Porsche Sprint Challenge: Manuel Alves – Passado, presente e futuro
Manuel Alves tem sido o homem em destaque na Porsche Sprint Challenge Ibérica (PSCI). O piloto da Trofa nasceu e cresceu no mundo do automobilismo e encontrou na competição com a chancela da Porsche Motorsport o lugar ideal para crescer e evidenciar-se.
O bicampeão da PSCI falou com o AutoSport, percorrendo a sua história até ao título conquistado no Estoril, numa caminhada feita de paixão, com a família a desempenhar um papel fundamental.

Das origens ao karting
A paixão pelas corridas vem do berço. Como quase sempre acontece nas histórias de destaque do automobilismo, é bem cedo que a paixão pelas corridas começa a ser nutrida:
“Tudo começa praticamente desde que nasci, porque o meu pai começou a competir por volta de 2004, 2005. Eu nasci em 2003”, conta Manuel Alves. “Desde pequeno, vivi no mundo das corridas. Tenho o meu pai, que era piloto, o meu tio, que era um grande aficionado das corridas. Dentro de casa, as corridas eram tema central.”
Como muitos miúdos, Alves começou no futebol, mas aos nove anos descobriu a verdadeira vocação: “Pedi ao meu pai para ir andar de karting. Foi aí que tudo começou. Iniciei-me no Cabo do Mundo e depois, passados três ou quatro meses, entrei efetivamente para a equipa de competição de karting.”
O salto para os automóveis
Aos 16 anos, Manuel Alves estreou-se nos automóveis, com um FIAT Punto, em setembro de 2019. “Foi uma reedição da Taça FEUP. O meu pai corria nas competições da ANPAC, o meu tio era organizador da ANPAC, tínhamos o Punto. Fiz 16 anos em junho e em setembro fui lá fazer a minha primeira prova.”
“Correu muito bem. Ganhei a primeira corrida, na segunda corrida fiquei em segundo. Nesse mesmo ano, em outubro, também fiz a última corrida do Campeonato Nacional de Clássicos de Punto no Algarve e ganhei a segunda corrida.”
Nos karts, Manuel Alves reconhece que não era um fora de série: “Nunca me considerei um fora de série nos karts. Era competitivo, ganhei muitas corridas, fui vice-campeão ibérico e nacional em 2018, mas nunca fui um predestinado.”
Contudo, nos automóveis, a história começou a ser diferente.
O desafio do Kia Picanto
Entre 2020 e meados de 2022, Manuel Alves competiu na Kia GT Cup, que durante algum tempo foi a rampa de lançamento de jovens talentos. Foi um período de aprendizagem, mas também de frustração, numa transição que nem sempre foi fácil para um jovem que vinha de uma realidade diferente. Apesar da competitividade, nunca chegou ao andamento que desejava. Um período de aprendizagem e alguma frustração:
“Nunca me adaptei muito bem ao carro. Era competitivo e consegui bons resultados, mas sinto que nunca entendi muito bem o carro, o estilo de condução necessário para ser ainda mais rápido. Admito que andava um pouco desanimado com as corridas porque sentia que não conseguia chegar ao nível que queria.”
A revelação no TCR
Em 2021, uma prova de TCR mudou a perspetiva. Manuel Alves dividiu o carro com Rafael Lobato, piloto experiente na categoria. Foi aí que tudo se começou finalmente a encaixar. Num carro mais potente, mais exigente, o jovem piloto encontrou-se e mostrou potencial. Esse momento acabou por ser crucial, pois devolveu confiança e motivação:
“Estrear-me com o Rafa num TCR foi uma grande responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, foi uma bênção. Comparando a minha melhor volta com a do Rafa, a diferença foi de seis, sete décimas. Para quem pilotava pela primeira vez aquele carro, comparado com um piloto já experiente e talentoso, era um excelente indicador.”
“Chegámos à conclusão de que não era falta de talento. Apenas não me conseguia adaptar ao Picanto e, nos TCR, senti-me muito melhor e mais competitivo. Mas mesmo depois de darmos essa boa prova, decidimos fazer mais um ano de Kia Picanto, uma decisão tomada em conjunto com o meu pai e com o meu tio, que foram e são as duas principais figuras da minha vida. Apesar das dificuldades e das boas indicações nos TCR, não queríamos saltar etapas.”
