Não é novidade para ninguém que a Fórmula 1 tem quase tanto de política quanto de desporto (se não tiver mais) e por isso é fácil assistir às ‘campanhas’ quando alguém pretende passar alguma mensagem. A ameaça de sair da Fórmula 1 para os lados da Red Bull voltou a ouvir-se, e o assunto é o mesmo doutras alturas, embora a música seja ligeiramente diferente. Basicamente, “vira o disco e toca o mesmo”, não significando isto que o que disse Helmut Marko não tenha, pelo menos, um fundo de razão.
Todos sabemos que é muito difícil ouvir um responsável de uma equipa de F1 falar no “bem geral” quando foi a própria Red Bull a vencer títulos atrás de títulos, mas agora, ainda mais numa altura em que já se percebeu que a Mercedes não está sozinha nessa luta, o consultor da Red Bull regressa novamente ao discurso que que a Fórmula 1 precisa desesperadamente de novas regras para os motores para 2021. Em declarações ao jornal austríaco Salzburger Nachrichten disse que a atual “fórmula da unidades motrizes é errada para a F1”.
“A Fórmula 1 precisa de um motor simples, cujo som seja alto e que tenha um custo que não seja superior a dez milhões de dólares”, disse Marko, que assegura que se a F1 prosseguir com os motores atuais para além de 2020, a Red Bull pode deixar a competição. Marko afirma que os motores estão a prejudicar a popularidade da F1, que tem vindo a diminuir drasticamente, desde o início das atuais regras, em 2014. “As unidades motrizes são uma conquista técnica incrível, mas que não interessa ao público e que põe o piloto totalmente em segundo plano. É uma loucura precisar de mais de 20 milhões para comprar um motor. Sobretudo, porque é irrelevante, já que não é utilizado nada parecido nos carros do dia-a-dia”. Marko diz também que os fabricantes mais bem sucedidos, como a Mercedes e a Ferrari, estão em posição de “chantagear” as restantes equipas.
“Estivemos próximos de não ter motor para 2015. As regras devem ser acessíveis a empresas como a Cosworth ou a Ilmor, que devem conseguir fazer um motor e que equipas como nós, a Sauber, ou a Toro Rosso possam comprar”.
Acrescentou ainda que as regras atuais “quase levaram a McLaren à ruína. Os patrocinadores fugiram. É simplesmente a complexidade desses regulamentos que tornam tão difícil para uma empresa de classe mundial, como a Honda, ser competitiva”, insiste Marko. Assim, coloca nas mãos da Liberty Media corrigir o problema, depois de 2020: “A Liberty Media é séria. Ross Brawn trabalha nessa direção, pois mesmo um super engenheiro como ele, por vezes, não entende os motores atuais”.










