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WEC, 6h de Monza: Final dramático dá vitória à Alpine, portugueses com sortes distintas

Fábio Mendes by Fábio Mendes
10 Julho, 2022
in Autosport Exclusivo, Newsletter, VELOCIDADE, WEC
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WEC, 6h de Monza: Final dramático  dá vitória à Alpine, portugueses com sortes distintas

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Que final de corrida em Monza! Depois de seis horas de prova, as corridas de praticamente todas as categorias foram decididas nos últimos instantes e ainda com grande dose de incerteza. No final, foi a Alpine a vencer à geral, levando novamente a melhor sobre a Toyota, numa corrida em que a Glickenhaus podia (e merecia) ter lutado pela vitória até ao fim e onde a Peugeot teve muitos problemas para terminar a corrida mas mostrou potencial para o futuro. Quanto aos portugueses, Filipe Albuquerque foi novamente bafejado pelo azar, Henrique Chaves teve um acidente violento depois de uma falha nos seus travões. Do outro lado da balança, grande corrida do #38 de António Félix da Costa, vitória da Algarve Pro Racing nos Pro /AM (segunda consecutiva) e vitória nos LMP2 para o #41 do angolano Rui Andrade (que corre com licença portuguesa).

Alpine bateu o pé à Toyota nos Hypercar

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O arranque da prova foi intenso com a luta na curva 1 a ser feita no limite. Romain Dumas, no Glickenhaus #708 (O. Pla / R. Dumas / L. Derani) largou bem e não perdeu a primeira posição conquistada na qualificação de ontem, apesar dos ataques da concorrência. O piloto francês afastou-se dos adversários enquanto o Alpine #36 (A. Negrão / N. Lapierre / M. Vaxiviere) incomodava os Toyota nas primeiras voltas, sob o olhar atento do Peugeot #94 (L. Duval / G. Menezes / J. Rossiter).

The Temple of Speed is today’s theatres of dreams. 6 Hours of Monza, an extreme challenge awaits the drivers and the machines. Let’s go racing.#WEC #6HMonza @ROLEX pic.twitter.com/bVhpe1BvXm

— FIA World Endurance Championship (@FIAWEC) July 10, 2022

Logo após os primeiros 15 minutos tivemos o primeiro Full Course Yellow, com uma manobra mal calculada do Aston Martin #98 (P. Dalla Lana / D. Pittard / N. Thiim) a atirar o Ferrari #54 ( T. Flohr / F. Castellacci / N. Cassidy) para a caixa de gravilha na Parabólica. Várias equipas aproveitaram para ir às boxes e no recomeço, problemas para o #93 (P. Di Resta / M. Jensen / J. Vergne) da Peugeot, que apareceu parado em pista, o que motivou um novo FCY.  O carro conseguiu regressar às boxes, com muitas dificuldades, e ficou parado nas boxes, a contas com um problema na pressão do turbo. O #94 mantinha-se na proximidade dos adversários, mas ia perdendo algum tempo para os homens da frente. O Toyota #8 (S. Buemi / B. Hartley / R. Hirakawa) apresentava problemas elétricos logo no começo da segunda hora de prova e por isso foi passado com relativa facilidade pelo Alpine, com os Toyota a terem dificuldade em segurar os franceses, o que talvez fosse motivado pelo uso de um novo diferencial, que as equipas terão de utilizar forçosamente a partir do próximo ano para equivaler os LMH e os LMDh, o que terá custado alguma performance aos nipónicos. A Glickenhaus manteve-se na frente da corrida até perto do meio da prova, mas uma penalização por infração no procedimento de Full Course Yellow iria entregar a liderança ao #7. Mas o pior aconteceu depois, com o o turbo do motor do Glickenhaus a ceder na volta 96 depois do Safety Car motivado pelo violento acidente do Aston Martin #33, o que acabou com a excelente corrida que a equipa americana estava a fazer, apesar dos problemas no sistema de travagem.

Contact at 300kph between the @SignatechAlpine No.36 and the @TGR_WEC No.7. Oh dear….#WEC #6HMonza pic.twitter.com/2rRo7GRzD8

— FIA World Endurance Championship (@FIAWEC) July 10, 2022

A luta pela liderança estava entregue ao Toyota #7 (M. Conway / K. Kobayashi / J. Lopez) e ao Alpine #36, com o Toyota #8 a conseguir ultrapassar os problemas técnicos, regressando à discussão da vitória. O Peugeot #93 perdeu muito tempo nas boxes e acabou por ficar por lá, sem concluir a prova. As esperanças da marca francesa eram então depositadas no #94, que infelizmente também teve problemas técnicos que obrigaram a uma paragem mais demorada. Um primeiro batismo de fogo duro para o 9X8.

