Hidrogénio no WEC: rumo a um futuro sustentável no desporto motorizado
Durante a quinta prova do WEC no circuito de Interlagos, no Brasil, o foco desviou-se temporariamente da ação em pista para o futuro do desporto motorizado sustentável. Uma conferência de imprensa dedicada ao hidrogénio, com a participação de figuras proeminentes como Marek Nawarecki da FIA, destacou o compromisso crescente com esta tecnologia.
Conferência em São Paulo: um marco para o Hidrogénio
O evento, realizado no sábado do fim de semana da corrida 6 Horas de São Paulo, reuniu vozes influentes do ecossistema das corridas de endurance. O painel de oradores incluía Pierre Fillon (Presidente do ACO), Kazuki Nakajima (Vice-Presidente da Toyota Gazoo Racing Europe), Bruno Famin (Vice-Presidente de Desporto Motorizado da Alpine) e Philippe Tramond (Diretor Técnico da Michelin Motorsport).
Pierre Fillon refletiu sobre o percurso iniciado em 2018 com o projeto MissionH24, sublinhando que “descarbonizar as corridas não é apenas uma visão, é um dever. É o ADN das 24 Horas de Le Mans e do WEC. Primeiro, reduzimos o consumo de combustível em quase 50% com os híbridos, e o trabalho que fazemos hoje com o hidrogénio moldará o desporto motorizado e a mobilidade para as futuras gerações”.
Regulamentos de segurança da FIA para veículos a Hidrogénio líquido
Marek Nawarecki, Diretor Sénior de Desporto em Circuito na FIA, anunciou que, no início deste ano, a FIA aprovou os seus primeiros regulamentos de segurança para veículos movidos a hidrogénio líquido, durante a reunião do Conselho Mundial de Desporto Motorizado da FIA em Macau. Este momento representa um marco crucial na jornada. Estes regulamentos, agora integrados no Código Desportivo Internacional, irão sustentar o futuro do hidrogénio no FIA WEC.
Os regulamentos em questão foram desenvolvidos com o contributo de especialistas da indústria em diversos setores, como aeroespacial, energia, infraestruturas de hidrogénio, armazenamento automóvel de hidrogénio, tecnologias de reabastecimento, integração de sistemas, avaliação de riscos e engenharia de segurança, bem como fabricantes de automóveis e o ACO. Estes estabelecem padrões rigorosos para áreas como a integração de veículos, sistemas de armazenamento e procedimentos de reabastecimento.
Progressos e perspetivas dos fabricantes
A conferência também evidenciou os progressos significativos alcançados pelos fabricantes. O Alpenglow Hy6 da Alpine e o GR Corolla H2 da Toyota já estiveram em pista – o primeiro completou voltas de demonstração nos circuitos de La Sarthe e Spa-Francorchamps em eventos do WEC (atingindo uma velocidade de 313 km/h na reta de Mulsanne em Le Mans), e o segundo concluiu com sucesso as 24 Horas de Fuji no início deste ano. Tanto a Alpine quanto a Toyota optaram por motores de combustão a hidrogénio em vez de células de combustível, invocando a experiência de condução e a relevância técnica.
Kazuki Nakajima afirmou que o carro da Toyota “participou nas 24 Horas de Fuji, com Akio Toyoda, entre outros, e não teve problemas significativos durante o evento. Conseguimos melhorar o sistema de reabastecimento. Estes são pontos cruciais para a implementação do hidrogénio, uma tecnologia que já existe e é promissora tanto para a competição como para a mobilidade.”
Bruno Famin, da Alpine, abordou o potencial do hidrogénio: “O hidrogénio é uma solução interessante; complementa o totalmente elétrico. No Alpenglow, o hidrogénio alimenta um motor de combustão, que exige um processo de combustão específico e um sistema dedicado de armazenamento e enchimento. A vantagem do motor de combustão? Permanece um motor de combustão com todas as suas sensações, ruído e vibração.”
O Papel da Michelin e o Horizonte de 2028
Philippe Tramond, da Michelin, forneceu informações sobre o desenvolvimento de pneus, destacando que o produto do fabricante é concebido para suportar as características de carga únicas de veículos a hidrogénio, que são tipicamente mais pesados, sem comprometer o desempenho. Além disso, estes pneus são compostos por mais de 70% de materiais reciclados ou renováveis, com o francês a descrever as suas propriedades como “dignas de um pneu de corrida, respeitadoras do planeta”.
A partir de 2028, protótipos movidos a hidrogénio estão programados para se juntarem aos carros de corrida com motor de combustão na grelha do FIA WEC.
A aposta no hidrogénio, especialmente em motores de combustão, representa uma via promissora para a descarbonização do desporto motorizado, permitindo a manutenção das sensações e do espetáculo que caracterizam as corridas, ao mesmo tempo que se alinha com os objetivos de sustentabilidade. A colaboração entre entidades reguladoras, fabricantes e fornecedores, como a Michelin, é fundamental para o avanço e a integração segura desta tecnologia, que tem o potencial de influenciar não só o futuro das corridas, mas também a mobilidade rodoviária em geral.
FOTO FIA/DPPi
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