Devo confessar que o meu grande favorito à partida era o Carlos Sainz, embora o Giniel De Villiers também fizesse parte dessa lista. É um piloto bastante consistente e talhado para este tipo de provas, tendo estado sempre nas grandes equipas, primeiro com a Nissan e depois com a Volkswagen. Foi um longo caminho até agora. Mas isto serve para demonstrar que um piloto não se torna vencedor de repente. É preciso tentar, tentar e aumentar o nível todos os anos. Ao fim de seis anos, demonstrou ser merecedor deste título.
Quanto ao Sainz, é difícil dizer o que realmente lhe terá acontecido, até devido à amizade que tenho com ele. Talvez não fosse necessário estar todos os dias ao ataque, embora é quando se baixa o ritmo que as pequenas distracções acontecem. Repito: não sei o que se terá passado, mas os acidentes acontecem a qualquer altura. Veja-se o que aconteceu ao Stéphane Peterhansel em 2003.
A Volkswagen, conseguiu, enfim, um triunfo que já poderia ter acontecido há dois anos. Era realmente a equipa mais forte do pelotão automóvel e a que estava mais avançada no capítulo da fiabilidade dos motores diesel. Com todos os meios que dispunha e a forma como vinha a preparar-se, era lógico que um dia teria que acontecer.
Quanto à Mitsubishi, julgo que é exagerado dizer que foi a grande derrotada deste Dakar. É verdade que tudo falhou e a sorte não a acompanhou. Mas arriscou muito estar pela primeira vez com um motor diesel, logo sabendo que estava ainda um passo atrás em relação à concorrência. Mas é uma equipa que rapidamente vai voltar às vitórias e que não venderá barata esta derrota.
Finalmente, um balanço à própria prova. Foi um sucesso em termos de público. Quanto à dureza de que tanto se fala, penso que há algum exagero nas críticas. É que uma coisa é dizer que uma etapa é dura do primeiro ao último quilómetro, como às vezes acontecia em África. Outra, bem diferente, é ter essas dificuldades, mesmo que extremas (com dunas altas e difíceis de transpor), localizadas em 30 ou 40 km do percurso. Quanto a mim, o único grande erro da organização foi ter feito o reconhecimento do percurso ainda no Inverno, já que se percebeu, depois, com as altas temperaturas, que o terreno não aguentava a passagem de toda a caravana.