Na frente, a luta Toyota vs Alpine animava os fãs, mas à entrada da última hora, na luta pela liderança, o #7 e o #36 não evitaram um contacto na reta da meta, o que motivou um furo no carro nipónico. O Alpine manteve-se na frente da corrida e tinha agora a pressão do #8. Apesar da pressão final de Hirakawa, Vaxiviere manteve o Alpine #36 na frente até ver a bandeira de xadrez, conquistando a segunda vitória do ano, sendo a primeira tripulação a repetir o triunfo este ano na categoria Hypercar.

Fantástica recuperação do #38 de Félix da Costa

Em LMP2, Will Owen  largou no #22 (P. Hanson / F. Albuquerque / W. Owen) e manteve-se na frente das operações apesar de algumas dificuldades. No entanto, perto do fim da primeira hora, o piloto da United não aguentou a liderança e o #9 da Prema (R. Kubica / L. Deletraz / L. ColOMBO) passou para a liderança, Mais atrás o #38 (R. Gonzalez / A. Da Costa / W. Stevens), que largou do fim do pelotão por um “unsafe release”  na qualificação, ia recuperando terreno e graças aos dois FCY conseguiu instalar-se no meio do pelotão dos LMP2, uma boa operação para os líderes do campeonato. Rui Andrade no #41 (R. Andrade / F. Habsburg / N. Nato) rodava nos primeiros lugares. A corrida parecia bem encaminhada para o #22 de Albuquerque, apesar da luta intensa com o #41 de Andrade, o #9 da Prema e o #1 da Ricardo Mille Racing (L. Wadoux / P. Chatin / C. Milesi). Mas o azar voltou a abater-se sobre o piloto português da United. Um problema no sensor do acelerador do Oreca 07 #22 motivou um regresso às boxes mais lento por parte de Phil Hanson, uma reparação mais demorada e com isso as esperanças de um bom resultado esfumaram-se.

Quem estava a fazer uma grande recuperação era o #38 de António Félix da Costa, que foi aproveitando os FCY e o Safety Car provocado pelo violento acidente de Henrique Chaves, para galgar posições, de tal forma que entrou na última hora de corrida na liderança da prova. A JOTA estava a fazer uma corrida espetacular com os dois carros mas o #28 (O. Rasmussen / E. Jones / J. Aberdein) teve uma saída de pista já na última hora de prova o que acabou com o grande esforço da equipa. Will Stevens fez o último stint (triplo stint) e tentou  aguentar a pressão do #41 e do #10 da Vector Sport (N. Müller / R. Cullen / S. Bourdais) que fez uma grande corrida em Monza. O #41 ficou na frente da sua classe depois do último pit stop, com Stevens a ter a tarefa complicada de tentar vencer, com pneus mais gastos. Stevens não conseguiu aproximar-se de Ferdinand Habsburg que fez o último stint (grande corrida do austríaco) e até ficou sob a ameaça do #10, com Nico Muller ao volante. Habsburg não mais foi incomodado e venceu a corrida em LMP2. Muller tentou passar por Stevens mas o britânico segurou o segundo lugar, importantíssimo nas contas do título e ainda assim um excelente resultado para o #10, a primeira vez este ano que mostraram competitividade.

Algarve Pro Racing vence novamente em LMP2 Pro /AM

A Portuguesa voltou a ouvir-se na cerimónia do pódio em LMP2 Pro /AM. A Algarve Pro Racing venceu em Monza na sua classe, segunda vitória consecutiva para a estrutura sediada no Algarve, depois do estrondoso sucesso em Le Mans. O carro #35 da Ultimante (J. Lahaye / M. Lahaye / F. Heriau) parecia bem lançado para a vitória, mas na quarta hora de prova o #45 da APR (S. Thomas / J. Allen / R. Binder) também se intrometeu na luta pelo triunfo. Uma luta dura até ao final, mas que sorriu às cores da APR, em mais um grande sucesso nesta época que começou de forma tão incaracterística e que agora está muito bem encaminhada.

Ferrari deixou escapara a vitória nos LMGTE Pro

Nos LMGTE Pro, o Ferrari #51 (A. Pier Guidi / J. Calado) começou na liderança da sua classe e desde cedo que se percebeu que os carros da Scuderia iriam lutar pela vitória. O #51 liderou desde o começo da prova e cruzou as 3h de prova na liderança, já na companhia do #52 (M. Molina / A. Fuoco), apesar de estar fora de sequência, aproveitou os incidentes da corrida para chegar perto do carro irmão. Os Ferrari pareciam encaminhados para uma dobradinha, mas o #51 foi penalizado com um Stop & Go e por isso a liderança ficou entregue ao #52 que se manteve à frente do Corvette #64 (T. Milner / N. Tandy), enquanto o #51 tentava recuperar um lugar no pódio, numa luta rasgadinha com o Porsche #92 (M. Christensen / K. Estre) a fazer lembrar a última prova do ano passado que terminou em polémica, o que animou a última meia hora de corrida. Mas a luta aqueceu de tal forma que o #92 foi penalizado com um Drive Through depois de toques no #51 e no carro #88. O golpe de teatro aconteceu a dois minutos do fim, com o Ferrari #52 e o #51 a parar para um Splash and Dash, entregando a vitória ao Corvette #64 de bandeja. Um final inesperado, com a Ferrari a ficar com os dois últimos lugares do pódio e com a Porsche a ficar arredada da festa final.

