Mário Patrão está a caminho da sua quarta presença consecutiva no Dakar, prova em que a navegação continua a ser o maior handicap. Em 2016 irá estrear-se na prova aos comandos de uma KTM, depois de três edições em Suzuki.
Segundo o piloto, a marca tem disponível uma moto para clientes, do género competição-cliente, mas especifica para ralis. “Penso que a moto é bastante boa. O ponto forte é o motor e também a estabilidade a alta velocidade. Claro que isso requer habituação, que ainda não tenho. Não andei muito com a moto, apenas cerca de 400 km, porque ela só chegou em novembro.”
Sem tempo para rodar apropriadamente, Mário Patrão irá competir mantendo as especificações de fábrica na sua KTM. “Adquiri-a porque, à partida, é uma moto que me dá alguma confiança, mas vamos ver. A ideia não era modificar nada, gostava apenas de ter afinado as suspensões, mas nem isso consegui fazer porque a moto chegou muito em cima e depois também não tinha uma base nem tempo para testar”, explicou Patrão que alugou uma assistência para o evento, porque “para quem tem poucos recursos financeiros esse é o modo mais fácil para se participar.”
Tendo dois 30º lugares no currículo, o piloto sobe a fasquia para a próxima edição. “Vou sempre com um orçamento limitado, não sou piloto oficial, mas os objetivos passam por terminar e fazer boas etapas. Se conseguisse isso um bom resultado final seria melhorar aquilo que fiz nos outros anos, mas penso que entre o 18º e 22º seria bom, uma vez que temos 30 pilotos oficiais que têm um orçamento bastante elevado comparado com o meu.”
Em relação às etapas, o piloto espera fazer melhor. “Era importante realizar pelo menos duas ou três boas etapas para tentar demonstrar um pouco o meu valor. Para isso tenho que optar por aquelas onde não haja tanta navegação. Custa-me ainda encontrar o compromisso certo entre rapidez e navegação, e temos que saber navegar para conseguir atacar muito. O contrário é impossível, só se for inconscientes.”
Antevendo a próxima edição, Mário Patrão frisou a altitude como um dos pontos de maior dificuldade: “As etapas de Fiambala são sempre duras. A organização fala este ano numa ‘Super Fiambala’, mas eu espero que seja só o nome. Vamos ter etapas competindo a cerca de 5000 metros de altitude e isso em si já é uma dificuldade extrema.” Como forma de preparação para a altitude, parte do seu treino teve como palco a Serra da Estrela, aproveitando as condições que existem em Portugal: ”São 2000 metros, mas já é alguma coisa.”











