Porsche com vitória surpreendente nas 24 Horas de Le Mans
Na reviravolta mais inesperada da história da prova, a Porsche conquistou a sua 18ª vitória nas 24 Horas de Le Mans. A Toyota tinha a vitória perfeita controlada, até que um problema técnico fez o Toyota de Kazuki Nakajima parar na reta da meta quando ainda faltavam cinco minutos para o final. Um incrédulo Neel Jani, que tinha feito uma paragem de última hora devido a um furo lento, passou por Nakajima e completou a volta final na frente. Nakajima ainda completou a volta mas fê-lo em nove minutos e não vai ser classificado. O segundo Toyota fica classificado na segunda posição, à frente dos dois Audi.
A categoria LMP2 viu o triunfo do Alpine da Signatech, que terminou em quinto lugar da geral, numa corrida exemplar da equipa francesa, que bateu a G-Drive Racing por quase uma volta. Vários favoritos, incluindo a KCMG e a Manor, ficaram pelo caminho. Foi o primeiro triunfo da Alpine em Le Mans em 1969 (a vitória de 1978 com um carro de marca Renault). Filipe Albuquerque e João Barbosa completaram a corrida em 10º e 13º, respetivamente, com Albuquerque a marcar os pontos do sexto lugar. A equipa portuguesa Algarve Pro chegou ao final na estreia, em 12º lugar da classe. O quádruplo amputado, Frédéric Sausset, chegou ao fim no Morgan especialmente preparado, no 38º lugar da geral.
Nos GT, a Ford regressou a Le Mans para festejar o 50º aniversário do primeiro triunfo do GT40. Foi uma corrida extramamente difícil entre os três Ford sobreviventes e o Ferrari da Risi Competizione, que liderou várias vezes e terminou na segunda posição. Nos GTE-AM, a Scuderia Corsa não teve problemas e ganhou a classe com o seu Ferrari. Rui Águas e os seus colegas, que tiveram uma saída de pista, recupararam até ao segundo lugar, que dá os pontos máximos já que a Scuderia Corsa não está inscrita no campeonato. Pedro Lamy não chegou ao fim, abandonando com a transmissão presa na sexta velocidade.
Classificação:
1º R. Dumas/N. Jani/M. Lieb (Porsche 919) 384 voltas
2º S. Sarrazin/M. Conway/K. Kobayashi (Toyota TS050) a 3 v.
3º L. di Grassi/L. Duval/O. Jarvis (Audi R18) a 12 v.
4º M. Fässler/A. Lotterer/B. Tréluyer (Audi R18) a 17 v.
5º G. Menezes/N. Lapierre/S. Richelmi (Signatech Alpine) a 27 v. (1º LMP2)
6º R. Rusinov/W. Stevens/R. Rast (G-Drive Oreca) a 27 v.
7º V. Petrov/V. Shaytar/K. Ladygin (SMP BR01) a 31 v.
8º N. Leventis/D. Watts/J. Kane (Strakka Gibson) a 33 v.
9º K. Pu/T. Gommendy/N. de Bruijn (Eurasia Oreca) a 36 v.
10º M. Rojas/J. Canal/N. Berthon (Greaves Ligier) a 36 v.
…
17º R. González/B. Senna/F. Albuquerque (RGR-Morand Ligier) a 40 v.
19º M. Munemann/C. Hoy/A. Pizzitola (Algarve Pro Ligier) a 43 v.
…
20º J. Hand/D. Müller/S. Bourdais (Ford GT) a 44 v. (1º GTE-PRO)
21º G. Fisichella/T. Vilander/M. Malucelli (Ferrari 488) a 44 v.
22º R. Briscoe/R. Westbrook/S. Dixon (Ford GT) a 44 v.
…
24º T. Krohn/N. Jönsson/J. Barbosa (Krohn Ligier) a 46 v.
…
28º B. Sweedler/T. Bell/J. Segal (Corsa Ferrari) a 53 v. (1º GTE-AM)
29º F. Perrodo/E. Collard/R. Águas (AF Corse Ferrari) a 53 v.