Grande susto para Chaves nos LMGTE AM

Nos LMGTE AM, o #33 (B. Keating / H. Chaves / M. Sørensen) de Henrique Chaves, com Ben Keating ao volante, passou para a frente da corrida logo no arranque, suplantando o Ferrari #85 (R. Frey / M. Gatting / S. Bovy) de Sarah Bovy. Paul Dalla Lana estragou a sua corrida e a do carro #54 logo nos primeiros minutos com uma manobra mal calculada na parabólica atirou o Ferrari para a caixa de gravilha. A luta na frente acontecia entre o #33 da TF Sport e o #85 da Iron Dames. Mas a corrida para o Aston Martin complicou-se sobremaneira. Henrique Chaves foi penalizado com um Stop & Go por ter excedido a velocidade limite no pit lane, o que comprometeu logo as aspirações da equipa. Mas o pior estava para chegar, com o GT do piloto luso a ficar sem travões na entrada da Variante della Roggia, num violento acidente que terminou com o carro do português capotado, o que motivou um Safety Car e o fim da corrida dos até então líderes do campeonato. Felizmente Chaves saiu pelo seu próprio pé do carro e não sofreu mazelas de maior, mas foi um grande susto.

What a relief to see Henrique Chaves out of the car and on his feet. #WEC #6HMonza @OfficialTFSport pic.twitter.com/4ryjjpTSR5

— FIA World Endurance Championship (@FIAWEC) July 10, 2022

Com o desenvolvimento da corrida, o Ferrari #85 manteve -se na luta pela vitória, com a companhia do Porsche #77 (C. Ried / S. Priaulx / H. Tincknell) da Dempsey Proton Racing e o Porsche #46 da Team Project 1 (M. Cairoli / M. Pedersen / N. Leutwiler). O #77 ainda teve de fazer um Splash and Dash nos últimos minutos, o que aproximou o #85 da luta pela vitória, mas seria mesmo o #77 a vencer, seguido do #85 e do #46.

Destaques da corrida

Foi uma grande prova em Monza. A Toyota não se mostrou competitiva como gostaria e a Alpine teve sempre argumentos para lutar com os nipónicos. A vitória acaba por ser merecida, apesar do incidente que praticamente carimbou o triunfo francês. A Alpine e a sua tripulação lideram o campeonato, mas a resposta da Toyota não deverá tardar. Pelo menos temos boas lutas. A Peugeot teve uma corrida complicada, com vários problemas técnicos, mas esta segunda metade da época vai servir para isso mesmo, limar arestas e preparar 2023. Em ritmo puro, o carro parece ter andamento para se equivaler à concorrência, mas falta ainda a indispensável fiabilidade. O último destaque vai para a Glickenhaus que mostrou argumentos para vencer a corrida. O ritmo inicial de Dumas foi tremendo e a questão parecia bem encaminhada até a falha no turbo do motor Pipo. A equipa americana merecia muito mais,

Em LMP2 o destaque tem de ir forçosamente para o carro #38 que largou do fundo do pelotão para acabar no pódio. Corrida tremenda de Félix da Costa e Cia. e uma grande operação para as contas do título. O #41 de Rui Andrade foi o justo vencedor, com uma estratégia boa e uma grande prestação de Habsburg. O #22 de Albuquerque continua em maré de azar e a APR voltou a vencer. Boa corrida também do #10.

Em LMGTE Pro, a Ferrari foi a mais forte, mas nas corridas de endurance isso não chega. As contas do combustível tramaram a equipa italiana que teve de parar mesmo no final quando um 1-3 estava em cima da mesa. Valeu a consistência do Corvette #64, a vingar um pouco o azar de Le Mans.

Em LMGTE AM, tudo parecia bem encaminhado para o #33, mas o duplo azar de Chaves acabou com a corrida e complicou as contas do título dos seus colegas. Ficar sem travões numa corrida nunca é bom, mas se atirado para o ar por causa dos malditos limitadores que são instalados em certas zonas das pistas é ainda pior. Felizmente não passou de um grande susto. Vitória merecida para o #77, uma das equipas mais fortes mas destaque para o pódio das senhoras do #85, que fizeram uma grande corrida e mostraram que não ficam nada a dever aos restantes.

A próxima prova será em Fuji, uma prova de seis horas agendada para 11 de setembro, a penúltima da época.

Resultados AQUI

Tags: 6h de MonzaAlgarve Pro RacingAlpineAntónio Félix da CostaFilipe AlbuquerqueHenrique ChavesWEC
Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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