A perda do tio e a mudança de rumo
Em 2022, o mundo de Manuel Alves ficaria virado do avesso. O tio Paulo Alves faleceu, deixando um vazio grande no jovem piloto, que acabaria por colocar a sua carreira em pausa para se reencontrar. Ainda assim, fez questão de estar presente na prova de Portimão, logo a seguir ao falecimento do seu tio, para lhe prestar a devida homenagem:
“As corridas de Portimão aconteceram duas semanas depois do meu tio falecer. Foi uma prova que senti que tinha de fazer, por ele e pela nossa paixão. Mas depois sentimos a dureza do golpe. Foi muito difícil. Como toda a gente que me conhece sabe, o meu tio era um segundo pai para mim e continua a ser. As corridas eram a maior paixão da vida dele, aquilo de que mais gostava. Sentimos que tinha de ser, que tínhamos de fazer essa corrida.”
Após Portimão, o projeto foi abandonado a meio da época. Mas, na vida e nas corridas, aos momentos maus, sucedem-se momentos de reencontro que podem levar a outros voos.
A entrada nos Porsche GT3 Cup
Em setembro de 2022, surgiu o convite que mudaria tudo. A QF convidou Manuel Alves para disputar uma prova da GT3 Cup, a anterior designação da Porsche Sprint Challenge Ibérica, em Jerez de la Frontera. E, depois de um momento difícil, surgiu um momento de afirmação:
“No primeiro fim de semana acabei com excelentes sensações. Era o primeiro contacto com um GT e com o carro de tração traseira, com mais potência. Consegui fazer um segundo e um terceiro lugar. Para um jovem de 19 anos, sem experiência, foi um excelente resultado e reconheço que fiquei bastante animado.”
Manuel Alves não esquece a oportunidade e revela-se agradecido a quem a proporcionou: “Tenho de estar sempre muito grato à QF por me ter dado essa oportunidade. Abriram-nos a porta de um mundo novo e mostrámos que efetivamente tínhamos valor. E esse mundo novo acabou por se revelar fundamental no meu percurso.”
O regresso a casa e a temporada de 2023
Depois de um 2022 difícil, Manuel Alves “regressou a casa” em 2023, para dar início a um projeto que se revelou a sua verdadeira rampa de lançamento. A entrada na LOB Motorsport permitiu-lhe encontrar um ambiente familiar, onde redescobriu definitivamente a alegria das corridas e onde lançaria a base do projeto que permitiu consolidar a sua afirmação:
“Regressei à LOB Motorsport, que é como uma família para mim. O meu pai e o Luís Barros correram praticamente sempre juntos na mesma equipa. A família Barros criou a sua própria equipa e receberam-nos. Foi um regresso a casa, como tinha de ser.”
A Porsche Sprint Challenge Ibérica era o próximo desafio. Com a estreia num Porsche 991.2 o jovem piloto assumiu uma ambição moderada, sempre com os pés bem assentes na terra: “Nesse ano, competimos contra grandes nomes da velocidade nacional. Tínhamos o Francisco Mora, tínhamos o Pedro Salvador, que dispensam qualquer tipo de apresentação. Na primeira corrida, até contamos com a presença do Dylan Pereira, outro grande piloto. Fizemos quarto em ambas as corridas, mas tínhamos muita distância para a frente.”
O choque de realidade foi duro, mas com os pés bem assentes na terra, Alves encarou este primeiro capítulo como uma aprendizagem exigente, mas necessária: “Lembro-me perfeitamente de que, na corrida 2 de Portimão de 2023, ficámos a 35 segundos do Mora. As distâncias eram muito grandes. Mas tinha plena consciência de que o primeiro ano seria de aprendizagem. Não era um miúdo, sem experiência, que ia superar alguns dos melhores pilotos da atualidade.”
A primeira vitória que mudou tudo
No entanto, nem sempre os planos são seguidos à risca. Por vezes por bons motivos. Em Motorland Aragón, aconteceu o inesperado: a primeira vitória de uma temporada que era de aprendizagem, sem grandes expetativas.
“Na primeira corrida em Motorland, ganhámos. À frente do Mora e do Salvador. Não vou mentir… não estávamos à espera. Foi uma excelente surpresa. Mas, ao mesmo tempo, conseguimos provar um pouco daquilo que eu e a LOB Motorsport éramos capazes. E, contra todas as expetativas, durante o resto da temporada estive sempre na luta pelas vitórias. Terminei o ano com o sentimento de que realmente pertencia ao mundo das corridas, que era capaz de chegar ao nível dos melhores.”
A chave da evolução: conhecer o carro
Para Manuel Alves, 2023 não foi apenas sobre resultados. Foi um ano fundamental na sua evolução como piloto e na forma como via e entendia as corridas:
“O importante foi sempre aprender o máximo que conseguíamos. Solidificar bem o conhecimento do carro, porque isso também é muito importante. Sendo um miúdo novo a entrar no mundo dos GT, ainda por cima com um GT3 Cup, não podia pensar que já estava ao nível dos grandes nomes da competição. Apesar dos bons resultados que fomos obtendo, focámo-nos sempre na aprendizagem. Nunca me iludi e sabia que, para crescer, tinha de trabalhar muito.”
