Sergio Pérez fez a nona época na F1 e teve em 2019 um ano menos positivo a nível de resultados. Mas ainda assim, conseguiu ser o abono de família da Racing Point. Merecia o piloto mexicano mais?
A época 2019 foi dificil para a Racing Point. Nova administração, depois de um pesadelo que quase acabava com a equipa, nova realidade e nova ambição. A equipa tem experiência do passado e sabe como fazer bons carros, mas o atraso na definição do conceito, devido ao processo de insolvência, prejudicou o arranque da equipa sediada em Silverstone e a partir daí foi sempre a correr atrás do prejuízo. Com isso os pilotos também saíram prejudicados, sem máquina para brilhar.
Mas Sergio Pérez fez aquilo que tem feito habitualmente… ser o melhor piloto da equipa e conquistar pontos importantes. Pérez conquistou 52 pontos contra 21 de Lance Stroll. Mais que isso, na segunda metade da época apenas falhou o top 10 por uma vez (Singapura), enquanto o seu colega de equipa apenas o conseguiu por duas ocasiões.
Pérez é um dos pilotos mais regulares do grid, um dos melhores na gestão de pneus e um dos mais experientes, com 176 GP no seu CV, tendo conquistado oito pódios. Foi em 2016 e 2017 o melhor piloto do virtual “campeonato B”, tendo perdido esse “título”para Nico Hulkenberg em 2018. Este ano começou mal, mas depois das duas grandes actualizações da Racing Point, voltou a conquistar pontos com regularidade e aproximou a equipa das restantes adversárias. Pessoalmente, deste os tempos da Sauber que vejo Pérez como um bom piloto. Nessa altura entusiasmava com as suas ultrapassagens no limite, pela sua postura irreverente e pela ambição, por vezes desmedida. A sua ida para a McLaren aconteceu cedo demais e quase perdia uma carreira na F1, mas a ida para a Force Inda permitiu ver um Pérez mais maduro, que só arrisca pela certa, inteligente na gestão das corridas. Apenas Esteban Ocon o tirou do sério e o fez perder a cabeça num par de ocasiões.
Tem Pérez condições para estar numa equipa grande? Tem. Não é um dos maiores talentos do grid, mas tem certamente talento e capacidade para assumir um desafio maior e, quem sabe, bater o pé ao número 1 estabelecido. Mas essa oportunidade dificilmente acontecerá e não surpreende a renovação por três anos com a Racing Point. É provavelmente a equipa que melhor serve os seus interesses e lhe pode dar as melhores hipóteses de voltar a subir a um pódio a médio prazo. Mas Pérez é um piloto por vezes subvalorizado. Pérez pode ter conquistado apenas o 10º lugar em 2019, mas voltou a provar na segunda metade da época que é um dos bons valores da F1.













