tantos carros R5 em redor do mundo, os campeonatos regionais funcionam todos muito bem com estes carros, não é razão mais que suficiente para considerar que a disciplina é um sucesso?! Quando não houver mais nenhum R5 ou existir alguma dificuldade, aí falaremos. Claro que o meu trabalho é prever o futuro, mas não penso que nos dias de hoje o custo dos R5 seja exagerado. Porque o custo dos R5 não é só o carro. Quando esse custo for maior que o valor do carro e da competição, aí teremos um problema. Penso que hoje temos um bom compromisso entre o custo e o valor de exploração, pois não podemos contar apenas com o preço do carro, mas com tudo o que é preciso para o colocar a competir. O sucesso é tão grande que falar de custos não faz sentido. Sabes, eu acho que as pessoas procuram sempre a polémica. É um bocadinho como diz um provérbio em Itália, ‘faz mais barulho uma árvore que cai que uma que nasce’, ou seja, ninguém fala daquilo que é importante, falam daquilo que pode ser polémico.”
Portanto, resumindo, quem tem o dever de gerir as competições motorizadas, quando sentir que as coisas estão a ‘apertar’ só tem que fazer uma coisa: “Como vamos gastar menos, de modo a que o problema desapareça?” Ao fim ao cabo, é como fazemos nas nossas casas, com as nossas vidas: Ou arranjamos maneira de ganhar mais, ou gastar menos. A que for mais fácil. Ou as duas.