“Consegui evoluir, perceber bem o carro. Hoje em dia consigo, por exemplo, sentar-me no 992, dar meia dúzia de voltas, parar e saber exatamente do que o carro precisa para ser competitivo. Acho que consegui ganhar muita experiência nesse ano.”
2024: o ano da afirmação
A temporada seguinte foi de domínio absoluto. Depois de um 2023 de grande evolução, no ano seguinte a experiência acumulada serviu para dar mais um passo e chegar aos título:
“2024 foi um excelente ano. Vencemos nove das 12 corridas, apresentámos um nível competitivo muito forte e consolidámos o nosso projeto. Foi um ano em que conseguimos afirmar-nos no panorama de GT em Portugal. As vitórias consecutivas despertaram curiosidade e interesse, o que permitiu alavancar o nosso projeto. Mas sentia que era preciso um salto competitivo, para a minha evolução. E esse salto aconteceu em 2025.”
“Todo o meu percurso pré-2025 foi um processo enorme de evolução, de aprendizagem. Tivemos golpes muito duros, como o falecimento do meu tio, que foi uma machadada enorme no meu seio familiar e na minha visão desportiva das coisas. Mas, passo a passo, conseguimos chegar onde queríamos, nem sempre da forma mais fácil, mas a caminhada ganha ainda mais valor assim.”
Um percurso de evolução
A época seguinte foi de grandes lutas. A Porsche Sprint Challenge Ibérica apresentou um plantel mais competitivo e a exigência subiu. Era exatamente isso que Alves pretendia: uma arena mais severa onde pudesse aprender e evoluir, mesmo que isso significasse enfrentar muitas dificuldades.
Se 2024 foi o ano do domínio absoluto, 2025 foi o ano da confirmação perante a adversidade. Ao volante do novo Porsche 992 GT3 Cup, Manuel Alves enfrentou um nível de competitividade muito superior, encabeçado por Dylan Pereira.

O “click” de Navarra e a evolução do ritmo
A adaptação ao novo carro foi rápida, mas o piloto admite que o verdadeiro salto qualitativo aconteceu a meio da época.
“Até ao fim de semana de Navarra fomos sempre muito competitivos no ‘volta a volta’, desde a primeira prova em Portimão. Mas aquilo que realmente interessava, que era o ritmo de corrida, demos um grande passo no ‘step up’ em Navarra”, explica Manuel Alves. “Conseguimos perceber melhor o carro, como reagia às alterações de afinação e à degradação dos pneus.”
A evolução é mensurável através da comparação direta com os rivais: “Em Portimão, numa fase inicial, o Dylan estava muito forte em relação a mim e ao Borja García, que se transformaram nas minhas referências para esta temporada. Em Monteblanco já não estávamos muito longe. Em Valência, o Dylan estava um furinho acima. Mas, a partir de Navarra, o ritmo de corrida já estava ali à décima.”
A prova final no Estoril foi a confirmação dessa paridade: “As melhores voltas da corrida 2 foram exatamente iguais, no segundo 35.1, e acabámos a corrida os três separados por menos de dois segundos. A evolução foi tremenda, tanto a nível de condução como de ritmo.”
Vencer perante nomes consagrados
Bater Dylan Pereira, um piloto com currículo na Porsche Supercup, não foi tarefa fácil. Manuel Alves mantém o realismo, mas valoriza o feito.
“Tenho a perfeita consciência de que as circunstâncias me favoreceram e prejudicaram o Dylan. Se ele estivesse sozinho no carro, pela experiência e ritmo competitivo que tem, seria diferente. E com isso não quero menosprezar ninguém, é apenas uma constatação de factos. Ele chega a fazer 30 fins de semana por ano, e eu fiz seis”, admite o piloto da Trofa. “Mas cheguei ao fim desta temporada com a convicção de que me posso bater com ele, se ambos estivermos no mesmo contexto competitivo.”
O papel de “coach” com Kika Queiroz
A temporada de 2025 ficou também marcada pela evolução notável da sua colega de equipa na LOB Motorsport, Francisca “Kika” Queiroz, que venceu a Ladies Cup. Manuel Alves assumiu um papel informal de mentor, numa colaboração que se revelou proveitosa para ambos.
“Foi uma surpresa muito agradável. Comecei um trabalho com ela, uma espécie de aconselhamento. É uma piloto que no ano passado andava a 7 ou 8 segundos da frente e hoje em dia anda a 3 ou 4 segundos no máximo”, elogia. “Era uma miúda que tinha medo de arranques e hoje em dia está lá no meio, sem receios.”
