A FPAK já se pronunciou sobre a possibilidade dos N5 poderem correr em Portugal devidamente regulamentados, tal como sucede em Espanha. Aceitou a criação de um troféu, mas impôs condições que não agradaram, se não a todos, pelo menos a muitos. E já há reações.
A ideia de António Duarte, líder da APPA, que tem liderado este processo, sugerindo que em Portugal se possa aproveitar e seguir o que tem vindo a ser feito em Espanha há alguns anos, era que os N5 pudesse ser regulamentados para ocupar o espaço ‘competitivo’ que existe entre os R2 e os R5, mas o que leu vindo da FPAK, não lhe agradou:
“Acho que é um regulamento a roçar o insultuoso. Era preferível dizer que não, do que criar um Troféu que não pontua para nada. Em primeiro lugar, o que nós propusemos foi a criação de uma classe. Um Troféu, aparecendo inserido numa classe seria uma mais valia, até porque não se pode pedir às pessoas que comprem um carro de 130, 140 mil euros, e se não houver troféu no ano a seguir ficam com um pisa papéis, basicamente. Em simultâneo, não consigo compreender que, existindo uma entidade interessada em fazer um troféu, com 300 mil euros em prémios (ndr, a equipa espanhola RMC Sport) para três anos, em Portugal, uma coisa que já não se vê há muitos anos aqui, a FPAK, sem apresentar qualquer alternativa, recusa. Para todos os efeitos, o que saiu é uma recusa dos N5”, começou por dizer António Duarte ao AutoSport, explicando depois melhor a sua visão: “Os N5, no formato que defendemos, com motor e turbo de série, andam em Espanha a rodar a 2 segundos por Km dos R5, e andam à frente dos R2, a cerca de um segundo por quilómetro, com o restritor de 34mm. Se tivessem um restritor de 32mm, andavam a lutar com os R2, com um restritor de 30mm, iriam lutar com os últimos R2. É uma coisa que pura e simplesmente não faz sentido.
Eu não consigo perceber qual é a ameaça tão grande que a federação está a tentar proteger, ao castrar estes carros desta forma, quando ainda por cima tiveram a oportunidade de ver o que faziam os N5 no recente Rali Eurocidades. Olhando para o regulamento em Espanha, é óbvio que os carros estão bem posicionados com o restritor de 34 mm. Seria preciso castrar a possibilidade da evolução mecânica para não aumentar custos, mas não castrar a performance do carro. Acho um absurdo, este comunicado é insultuoso.
Aos olhos da APPA esta foi uma recusa liminar dos N5. Basicamente, na minha opinião, foi falta de coragem em recusar. Aprovar para a seguir matar em regulamento. Estes carros só iriam contribuir para aumentar o espetáculo e chamar público. Precisamos de público, de imagem, precisamos de tudo, e isso não vai ser feito com 15 R5 espetaculares, que toda a gente gosta imenso, e de vez em quando, a seguir, aparecem meia dúzia de carros quando há o Troféu 208. Esta federação ganhou as eleições e tem todo o direito de dizer que não, mas tenham coragem de o fazer. Que fique bem claro que a lista de pilotos interessados que a APPA apresentou, deixou de ter interesse. Obviamente.
E que o troféu, provavelmente, não vai existir. O que a federação conseguiu foi que, até as pessoas que são contra os N5 estão absolutamente indignadas com isto. O comunicado da FPAK teve o dom de unir toda a gente que era contra”, disse António Duarte.
Posto isto, resta esperar pela evolução da situação, ficando por se saber se com o regulamento que impôs haverá interessados.










