Dificilmente a Honda ainda vai a tempo de resolver os seus problemas e desse modo evitar que a McLaren, e provavelmente também a Sauber cortem laços. Este ano era absolutamente crucial para a sobrevivência da ligação, mas depois de dois anos a tentar perceber o que fazer, pensou-se que, depois de ouvidas as declarações dos responsáveis da equipa no início deste ano que as coisas iriam melhorar significativamente, embora ninguém acreditasse que passassem a lutar pelos lugares da frente. Mas, mais uma vez não foi nada disso que aconteceu e se a McLaren permanecer com a Honda em 2018 é porque não teve mesmo outra alternativa pois, segundo rezam as crónicas, nem a Mercedes nem a Ferrari querem fornece motores à McLaren em 2018. Portanto, os homens de Woking estão numa encruzilhada e a Honda tarda em dar mostras que o ‘vento’ está a mudar.
Quando se ouve o responsável máximo da Honda na F1, Yusuke Hasegawa, dizer, ao fim de três anos que “este é o ano 1” (ndr, “Introduzimos um novo conceito de unidade de potência este ano, por isso quase podemos chamar novamente a este o ano um. Por isso o peso do motor, o centro de gravidade e o conceito de combustão segue na mesma direção de outros construtores de motores”) é mau demais. Três anos na F1 é uma eternidade, e provavelmente os nipónicos descuraram o facto de estarem há tempo tempo afastados da F1. Para a McLaren é ainda pior se nos lembrarmos do sucesso que foi a primeira ligação McLaren-Honda nos anos 80 e 90. Depois de um ano de 2015 mau demais para ser verdade, o fabricante japonês conseguiu melhorar em 2016 e os seus responsáveis falaram de peito cheio no início desta época, que havia muito para vir em 2017. É o que se vê…
O regresso da Honda à F1 em 2015 foi doloroso, a unidade motriz não tinha potência nem fiabilidade, não recolhia e fornecia energia de forma eficiente, Jenson Button chegou a dizer que nas retas era um alvo fácil, Fernando Alonso disse também que o carro parecia um GP2 e não um F1. Mas os dois lados da aliança foram dando o peito às balas, fizeram as mudanças que se exigiam, especialmente na Honda, e o ano de 2016 já foi diferente. Pode dizer-se que se o salto para 2017 fosse semelhante a equipa teria saltado de imediato para os lugares logo atrás dos ‘três grandes’, mas como se sabe, não foi isso que aconteceu e a McLaren continua lá atrás, depois da Haas, Renault e Toro Rosso, já para não falar da Williams e Force India.
O ano passado Yasuhisa Arai foi substituído por Yusuke Hasegawa, que já tinha experiência com a Honda na F1 através do projeto BAR, a comunicação entre os japoneses e os homens da McLaren melhorou bastante mas nada disso chegou. Isto é mau para a Honda, mas também é uma lição muito grande que os responsáveis da Fórmula 1 têm que aprender, pois quiseram ser mais “papistas que o Papa” e implementaram uma tecnologia demasiado complicada, quando as corridas são tão simples. Agora resta esperar, mas a Honda garante a continuação em 2018 com a McLaren. “Não contemplamos nenhuma opção que não seja continuar na F1 com a McLaren no próximo ano. Não é verdade que estejamos a pensar sair. É 100 por cento certo que vamos continuar e cumprir o contrato que temos. Estamos tranquilos quanto a isto”, dizia o comunicado. Todos sabemos que isso é o menos provável de acontecer a menos que não existam mesmo alternativa. Basicamente, o mesmo filme por que já passou a Red Bull quando se quis livrar da Renault…