30º K. al Qubaisi/D. Heinemeier-Hansson/P. Long (Proton Porsche) a 54 v.
…
38º F. Sausset/C. Tinseau/J.B. Bouvet (OAK Morgan) a 69 v. (1º Garagem 56)
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17 comentários
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Cariocecus
19 Junho, 2016 at 14:37
E no fim ganham os alemães…
Mas que grande pontapé nos tomates!
Iceman07
19 Junho, 2016 at 19:04
Bom, pelo menos desta vez não podemos culpar o Toto Wolff.
Cariocecus
19 Junho, 2016 at 23:45
Será que não? Pode ter enviado um capanga a Le Mans, ainda ontem vi lá o Todt
five
19 Junho, 2016 at 15:53
Parabéns à Porsche. Que grande balde de água fria para os Japoneses, Não mereciam ter perdido no final. Mas sempre foram melhores que a Audi, que foi o desastre completo! Os Tugas presentes foram solidários com a seleção de futebol, sendo este um dos piores dos últimos anos, sem contudo terem culpa própria. O mais chato disto tudo é que ainda falta um ano para Le Mans.
João Pereira
19 Junho, 2016 at 20:17
Sou grande adepto da Porsche. Para mim, o 911 é o melhor carro de sempre, mesmo que o meu filho (só para me arreliar) diga que parece um cão a cag*r…
Em relação a esta edição de Le Mans, lamento 4 coisas:
1 – O azar dos fantásticos 4 portugueses presentes, que foram brilhantes nas suas prestações. Os melhores dentro dos seus carros.
2 – A frustrante derrota da Toyota, que me fez lágrimas sinceras.
3 – Uma vitória da Porsche que nunca celebrarei pela marca, mas que nunca deixarei de celebrar pelos pilotos do carro #2, que a merecem totalmente, já que fizeram o seu trabalho de forma eximia.
4 – É que tenho que concordar consigo quando diz que vamos mais uma vez ter que esperar um ano por mais umas fantásticas e sempre diferentes 24 horas.
Celebro o facto de finalmente assimilar que 24 horas são exactamente 86.400 segundos, e só então se sabe quem ganha esta fantástica prova.
Seven
20 Junho, 2016 at 11:56
Não poderia ter escrito mais nem melhor, sobre todas as impressões que pareço partilhar consigo!
MAXLD
19 Junho, 2016 at 16:52
Inacreditável… ninguém merece perder assim a tão pouco do fim, muito menos a Toyota que depois de tanto anos, esforço, e respeito pela prova, se mostrou no mais alto nível e a merecedora clara da vitória deste ano. O facto de ter ainda cortado a meta mas não ter dado para ficar sequer classificada é ainda pior.
Corrida só acaba mesmo ao fim das 24h, mas acho que ninguém vai discordar ferozmente que nem a Porsche mereceu esta vitória (desta forma), e muito menos a Audi mereceu um pódio com uma prestação miserável. E digo isto, não sendo especial fã da Toyota… mas esta vitória teria dado um alento tremendo ao projecto LeMans da marca e um prémio ao novo 050.
Nos GTE Pro vai ser difícil calar a Ford, com esta vitória na estreia do novo GT. Ferrari da Risi esteve bem, mas o resto nem vê-los.
GTE AM, grande resultado para o Rui Águas, especialmente para o campeonato, e mais um ano para esquecer para a equipa do Lamy. Mete impressão ver mais um ano o Lamy fazer um excelente trabalho e os outros a fazer borrada… incluindo o próprio carro… De resto, Albuquerque anda na mesma situação nos LMP2, assim como o Barbosa. Para quando uma equipa com estes três? Haja dinheiro para investir nesta gente que tanta qualidade tem para dar…
Por fim, resta tirar o chapéu ao Sausset e à sua equipa. Grande exemplo e prestação, a não esquecer tão cedo.
João Pereira
19 Junho, 2016 at 20:29
Concordo em tudo, como poderá verificar pelos meus comentários acima.
