Com a troca da Honda pela Renault, a formação de Woking pretendia manter o seu estatuto de equipa de ponta, apesar de não vencer uma corrida desde 2012, e enquanto que a Toro Rosso teve uma abordagem segura na instalação das unidades de potência Honda, a estrutura inglesa, com a Red Bull como bitola, escolheu uma montagem agressiva dos V6 turbohíbridos no seu chassis. O resultado foi evidente ao longo dos testes de inverno – pequenos problemas técnicos, carroçaria queimada e buracos abertos no capot-motor para escoar o calor emanado pela unidade de potência Renault.
Ainda assim, o MCL33 mostrou-se um carro rápido e eficaz sempre que esteve em pista, apesar de a McLaren ter sempre privilegiado o uso de borrachas mais macias, com óbvias vantagens no cronómetro.
Depois de três temporadas com a Honda, dar um salto competitivo parecia ser uma tarefa simples para os homens de Woking que queriam liderar o segundo pelotão. Porém, Zak Brown colocou a fasquia bem alta, depois de dizer que o chassis inglês era o melhor do plantel, colocando as culpas da falta de resultados à porta da Honda.
Por isso, em 2018 a McLaren não tinha onde se esconder. Dois pilotos de ponta – Alonso e Stoffel Vandoorne – e as mesmas unidades de potência que a Red Bull, que em 2017 tinha vencido três corridas, mas quase nada correu bem.
Não tivesse a equipa dirigida por Zak Brown um piloto como Fernando Alonso e a McLaren teria terminado apenas na frente da Williams, aquele que é o seu lugar pois a equipa de Woking foi a segunda pior da competição. Mas com o espanhol atrás do volante, tudo é possível e Alonso ofereceu 50 pontos á equipa, com Stoffel Vandorne a contribuir com magros 12 pontos.
O espanhol não conseguiu o maior milagre que era levar o McLaren MCL33 ao pódio, mas estilhaçou o seu jovem colega de equipa e permitiu que a fotografia final fosse mais interessante que a realidade. A equipa criou mais um carro com um erro de base que tornava a traseira praticamente incontrolável e com incapacidade de criar carga aerodinâmica no eixo traseiro.
Obrigada a utilizar a asa para máximo apoio aerodinâmico para conseguir manter o carro em pista o MCL33 tinha uma velocidade de ponta medíocre e por isso o trabalho de Alonso é comparável a um milagre.
E depois de tudo aquilo que Zak Brown e outros membros da equipa disseram da Honda, ficou a saber-se que o maior problema vinha do chassis e que Alonso “escondeu” esses problemas com a sua maestria. Com Carlos Sainz e Lando Norris, a equipa de Woking tem de acertar o passo sobre pena de uma das equipas históricas da F1 poder desaparecer da competição.










