Na extensa e interessante entrevista que o jornalista polaco Mikolaj Sokól fez ao compatriota Robert Kubica – e que o AutoSport publicou oportunamente -, o ex-piloto de Fórmula 1 abordou diversos temas com a frontalidade que sempre lhe foi reconhecida. Depois de inúmeros despistes na sua ainda curta carreira nos ralis, Kubica não se escusou a comentar o óbvio…
AutoSport – Há quem diga que os teus acidentes e problemas nos ralis podem ser, em parte, causados pelas limitações na tua mão direita…
Robert Kubica – Sim, eu concordo. Trata-se sobretudo da capacidade de reagir ao imprevisto, de salvar uma situação. Principalmente na terra, onde isto não se aplica só a situações de emergência mas, por exemplo, quando estamos a guiar num rego e o carro subitamente salta do trilho. Digamos que na terra o raio operacional de uma curva é muito longo quando comparado com o de um circuito ou de um troço de asfalto.
Num circuito é mais fácil porque é tudo mais previsível. Tu rodas menos o volante, os movimentos são mais subtis, e o raio de uma curva também é menor. Num troço de terra é tudo multiplicado por dez e isso torna tudo menos previsível. Acredito que teria sido possível evitar alguns dos meus acidentes nos ralis se pudesse guiar sem limitações e evitar parar o carro. Infelizmente, tenho de ter noção das minhas limitações e sei que atingir os objetivos a que me propus será muito mais difícil.
A – As pessoas que se riem ao verem mais um acidente do Kubica na internet não se apercebem disso…
RK – Simplesmente não leio essas coisas, é a melhor cura… Normalmente aprendemos através de erros e mesmo se eu acho que no desporto motorizado não há azares, há momentos em que tens sorte e outros em que não tens. Os ralis podem dar-te uma enorme satisfação pessoal mas também são implacáveis, podem ser ingratos. Talvez seja por isso que é um desporto tão popular, mas o espectador em casa nunca conseguirá perceber verdadeiramente estas coisas se nunca tiver feito um rali.