Em relação à Ford, digo apenas que é uma marca que tem grande palmarés, mas até hoje, em termos de competição automóvel, se limitou a passar cheques para pagar contas, e quando deu algo de seu em termos tecnológicos, se limitou a fornecer motores de camião.
Sinceramente, não sei bem do que é feito este GT, mas se houver tecnologia FORD, ficarei (agradavelmente) surpreendido. Surpreendido, ficarei se em 2017 Chip Ganassi não tiver de arranjar um patrocinador, se quiser voltar a participar, ou então começar a vender ou alugar carros como faz Malcom Wilson nos ralis…
[email protected]
19 Junho, 2016 at 18:22
Le Mans por vezes pode ser de uma crueldade inacreditável…..mas para se ser primeiro, primeiro tem que se chegar ao fim e foi isso que faltou à Toyota.
Speedway
19 Junho, 2016 at 19:51
Incrível como a Toyota perde as 24 horas nos últimos 4 minutos. Penso que é facto único no longo historial desta prova. A Porsche ganhou sem merecer, já em 1998 a Toyota sempre na dianteira falhou a 1 hora do fim e permitiu o 1-2 ao 911 GT1.Mas isto ultrapassa tudo o que era previsível. Os técnicos japoneses não ficam nada bem no retrato. Como foi possível esta panne ? Depois disto será que ainda têm vontade para continuar ? Parece uma maldição !
João Pereira
19 Junho, 2016 at 19:58
É por estas e por outras que sou ateu. Que raio de desígnios injustos são estes? Sou adepto da Porsche, e por isso esta é a vitória que não queria na história da marca.
Fiquei muito feliz, por perceber desde cedo, que a Toyota tinha todas as condições para vencer, e perto do fim, acreditei e estava feliz. Às 23;56’h de Le Mans, percebi porque esta prova é tão mágica… A sério que me vieram as lágrimas aos olhos.
Tenho consciência que a prova se chama as 24h de Le Mans, e não as 23:56′ de Le Mans. Até sei o suficiente da história das 24h, para perceber a regra que levou à desclassificação do #5 que aceito perfeitamente.
Sou um desportista acima de tudo, e não percebo porque raio a Toyota tem que chorar uma vitória moral (fiquei a perceber o significado da expressão), e a Porsche fica com uma vitória que não merece celebrar.
Espero que no final, a Toyota consiga encontrar a motivação para voltar a tentar, e que a “minha” Porsche e a Audi percebam que ambas têm muitos TPC para fazer nas próximas 52 semanas.
Os meus parabéns vão para a Toyota pela humildade com que veio para esta corrida, e pela forma como conteve as lágrimas que devia ter partilhado sem ferir de forma nenhuma a sua dignidade (culturas!!!).
A Porsche, obviamente tinha que celebrar, mas a Audi é que acabou com um 3º lugar, queração felizmente não deu direito a uma celebração no pódio.
Uma palavra de sincero apreço para mais uma excelente prestação dos nossos rapazes, que mostraram do que são feitos, sem erros e com grande rapidez, para não variar. Foram os melhores das suas formações, o que lamentavelmente não dá troféus.
Uma ultima consideração, para salientar que acredito que com 3 carros por equipa nos LMP1 Hy, a Audi estaria ainda mais embaraçada, a derrota da Toyota não seria tão frustrante, e a Porsche poderia ter arriscado mais na performancedepois de ter perdido o #1, em vez de se resignar à estratégia, porque não correria o risco de cair na célebre asneira da Peugeot na sua última participação.
Parabéns Toyota, e até ás 24,01’h de Le Mans de 2017. Por favor não desistam, pessoalmente preciso da vossa vitória.
teix
19 Junho, 2016 at 22:21
Imaginei que tenha alguma a coisa a ver com algo do passado, mas podias explicar o motivo da desclassificação do #5? Essa história ainda não conheço… Obrigado.
miguelgaspar
20 Junho, 2016 at 11:26
Boas… os pilotos teem de completar a ultima volta, no maximo, em 6 minutos. O carro #5 demorou cerca de 11 minutos a completar a ultima volta, dai a desclassificaçao.
