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Top 10 pilotos velocidade internacional dos 40 anos do Autosport

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10 Dezembro, 2017
in VELOCIDADE
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Portugal sempre teve, e continua a ter, boas presenças no competitivo ‘Mundo’ das ‘corridas lá fora’, e as preferências foram para os pilotos que passaram pela F1

Texto: Sérgio Fonseca

“Tenho cara de miúdo mas de carros percebo eu” – lembra-se de quem dizia isto num anúncio de televisão? É muito provável que sim. Duas décadas passaram e Pedro Lamy continua a ser o favorito dos portugueses. O piloto da Aldeia Galega que um dia colou o país à televisão a torcer por ele, como dificilmente voltaremos a assistir, há muito deixou a Fórmula 1 para trás, mas continua hoje a merecer o reconhecimento por ter construído o que será unanimemente considerada a carreira de maior sucesso de um piloto de automobilismo em Portugal. Encerrado o capítulo da Fórmula 1 com aquele ponto alcançado no Grande Prémio da Austrália de 1995 como ponto alto, o primeiro de um piloto português na disciplina máxima do desporto automóvel, Lamy manteve-se a competir ao mais alto nível.

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Recordista de vitórias nas 24 Horas de Nürburgring, Lamy fez-nos sonhar que era possível um português vencer a 24 Horas de Le Mans, triunfou no Le Mans Series, ora com o LMP1 da Peugeot, ora na classe GT1, e representou grandes construtores nesta caminhada, como a Aston Martin, BMW, Chrysler, Mercedes-Benz, Peugeot ou a Porsche. Vinte anos depois, aos 45 anos, Lamy ainda está lá no topo, retribuindo à legião de fãs que ainda reúne com os resultados que nos habituou, representando um construtor e lutando por um título num Campeonato do Mundo FIA.

Até ao terrível acidente do mês de Setembro, Tiago Monteiro estava a fazer a sua melhor temporada nas corridas de Turismo, arrastando consigo o entusiasmo dos adeptos nacionais e dos media, mesmo num ano particularmente delicado para o WTCC.

Mesmo depois da passagem pela Fórmula 1, em que guarda como melhor memória o único pódio alguma vez obtido por um português no “Grande Circo”, o piloto do Porto sempre soube cuidar da sua imagem excepcionalmente, conseguindo entrar na comunicação social não especializada como poucos companheiros de profissão. Apesar de nunca ter conquistado um campeonato na sua carreira, o primeiro piloto português a vencer a Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau, e que foi vice-campeão das World Series by Nissan e do Campeonato Francês de F3, é uma cara conhecida dos portugueses e altamente respeitado fora de portas nos círculos do automobilismo internacional. A segunda posição neste ranking não pode ser considerada uma surpresa.

Nem uma temporada para esquecer, sem culpa própria, a bem da verdade, no Campeonato FIA de Fórmula E afastou os portugueses de António Félix da Costa. Este terceiro lugar prova que os portugueses ilibam aquele que foi o único piloto luso a vencer o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 por duas ocasiões. A última esperança de Portugal voltar a ter um piloto na Fórmula 1 saiu da esfera da Red Bull para estar à “mercê” da BMW.

Depois de uma passagem com altos e baixos pelo DTM, o construtor germânico quis que o piloto da linha de Cascais fosse o seu piloto de eleição na competição de carros eléctricos que, apesar de estar na moda, ainda não convenceu o mais tradicional adepto de desportos motorizados.
A popularidade de AFC é facilmente autenticada pelo facto de ser o piloto português com mais seguidores nas redes sociais.

João Barbosa foi um surpreendente quarto classificado nesta classificação, pois nem sempre os resultados do piloto de Rebordosa fizeram notícia cá dentro.  Vice-campeão de Itália de F3 e campeão da Fórmula Alfa Boxer, Barbosa foi o primeiro luso a vingar nos “States”, terra que o adoptou e onde actualmente reside.

Depois uma passagem pela Fórmula Atlantic, Barbosa deu nas vistas nas quatro temporadas em que esteve ao serviço da Mosler e que haveria de se traduzir numa relação produtiva com a equipa inglesa Rollcentre Racing. Regressou aos EUA pelas mãos da Brumos e entrou para a Action Express Racing da família France, os donos da NASCAR, em 2010, tendo por lá ficado até hoje. Barbosa subiu ao lugar mais alto do pódio nas 24 Horas de Daytona, venceu também as 12 Horas de Sebring e conquistou por duas vezes o campeonato de resistência mais importante em terras do “Tio Sam”.

Filipe Albuquerque fecha o “Top-5”. O primeiro português a fazer parte das fileiras do Red Bull Junior Team venceu a super-competitiva Eurocup Fórmula Renault em 2006, celebrou o primeiro triunfo de Portugal no defunto A1 GP e competiu no DTM com a Audi, mas foi nas corridas de resistência que arrebatou o coração dos portugueses.

O piloto de Coimbra fez parte do projecto LMP1 do construtor de Ingolstadt, mas foi na categoria LMP2 do European Le Mans Series que se afirmou na “endurance” e por três vezes – duas no Estoril e uma no Algarve – viu fugir-lhe o título por entre as mãos, mas nunca perdeu o apoio dos sempre exigentes admiradores lusitanos. Os bons resultados na Europa levaram-no ao outro lado do Atlântico, à conquista do “American Dream”, onde com a Action Express Racing ficou em segundo nas 24 Horas de Daytona, venceu a Taça Norte-Americana de resistência e se prepara para a sua primeira temporada completa em 2018, fazendo equipa com Barbosa.