A relação de aprendizagem acabou por ser bidirecional. Manuel recorda um momento em que foi a aluna a ensinar o mestre: “Um dos meus pontos fracos no início do ano eram os arranques parados. Em Monteblanco, ela faz um arranque melhor do que o meu. Fomos ver a telemetria e percebi o que eu estava a fazer mal e o que ela estava a fazer bem. Há sempre algo a aprender e é essa postura que mantenho sempre.”
O futuro: o sonho europeu e a realidade financeira
Com dois títulos no bolso, o passo lógico seria a internacionalização. Contudo, o automobilismo é um desporto onde o talento nem sempre paga as contas.
“O meu grande objetivo era conseguir dar o salto para a Europa”, confessa Manuel Alves. “O objetivo é tentar manter-nos no espectro da Porsche, porque abre um leque de oportunidades muito grande. Já tive propostas para o Lamborghini Super Trofeo, Carrera Cup Benelux, GT Cup Europe, Carrera Cup Alemanha e até LMP3. Propostas, graças a Deus, não nos faltam. Para termos propostas é porque somos uma possibilidade real para as equipas. Mas estamos a falar em duplicar ou triplicar os orçamentos que temos cá.”
Manuel Alves é pragmático sobre as probabilidades: “Se vamos conseguir ou não… é uma questão de trabalhar agora durante o inverno para reunir as condições. Adorava ir lá para fora para continuar a minha curva de aprendizagem. É possível? É. É difícil? É muito difícil.”
Caso a verba não apareça, o plano B poderá passar por manter-se por cá ou explorar os GT4, embora o piloto tenha reservas: “Os GT4 são uma excelente opção e o nível é altíssimo. Mas, ao mesmo tempo, não queria desperdiçar tudo que fizemos até agora. Tenho muito conhecimento e andamento no 992. Matar agora o projeto deste carro, onde só tenho um ano de experiência real, seria desperdiçar três anos de trabalho árduo, incluíndo o tempo com o 991.2.”
A preferência pelos campeonatos monomarca (como a Porsche Cup) em detrimento dos GT4 também se prende com a dependência de colegas de equipa: “Se eu tiver um acidente, a culpa é minha. Não há aquela situação de ‘o meu colega de equipa bateu, eu já nem ando’. Às vezes a convivência com colegas de equipa por fora parece bonita, mas por dentro é complicada. Na Porsche, a responsabilidade é só minha.”
O sonho profissional e a entrada no mercado de trabalho
Aos 22 anos, Manuel Alves mantém os pés bem assentes na terra. O sonho de viver das corridas colide com a necessidade de construir um futuro seguro, mais uma vez com uma grande dose de realismo. Se o coração o leva para as corridas, a razão diz-lhe que deve encontrar outro caminho profissional:
“O meu sonho era ser piloto profissional. Fazer das corridas a minha vida. A minha família deixou-me sempre sonhar, mas com os pés na terra”, reflete. “Tanto é que sou licenciado e estou a acabar agora o mestrado. O meu plano A para a vida não são as corridas, mas o meu sonho era conseguir viver disto.”
O piloto reconhece que o objetivo de ser profissional a tempo inteiro está “cada vez mais a esbater-se”: “Temos de ser realistas. Vou entrar no mercado de trabalho agora. São muito poucos os pilotos que conseguem ser profissionais.”
O momento mais marcante
Quando questionado sobre o momento que recordará com mais carinho, a resposta recai inevitavelmente sobre o final dramático da época de 2025.
“Este final de campeonato foi do mais dramático que poderia existir”, recorda. “Desde a luta com o Dylan, o safety car, ter de devolver a posição a meio da corrida, começar a chover, bandeira vermelha, a incerteza se vai recomeçar ou não… Foi uma junção de situações dramáticas que tornaram o momento muito especial.”
“Se havia alguém que ainda tinha dúvidas, ficaram dissipadas. Vencer pela segunda vez um campeonato que este ano estava muito competitivo, contra adversários muito fortes, num fim de semana em que, se não tivesse força mental, tinha terminado mal… esse final de campeonato foi mesmo para os livros.”
Manuel Alves é um dos jovens talentos do panorama nacional que continua a mostrar o seu valor. O bicampeonato na Porsche Sprint Challenge Ibérica poderá abrir portas para outras competições. Alves sabe que o caminho deve ser percorrido passo a passo, mas sem nunca deixar de parte a ambição. E a ambição passa sempre por chegar o mais longe possível, fazer o melhor possível, por si e pelo tio, que certamente estará orgulhoso do trajeto do sobrinho.
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