Entrevista a Filipe Albuquerque: “Vou continuar com a Wayne Taylor Racing, mas não com a Nielsen”

Por a 17 Dezembro 2025 11:42

Entre protótipos LMP2, hipercarros, chassis novos e programas em transformação, Filipe Albuquerque tornou-se, ao longo dos anos, num dos pilotos mais valorizados do paddock precisamente pela sua capacidade de desenvolvimento. Já ajudou a transformar projetos como os Ligier, esteve na génese do sucesso da United Autosports com o Oreca, moldou o Acura da Wayne Taylor Racing e, mais recentemente, enfrentou o desafio de elevar a Nielsen Racing.

Mas será que esse trabalho, repetido ano após ano — horas de testes, afinações, tentativas e erros — não cansa? Ou será que esse é precisamente o tipo de desafio que o motiva? Nesta parte da entrevista, Filipe revela a relação íntima que tem com a construção de performance e explica porque acredita que o piloto certo pode transformar uma equipa inteira… mas só se a equipa estiver disposta a confiar nele.

AutoSport — Tens anos de experiência a desenvolver carros: Ligier, Oreca, Acura… Nunca te cansas desse trabalho de base? Não preferias entrar num carro já perfeito e só ganhar corridas? Ou esse processo dá-te prazer?

Filipe Albuquerque — “Os dois. Honestamente, os dois. Em todas as equipas onde fui contratado, acabei por entrar numa fase de desenvolvimento. A United começou comigo, começou do zero com um carro que também era novo, primeiro em Ligier, depois a passagem para Oreca. A Wayne Taylor já era uma equipa ganhadora quando cheguei, mas isso não significa que não precise de ajustes. O bom piloto tem sempre de moldar a equipa e o carro àquilo que precisa.”

“Olha o Schumacher: quando chegou à Ferrari, a Ferrari não ganhava. Ele moldou a equipa à sua maneira — e só depois vieram os resultados. Às vezes, o mais difícil é mesmo isso: a equipa confiar no piloto. O piloto pode levar o carro ao limite, mas se a equipa não consegue construir um carro rápido, há um limite. A Ferrari é um excelente exemplo disso: talento não falta, dinheiro não falta, ambição não falta. O que falta? Falta aquele alinhamento total entre piloto, engenharia e operação. Funcionou com o Schumacher porque a equipa virou alemã, digamos assim”.

AutoSport — Ou seja, o piloto também eleva a equipa, mas só se houver confiança mútua.

Filipe Albuquerque — “Exatamente. Confiar, estar alinhado e vestir a camisola. Há histórias do Schumacher que ficava até à meia-noite na oficina com os mecânicos. Quando o piloto fica, os mecânicos ficam. Isso cria cultura. Eu sempre fui muito atento a isso: que toda a gente vista a camisola. Este ano, na Nielsen, tive um momento interessante: o engenheiro e alguns mecânicos vieram dizer-me que, se eu não ficasse, eles também não queriam ficar. Isso diz muito das relações que se criam numa equipa.”

AutoSport — Portanto, a pergunta fica respondida: vais repetir os programas em 2025.

Filipe Albuquerque — “Vou repetir com a Cadillac, sim, no programa da Wayne Taylor Racing. Mas não vou continuar com a Nielsen.”

AutoSport — Não vais? Porquê?

Filipe Albuquerque — “Políticas, interesses, mudanças internas… grande parte da equipa vai ser outra no próximo ano. Portanto, não vou continuar. Resta ver como a equipa segue daqui para a frente.”

AutoSport — E no ELMS? Já sabes onde vais correr?

Filipe Albuquerque — “Ainda não. Mas, como disseste, só faz sentido com uma equipa que tenha mais andamento do que a Nielsen teve este ano. A Nielsen era suposto ser um projeto a longo prazo — que até começou bem em termos de ambição — mas depois as políticas internas alteraram um pouco o cenário. Para continuar, teria de ser com uma estrutura capaz de lutar consistentemente na frente.”

AutoSport — E Le Mans? Podemos contar contigo?

Filipe Albuquerque — “Sim, à partida sim. Mas estamos sempre dependentes da lista de inscritos. Se Le Mans não aceitar o terceiro Cadillac, então terei de tentar ir com um LMP2.”

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