João Pereira
20 Junho, 2016 at 16:13
Existem dois motivos.
Existe uma regra antiga, que determina que um carro só é classificado se “vir” a bandeira de xadrez. A razão, tem a ver com a corrida ser por tempo e não por distancia. Imagine que um carro tinha 15 voltas de vantagem sobre o segundo, abandonava próximo do final, e o outro apenas fazia mais 10 voltas. Isso faria com que o carro que o carro que abandonou, vencesse por ter percorrido mais 5 voltas, logo uma maior distancia embora não tivesse cumprido as 24 horas ou seja a duração total da corrida.
Mas o motivo que tem a ver mais com este caso, tem a ver com as 24h de 1977, em que o Jacky Ickx que fazia equipa com o Henri Pescarolo (na altura usavam-se normalmente apenas 2 pilotos por carro) abandonou cedo com problemas mecânicos, e foi transferido para o segundo carro (Hurley Haywood/Jurgen Barth) que estava muito atrasado (na altura era permitido). Ickx que era um piloto fantástico na chuva, aproveitou a noite, e com stints longos sob chuva intensa e guiando como se só chovesse para os outros, colocou o carro em primeiro com larga vantagem, aproveitando ainda o abandono dos Alpine A442, mas cerca de meia hora antes do final da corrida, o motor furou um piston. Nessa altura, a equipa desligou a ignição e a alimentação nesse cilindro, e quando o Mirage que estava em segundo entrou na ultima volta, o Jurgen Barth que para além de piloto, era engenheiro da equipa, pegou no carro “ao colo”, saiu da boxe, e arrastou o “destroço” pela pista, concluindo a ultima volta em mais de 40 minutos (contando o tempo que esteve nas boxes claro), recebendo a bandeirada e vencendo a prova, ainda com larga vantagem em termos de voltas, 10 ou 12 creio eu (estou a escrever de cor).
Assim, foi para evitar este tipo de situações, que sairam duas regras: uma que diz que durante a corrida, o carro só pode ser pilotado por pilotos que já o tenham guiado na qualificação, isto fez com que este ano o 911 #89 alinhasse só com o Leh Keen e o Marc Miller (MacNeil espatifou o carro ainda antes da noite), e ainda mudasse de AM para PRO, uma vez que não foi permitido que o piloto de reserva que tinha rodado no test day, mas não rodou na qualificação, substituisse o Cooper MacNeil que ficou doente. A outra regra, diz que um carro só pode ser classificado, se fizer a ultima volta em menos do dobro da volta mais rápida da classe, neste caso LMP1 Hy.
Aproveito para dizer, que se o Nakajima em vez de parar o carro uns metros depois da meta, tem parado o carro 1 metro antes da meta e esperado pelo carro #2 receber a bandeirada, até podia ter empurrado o carro à mão para cortar a meta, e talvez salvasse o segundo lugar com menos uma volta que o vencedor, mas sem arrastar o carro durante 11 km, mas naquela situação, deve ser difícil pensar. Eu vi logo que tinha sido asneira, mas obviamente que sentado no meu sofá com uma geladinha na mão, e não dentro do carro a tentar fazer um reset à coisa, é muito mais fácil pensar. Neste caso, deveria ter sido o engenheiro de pista a dizer algo ao seu piloto, em vez de ficar embasbacado a olhar para a televisão. De qualquer forma, não fiz as contas ao tempo que o Nakajima levou para fazer a penúltima volta, mais o tempo da ultima volta do Porsche. Provavelmente o resultado não seria suficiente.
As minhas desculpas ela extensão do texto, e por alguma imprecisão, porque como já disse, escrevi de memória, sem consultar nada, mas acho que está tudo certo, e espero que o tenha esclarecido.