Depois de Pedro Lamy, Álvaro Parente é o piloto português com mais títulos internacionais. O piloto do Porto, que foi lançado pelo projecto Team Portugal de Luís Vicente, venceu praticamente em todas as categorias por onde passou. Pelo caminho conquistou campeonatos de topo, como o Britânico de Fórmula 3 e as World Series by Renault, e ficou à porta da Fórmula 1 já depois de ter um contrato na mão. Nos GT e ao serviço da McLaren GT desde 2011, o piloto nortenho foi campeão no International GT Open e no Pirelli World Challenge. Ao contrário de outros compatriotas, Parente sempre manteve uma atitude bastante “low profile”, nunca expondo a sua vida privada e limitando a sua presença nas redes sociais às suas actividades desportivas, e talvez essa seja a única razão porque não ficou mais acima na nossa votação.
Há muito afastado das pistas, Pedro Matos Chaves continua a ser muito acarinhado pelos adeptos portugueses. Aquele que foi o primeiro piloto português da era moderna que esteve às portas dos Grande Prémios foi campeão britânico de Fórmula 3000 e o primeiro piloto luso a vencer uma corrida nos EUA, no seu périplo pela Indy Lights, naquela que é a vitória que o portuense recordou ao AutoSport TV como ser a mais marcante da sua carreira.

Os dois títulos de campeão nacional de ralis aproximaram-no ainda mais dos fãs portugueses e deixam para segundo plano o título de campeão espanhol de GT, com um Saleen S7-R, carro que o levaria a competir nas 24 Horas de Le Mans e no FIA-GT antes se despedir das pistas.

Na posição seguinte ficou outro piloto da mesma geração, Ni Amorim. O actual presidente da FPAK construiu a sua carreira nas competições nacionais, onde coleccionou títulos dentro de portas para depois dar o salto lá para fora, e com ele, os portugueses tiveram por quem torcer nos mais importantes palcos do automobilismo mundial. Numa carreira rica em sucessos, Ni Amorim foi dos primeiros pilotos portugueses a representar equipas oficiais, primeiro nas corridas de Turismo, tendo sido piloto de fábrica da Mercedes AMG na Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau e da Opel no CET e no DTM.

Depois, nas corridas de GT conduziu os Chrysler Viper oficiais, para além do protótipo da marca norte-americana nas 24 Horas de Le Mans.

Com um currículo invejável, onde ainda se destaca a vitória na classe Cup do Campeonato Britânico de GT, um vice-campeonato de Espanha de GT, subidas ao pódio nas 24 horas de Daytona, o piloto portuense foi um dos pioneiros a representar Portugal no estrangeiro de uma forma regular, disciplinas de monolugares à parte, desbravando caminho para as gerações seguintes.

Miguel Ramos é o único “Gentleman Driver” na lista e não é por acaso. O engenheiro mecânico de profissão tem sido presença assídua nos principais campeonatos de GT e resistência na última década, tendo inclusive sido campeão de Espanha, de Itália e do International GT Open. Com mais de meia centena de vitórias no seu percurso, Ramos conta com um dos mais ricos currículos de um piloto “não-profissional” a nível europeu.

Ao mesmo tempo, o piloto de Vila Nova de Gaia conduziu na sua carreira alguns dos carros mais icónicos das provas de endurance da última década, como o Maserati MC12 da Vitaphone Racing Team ou o Lola-Aston Martin B09/60 LMP1 com as cores da Gulf.

Last but not least, a encerrar o nosso Top-10, ficou o piloto português que um dia ombreou com Fernando Alonso e só perdeu na secretaria. Com trinta e três anos de carreira e agora focado nas provas nacionais, o nome de Manuel Gião confunde-se ainda assim com a presença portuguesa nas provas de velocidade além-fronteiras, gozando de especial reputação em Espanha.

No país vizinho, Gião conquistou um campeonato de GT, foi vice-campeão por quatro ocasiões, para além de ter sido vice-campeão de Fórmula 3. O vasto currículo internacional do campeão nacional de Fórmula Ford de 1999 conta ainda com um ceptro conquistado na Super Fórmula em Itália, vice-campenatos na Fórmula Opel-Lotus, Euro Open Nissan e SEAT Eurocup.

Como qualquer ranking desta natureza, vale o que vale, e este não é excepção. No entanto, mostra acima de tudo quais são os pilotos de velocidade mais próximos dos aficionados portugueses, relegando os resultados e as performances para um segundo plano.

Está será talvez a única justificação plausível para não entrarem nos nossos “dez primeiros” pilotos como André Couto, vice-campeão do Super GT e campeão da categoria GT300, ou Rui Águas, vencedor, entre muitas coisas, da categoria GTE-Am do WEC o ano transacto.

Pilotos portugueses Velocidade Internacional

1 Pedro Lamy
2 Tiago Monteiro
3 António Félix da Costa
4 João Barbosa
5 Filipe Albuquerque
6 Álvaro Parente
7 Pedro Matos Chaves
8 Ni Amorim
9 Miguel Ramos
10 Manuel Gião

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