WTCR: Hyundai pondera sair em 2020

Por a 25 Junho 2019 12:05

Chegar, ver, vencer e… partir? Parece ser essa a filosofia adaptada que a Hyundai pretende usar, com o director da Hyundai Motorsport a abrir a porta de saída da taça do mundo já na próxima época.

Andrea Adamo quer que o futuro da competição fique clarificado e quer alguns pormenores esclarecidos, especialmente no que à Lynk &Co diz respeito.

Apesar da WSC e da Eurosport Events terem chegado a acordo para o prolongamento do contrato em vigor, incluindo também o ETCR, Adamo quer que o caminho que será trilhado seja claro:

“Acho a situação um pouco confusa, porque isto deveria ser uma competição para clientes, e acho que estamos a esticar os limites”, disse a Adamo ao TouringCarTimes. “Eu gostaria entender qual o futuro do WTCR.”

“A Lynk & Co está a fazer um bom trabalho, mas quero entender o que os planos da FIA, da Eurosport e da WSC para o TCR e o WTCR no futuro. Uma vez que sabemos o que vai acontecer, podemos decidir adaptar-nos ou não. Se gostarmos, OK, se não gostarmos, podemos sair. Acho que todos podem ver que a Lynk & Co é um programa completo de fabrica. Não preciso comentar, pois os factos estão aí.”

A Lynk&Co tem neste momento quatro carros em competição no WTCR, o máximo permitido mas não há planos para que os carros compitam noutros campeonatos, às mãos de outras equipas.

“Então, vou analisar o que está a acontecer e decidir o que faremos no futuro. Não está escrito em nenhum lugar que somos obrigados a fazer o WTCR, e o dinheiro que gastamos no WTCR pode ser facilmente usado para apoiar equipas em campeonatos nacionais e regionais, e talvez tenhamos um benefício muito maior, já que a situação aqui é não muito clara.”

Também o BoP foi criticado pelo responsável italiano:

“Se estamos bem, então entre a FIA e a WSC, matam-nos com o BoP, e todos os nossos carros no mundo serão afectados e os clientes não ficam felizes. Se não estamos bem, os clientes também não ficam contentes porque acham que seu carro não é bom. Então no WTCR, independentemente do que façamos, estamos mal e a gastar muito dinheiro”, explicou ele.

” Estou a ponderar se faço bem estar aqui. Eu acho que a jogada inteligente foi a da Peugeot – eles não estão competem aqui (no WTCR), então eles não estão sob foco, e eles têm um BoP bom. ”

“O TCR para nós significa corridas de clientes. Não tenho certeza se o WTCR é isso agora. Para mim, as corridas de clientes é apoiar o TCR China para o tornar melhor, apoiar o TCR New Zealand quando isso acontecer, apoiar a Austrália, Ásia, América, todos esses países e o TCR Europe que se continuar assim, é muito bom. Estou a fazer tudo o que posso para apoiar as competições cliente, e se eu tiver que gastar o orçamento do WTCR para fazer isso, estou pronto para fazê-lo. ”

Na verdade o envolvimento das marcas no WTCR é cada vez maior, incluindo o da Hyundai. Fala-se até de um campeonato do mundo disfarçado tal é o apoio. Mas claro que há visões e estratégias diferentes e a entrada da Lynk&Co, da forma como aconteceu não agradou pois a marca investiu muito e as diferenças para outras estruturas é grande.

Os responsáveis pelo WTCR querem manter este formato, que mostrou ser um sucesso, mas assenta num equilíbrio difícil de manter, que a Lynk &Co veio perturbar. A Hyundai já ganhou no WTCR… ganhou a competição e provou que tem um bom carro que tem conseguido vender com grande sucesso. A saída “à la Peugeot”, que agora tem excelentes resultados no TCR Europe faz sentido, mas talvez seja mais uma forma de pressão sobre os responsáveis, à boa maneira da Red Bull na F1. Veremos se mais alguma marca entra por esta via. Mas ainda assim a ameaça de Adamo não deve ser tomada de ânimo leve.

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