Bernie Ecclestone expressou o desejo de se criar uma nova estrutura de pagamentos na Fórmula 1, mais baseada no mérito e na performance em comparação com o atual. Neste momento, a Ferrari recebe um valor especial dado o cariz histórico da empresa, e a sua importância para a modalidade, sendo a única equipa que acompanha a Fórmula 1 desde o seu primeiro Grande Prémio.
Este tipo de garantias ‘especiais’, chamemos-lhe assim, também são atribuídos à Red Bull, Mercedes, Williams e McLaren. Tal significa que estas equipas podem receber mais prémios do que as outras que por vezes terminam vários postos acima na classificação relativa aos construtores.
Apesar de defender um novo modelo, Ecclestone salientou que já existe um elemento de performance no sistema atual, exemplificado pela Mercedes, que surpreendeu o detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1 ao vencer dois campeonatos do mundo, recebendo com isso mais uma avultada soma de dinheiro.
“Nós basicamente tomamos conta, se for essa a expressão correta, de quatro ou cinco equipas, porque elas têm um compromisso a longo prazo connosco. Assinaram um acordo há quatro ou cinco anos para se manterem no campeonato até 2020, portanto precisavam de alguma compensação para se comprometerem dessa forma. As restantes não podiam ou quiseram fazê-lo. Se se retirassem, que poderíamos fazer?”, questionou.
A Mercedes recebeu um bónus extra por atingir o objetivo definido de vencer dois títulos mundiais, com Ecclestone, mais uma vez, a referir o exemplo dos alemães como uma forma de se receber mais dinheiro com base no mérito desportivo.
“Quando eles entraram, eles recebiam uma compensação muito básica. Mas como se comprometeram até 2020, dissemos-lhes que se fizessem o que fez a Red Bull, vencer um campeonato, receberiam mais. Se vencessem dois… E eu disse ao meu conselho de administração: ‘Eles nunca vão vencer um campeonato, quanto mais dois’. Portanto lixaram-me e venceram dois campeonatos.”
Quanto aos potenciais benefícios futuros para as equipas mais pequenas num novo sistema, Ecclestone respondeu: “De momento eles não têm hipótese de receber estes montantes de que estamos a falar. Não têm qualquer hipótese. Mas vamos garantir que estarão nessa posição se cumprirem do ponto de vista desportivo. Nesse caso estarão no mesmo patamar dos outros. Penso que ficarão satisfeitos com esta ideia, porque estão muito descontentes com a forma como as coisas são agora.”
O estatuto especial da Ferrari deve, no entanto, permanecer inalterado. “Eles estão na mesma posição do que estamos a falar. O valor total dos dividendos estará disponível para todos. Mas a Ferrari está connosco desde o início, e por isso deve receber algo em contrapartida. O que acontece”, concluiu.