Cumprimentos para si, e muitos parabéns à Toyota Gazoo, à Oreca que é quem põe os carros na pista e aos pilotos dos carros #5 #6 e também do #2..
ligier
19 Junho, 2016 at 20:27
Pois é a Porsche é indissociável de le Mans e vice versa. Mas a ganhar desta maneira duvido que alguém em Weissach tenha ficado inteiramente satisfeito. A Toyota não merecia este infortúnio e dá ideia que os Japoneses foram amaldiçoados. È a segunda seguida depois de SPa. O João Carlos Costa comparou ao grande prémio do Canadá 91 com Mansell parado á saída do gancho sem caixa automática no Williams, mas eu recordo-me da corrida de Le Mans nesse mesmo ano, quando o Sauber Mercedes C11 pilotado pela tripla Schlesser/Mass/Ferté desistiu também perto do fim com o suporte do dínamo partido…e lá morreu o V8 turbo. Ganhou precisamente uma marca Japonesa, mas a Mazda, com um motor Wankel.
A prestação da Audi foi ppéssima para quem queria ganhar, mas não esqueçamos que o carro n º 7 esteve imparável até ter aquele problema. Pelo menos rápido andou. Se juntarem a fiabilidade…
Tantos anos depois mesmo com carros completamente diferentes, esta corrida é de resistência pura. Só ganha quem chega ao fim. E acreditando que a malapata não dure para sempre, a Toyota tem o melhor carro para longos percursos deste ano, isso pareçe óbvio. Infelizmente para os japoneses as 12 horas de Sebring ou os 1000 km de Nurburgring já não estão no calendário…seguem-se novamente corridas de endurance…ao sprint.
Resistência agora só para o ano.
Iceman07
19 Junho, 2016 at 23:15
Perder tudo a faltar 4 minutos deve ser fodid*, não gostava de estar no lugar do pessoal da Toyota.
Bonito fairplay da Porsche: https://twitter.com/Porsche/status/744572580380696576/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw
Vmleal
20 Junho, 2016 at 11:52
Le Mans é mesmo assim. Acompanhei mais uma vez quase toda a emissão a partir do Eurosport que voltou a realizar um trabalho de elevada qualidade, com os comentadores impecáveis a que nos acostumamos. Bem hajam por isso e por fomentarem tão bem o desporto automóvel.
Sobre a vitória com sorte da Porsche ou derrota inglória da Toyota, não me parece que medir o resultado final nesta ambivalência seja prestar o melhor respeito à prova. É verdade que a Toyota fez tudo para ganhar e teve sempre o melhor ritmo. Em condições normais ganhariam, mas isto é uma corrida e aquele imprevisto tanto podia ter acontecido a 6 minutos do fim como a 2 horas do fim da corrida. Está bem, morreram na praia, mas isso aconteceu dentro do tempo da corrida e não podemos esquecer que a Porsche esteve sempre perto, nunca abdicou de lutar pela vitória.
Aliás, acredito que o forcing da Porsche, mantendo a indecisão até aos últimos dez minutos, com separação entre 1º e 2º por segundos obrigou a Toyota a manter o ritmo elevado, num ritmo que traz mais riscos para o carro. Se a Porsche não parecia capaz de dar a volta (por estar no limite), certo é que a Toyota também estava e a sensação que dava, depois do outro Toyota ter problemas é que algo mais podia acontecer e isso aconteceu a 6 minutos do fim. É uma quebra natural nestas provas, talvez o “timming” seja frustrante e duro de aceitar, mas não se pode dizer que a vitória não cabe bem à Porsche. Cabe tão bem aos alemães como caberia aos japoneses se não tivessem aquele problema.
A Porsche nunca abdicou de lutar, nunca se acomodou ao 2º lugar e, pressionando a Toyota até ao fim, colheu o fruto do inesperado, talvez a sorte que lhe faltou com o outro carro que cedo teve problemas.
É assim Le Mans, por isso seria tão justo se fosse a Toyota vencedora como é justa a vitória da Porsche. Estiveram sempre por segundos da liderança (no máximo uma volta) e acreditaram até ao fim. Merecem.